sexta-feira, 30 de Abril de 2010

  • AS MULHERES NO IRÃO E OS PERIGOS DA MODERNIDADE ALIENADA
Nada é garantido neste mundo. Que o digam as mulheres do Irão. Na foto que acompanha este escrito, vemos uma Doña (dizem-me ser Sofia Loren) num Jornal do Irão, no tempo do Xã Reza Pahlevi… isso foi antes dos Estados Unidos da América e o Reino Unido, por razões meramente estratégicas, deixarem cair o Xã e entregar o poder ao Ayatollah Khomenei.

Hoje, essas mesmas nações condenam as atrocidades cometidas pelo regime político instaurado por este: uma pretensa teocracia islâmica radical que é uma afronta à humanidade e aos valores comuns à modernidade da mesma. É legítimo a censura ao regime brutal de Mahmoud Ahmadinejad, mas não é menos censurável a não assunção das responsabilidades históricas na tragédia humana que o povo iraniano vive. E não é esta responsabilidade uma culpa que morrerá solteira… com tantos amantes, morrerá com epíteto de adúltera congénita.

No que concerne às mulheres, e segundo o Ayatollah Khomenei, o islão «devolveu a identidade às mulheres»; isto é: a sharia, o shador, a burqa… Exemplar! Um case study da história contemporânea. Nada deve ser tido como adquirido, os perigos para a democracia existem; tanto como os demais que a sociedade aberta enfrenta e que pode, a todo o momento, fazê-la colapsar, como aconteceu com o Irão de Reza Pahlevi. Uma visão alienada e utilitarista da modernidade e do exercício do poder político colocou e coloca em perigo, não somente os valores comuns da humanidade — a «civilização do Amor» —, mas a própria humanidade como espécie biológica.

A plantação política de Shadam Hussein foi resolvida à custa do que se sabe: de milhares e milhares de vidas, além da moralidade e ética políticas elementares. O que custará a plantação iraniana? Para as mulheres, custa-lhes tudo: a sua dignidade, a sua liberdade de serem o que podem e querem ser como pessoas. É que, digam o que disserem os Ayatollahs, não existe identidade sem liberdade de querer, de escolher, de dizer… «eu não vou por aí!»


A ELECTRA. A criminalidade juvenil e organizada; o mal. Ah, matam as minhas memórias de menino, e sinto-me do lado errada da barricada.

Imagem: Di Cavalcanti

quinta-feira, 29 de Abril de 2010

  • DESABAFO

Não dizer nada não quer dizer que nada tenho a dizer; quer dizer que podes não gostar de ouvir o tenho a dizer, e guardo silêncio.

Remember Aung San Suu Kyi

quarta-feira, 28 de Abril de 2010

  • LA ETERNIDAD Y SOLEDAD

Tengo miedo a vivir demasiado tiempo,
de vivir más que la eternidad de la calle de los pájaros azules,
esos guías abiertos y rotundos
de los misterios de Eleusis que no llegaran a soñar
el poeta antes de amar Ágape y tu.
¡Oh, los misterios de la mujer sola!
y los orgasmos de la tarde benigna y rubra...

Un gemido, y el cielo se abre en forma de Dios
ya con un hijo en su vientre.

¿Acaso, como confiesan mis ojos claros,
todo no es más que un sueño y Dios una pareja oscura
de la tierra sudaría?

La raíz de oro de tu sonrisa, espuma
de broma, quinta esencia de Eva, Chrisys,
Atenas y Piscis desnudas,
enseña el poema a nadar...
y tú eres el mar de las estrellas, láctea vía
—hay penas de amantes y espanto en el cielo
pues nasce un hombre y tu ambición—
que fecunda el jardín y las laderas de mi soledad.

Y yo, en las puertas del paraíso
de un otro sueño informe y sin esperanza,
te canto y grito, te canto y grito
como el nazareno en oración,
como el nazareno en el jardín,
como el nazareno en la cruz...
pues no sé lo que hacer con miles de años.
¿Qué se hace con la eternidad?
-------- Virgílio Brandão

Imagen: Tierra, Milo Manara


IN FRENCH-LANGUAGE JEWISH POETRY
Gary D. Mole

Imagem: Orazio Gentileschi - S. Francisco e o Anjo

***
A água contaminada mata mais crianças do que a Guerra.

  • O DIREITO, O TORT E O JULGAMENTO DO PAPA
Richard Dawkins, um ateu confesso contratou um Advogado britânico para responsabilizar o Papa Benedictus XVI pelos crimes contra a liberdade e a autodeterminação sexual das crianças (a chamada pedofilia) cometidos por sacerdotes católicos ao longo dos anos. A ideia é levar Benedictus XVI a julgamento, considerando a dimensão dos crimes em causa. O efeito copy cat não demorou: o Vaticano e o Papa foram processados nos Estados Unidos da América.

A acção de Richard Dawkins está fadada ao insucesso ab ibnitio, a não ser que encontre um Procurador e um Juiz — como diria Joaquim Barbosa, Ministro do Supremo Tribunal do Brasil — que dê «um jeitinho», o que não é nenhuma impossibilidade. Mas isso não é direito, é outra ordem de razão. É que no plano do Direito Internacional Público, do Direito Internacional Penal e do Direito Penal Internacional, mesmo tendo em conta a jurisdição universal, falha a dimensão subjectivo do direito penal para se poder imputar qualquer crime ao Papa Benedictus XVI e ao Estado do Vaticano.

A Santa Sé não tem reagido da melhor forma, mas nem por isso os seus prelados poderão deixar de dormir descansados no que concerne à acção de Richard Dawkins & companhia. No que concerne aos Estados Unidos da América, a situação é/será a mesma no plano penal, mas não no âmbito cível. É que neste, e segundo o Alien Tort Claims Act (ACTA) de 1789, a Igreja Católica e o Vaticano — e não os Papas João Paulo II e Benedictus XVI — poderão ser processados e os autores lograrem sucesso no que concerne a se conseguir uma indemnização compensatória. E isso porque a Igreja e o Vaticano são responsáveis pelos actos dos seus agentes, se é que não o serão elas mesmas merecedoras de censura, por negligência e no plano omissivo.

A verdade é que parte dos objectivos de Richard Dawkins já forma alcançados: colocou a Igreja em cheque e faz as pessoas questionarem Deus, como se este tivesse algo a ver com as acções livres ou não (no caso não são, pois resultam, em regra, de uma patologia). A Igreja católica Apostólica Romana é sujeita a um julgamento publico, sendo que quem o deve(ria) ser são os sacerdotes inadimplementos dos seus deveres para com a Deus, a Igreja e o seu semelhante. A consequência necessária deste facto é que a Igreja terá de passara a usa o teste de Rorschach nos Seminários, e eliminar os que chumbarem no mesmo. É que o sacerdócio não pode ser refúgio de ninguém, e muito menos dos medos de seja quem for de encarar os seus problemas pessoais.

A vocação não pode ser bastante, é preciso mais. O mais que faz o Sacerdote ser uma pessoa qualificada para o serviço ao outro. Somente um juízo prévio sobre a personalidade do candidato a sacerdote pode evitar que o tort da acção pedófila não seja encarada como um facto infeliz que precisa de um remédio. Mas até que digo mais: todos os sacerdotes deveriam sujeitar-se ao teste de Rorschach, pois permitiria identificar pedófilos e aqueles com tendências a sê-lo. Medida draconiana? Talvez o seja, mas a integridade da santidade do sacerdócio e a segurança das crianças justificam uma tal medida. Julgamento por julgamento, este resultaria o verdadeiro — o único com efeitos práticos no presente e no futuro. Mas quem o quer? Quem o deseja?

Já agora: por onde andavam, durante todos estes anos, os ora egrégios guardadores de crianças que se apresentam e se arvoram campeões da infância? E Darwin tinha razão! Mas prefiro a sua razão na voz de Espinosa: connatus essendi. Ontem e sempre; pois, ao contrário do que dizia Séptimo Severo e os poetas, mudam-se os tempos mas não se mudam as vontades. E o Direito, na perspectiva de muitos, continua a ser instrumento e não valor.

Imagem: Le Modele Rouge III, Magritte

terça-feira, 27 de Abril de 2010

 
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REPORTING HUMAN RIGHTS IN THE PHILIPPINES

domingo, 25 de Abril de 2010


  • Leonard Cohen — Hallelujah
Now I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this
The fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah
Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you
To a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah

Baby I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you.
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

There was a time you let me know
What's really going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you
The holy dove was moving too
And every breath we drew was Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

You say I took the name in vain
I don't even know the name
But if I did, well really, what's it to you?
There's a blaze of light
In every word
It doesn't matter which you heard
The holy or the broken Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

I did my best, it wasn't much
I couldn't feel, so I tried to touch
I've told the truth, I didn't come to fool you
And even though
It all went wrong
I'll stand before the Lord of Song
With nothing on my tongue but Hallelujah

Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah

  • EL HIJO DARWIN

Me hecho espectro de un dios lejano
y las márgenes de mis sueños te miran aguja
del sol de Agosto.

Dominus del templo solo
fue tu nombre en el templo de almas
y palabras como extensión de ti .

Escúchame, de mansito
 como el nacer de la rosa y el amor viejo.
Escúchame, como el cerdo mira al igual
y, ¡con el morder en el alma!, sonreí…
¡Así son los hombres!, yo te digo.
Hijo mío, escúchame
pues tu es el sol del Dios lejano.

Imagen: La Reproduction Interdite, René Magritte

  • PALABRAS DE SABIDURÍA
Quien atribuye a la crisis sus fracasos y penurias, violenta su proprio talento, respeta más los problemas que las soluciones — Einstein.

sábado, 24 de Abril de 2010

  • EL MUNDO PEQUEÑO

Irse duele, yo lo sé.
Éste es el mundo francotirador
y aquí está ¡Amor!
el dolor de quedarse en el irse de ti.

Eres tú lo ideal de sueño
se no tuviera que irme lejos de ti.
¿Hay alternativas justas en éste mundo?
¡No lo sé¡ y estoy convencido de que nadie lo sabrá
después de Darwin y Wallace.

Ayer, en la memoria de la cara de piedra
yo era un niño en mi ciudad.
Mis sueños no eran pequeños como yo
y mí ciudad. Todo eres pequeño,
todo, ¡mas todo! pero yo no…

Yo quería todo y más: el topo de la cadena
de átomos, señoríos y deseos,
la crème brûlée de la justicia de este mundo
— no tener de alejarme de ti…

Hoy, nadie importa
tu eres todos los sueños y más.
------ Virgílio Brandão  

  • MÁRIO SOARES E A CUNNUS DA HISTÓRIA
Hegel, com a Filosofia da História, delimitou o sentido geo-étnico das Áfricas. A Conferência de Berlim de 1885, ao retaliar o continente, deu a machadada decisiva no plano ocidental: colocar os povos de África no local certo para ser da Joana! o despejo de um usus abutendi do colonizador da segunda globalização. África está mesmo abaixo do cu da história (todo o mau cheiro da história começou na Europa!) — é a cunnus do devir histórico. E é por isso que se ouvem bocas espúrias como a de Mário Soares sobre a Independência de Cabo Verde e o deve e haver da mesma. Juízo paternalista que não é novo e que tem muitos subscritores cabo-verdianos, da geração do ex-Presidente português — além de que é uma critíca desnecessária, desadequada no tempo e pouco simpática (“e não sei se ele tem razão ou não”) à gestão e aos gestores da coisa pública cabo-verdiana pós independência em 1975.

Mas é sobre a (in)dependência actual, que Mário Soares fala... pois! Um bom (!?) puxão de orelhas, esse. Gosta de meter o dedo onde não deve, de marcar momentos políticos das ex-colónias ultramarinas portuguesas. Basta[rá] lembrar quem foi que colocou na agenda política a questão da adesão de Cabo Verde à União Europeia e que desembocou na “Parceria Especial”. E há quem ache que “não sabe” (!?) se ele tem ou não razão... exactamente por perceber o puxão de orelhas subliminar de um patriarca ideológico da grande teia da magistratura de interesses que faz o agora pragmático.

Não estava nenhum cabo-verdiano nessa conferência para (re)lembrar ao Mário Soares o que aprendeu da obra do jurisconsulto Paulo enquanto estudante na Faculdade de Direito de Lisboa(?): Libertas inaestimabilis res est – «A liberdade tem um valor mais elevado do que qualquer outra coisa» (Digesto, II, Ad Edictum). Bem disse o Professor Eduardo Lourenço: a descolonização foi vista pelos políticos de então como a libertação de um fardo. Outros, entre eles Mário Soares, desejavam manter-se colonizadores. O que é dizer que Portugal não desempenhou o seu papel como impunha a Resolução nº.1514 da Assembleia Geral da ONU (o caso de Cabora Bassa, v.g., é uma violação ostensiva da Resolução nº.1314 da AG/ONU sobre o direito de disposição dos recursos naturais pelos povos).

E neste plano, todas as desgraças que advieram aos povos colonizados por Portugal depois das independências são imputáveis a Mário Soares e aos demais políticos de então. A mea culpa de Mário Soares deveria ser feita de uma outra forma — assumindo as responsabilidades de uma descolonização mal feita, pensada e executada a esmo no período revolucionário pós 25 de Abril de 1974. E nem o facto de confessar que lavou as mãos como Pilatos (e, pelo que se percebe, as suas razões não eram da mesma ordem de ética política que moveu o Praefectus da Judeia) o salva do juízo censório da história ou justifica o juízo deselegante que teve para com Cabo Verde e os cabo-verdianos.

A verdade é que em 30 anos Cabo Verde teve mais desenvolvimento económico, social e humano do que em 500 anos de colonização portuguesa (em 500 anos Portugal fez a proeza extraordinária de deixar 2 [duas] escolas secundárias em Cabo Verde; pior, só em Timor Leste onde um só deixou 1[um] estabelecimento de ensino secundário). Mas mais do que este deve e haver histórico, o que os cabo-verdianos ganharam foi a sua liberdade... a grandeza de escolherem o seu destino, sem jugo.

Se Mário Soares não percebe que dois bois não podem estar na mesma junta e puxarem cada um para seu lado, o que se pode fazer? A independência de Cabo Verde era um desígnio necessário não somente do povo de Cabo Verde mas da História. E o homem que cedeu a independência e a soberania de Portugal à CEE (União Europeia) para salvar o país da bancarrota absoluta que estava no seu horizonte na primeira metade dos anos oitenta do Séc. XX deveria perceber isso. Pragmatismo sócio-político, e ideologia para além da política. Tem conciência, hoje por hoje e como antes, que o Mundo político se move pela lógica darwiniana; o que não lhe é estranho de todo. A ele e aos que o escutam de forma acrítica! Não se pode nem se deve deixar de saber algumas coisas, e de se ter opinião sobre elas. Pelo menos quem deve falar não por si mesmo mas por todo um povo. |

PS: Porque o assunto é pornográfico, a imagem é excepcionalmente análoga.

  • EL SUEÑO SALVAJE

Eres una ternera inmensa, y yo un cerdo mayor
que te comía por la noche, voraz
un sueño de Dios...
¡Y el despertar de Dios!—
como hacen los hombres en la madrugada—
es un ñus perseguido por el hambre.
------ Virgílio Brandão

sexta-feira, 23 de Abril de 2010

  • SHALL I COMPARE THEE TO A SUMMERS DAY?

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate.
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date.

Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimmed;
And every fair from fair sometime declines,
By chance, or nature's changing course untrimmed.

But thy eternal summer shall not fade
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall death brag thou wand'rest in his shade,

When in eternal lines to time thou grow'st,
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.
------ William Shakespeare

Image: Confession — Jean Louis Gieg

quinta-feira, 22 de Abril de 2010

  • TÚ ERES POESIA
Es mañana y pienso. Pienso y siento como dice Ylia Kazama: «No sé sí estoy inspirado o sólo enamorado.» No sé, pero escribo un poema a quien lo sabe: al poeta que vive en mí. Ayer no opina. Mí poeta es sordomudo y ciego al mal. Hay piedras rojas de sangre en la calle, es y se parece mío y despierto como una ribera. El universo es indiferente a todo lo que sueñas y a nadie lo importan tus necesidades de ser Dios y mucho más. ¿Hay poesía en el mundo? El mundo es echo de tierra, de un montón de tierra y de agua. Tu también es polvo, polvo y agua. ¿Y se te decir que eres poesía, me vas a creer? Es mañana y escribo poesía.
------- Virgílio Brandão

Imagen: Laetitia Casta

quarta-feira, 21 de Abril de 2010


  • CREDO DA SOCIEDADE BIOGÉNICA INTERNACIONAL
Acreditamos que a nossa propriedade mais preciosa é a Vida.

Acreditamos que mobilizaremos todas as forças da Vida contra as forças da morte.

Acreditamos que a compreensão mútua conduz à mútua cooperação; que a mútua Cooperação conduz à Paz; e que a Paz é o único modo de sobrevivência da Humanidade.

Acreditamos que, em vez de desperdiçar, preservaremos nossos recursos naturais, que são a herança de nossos filhos.

Acreditamos que evitaremos a poluição do nosso ar, da nossa água e do nosso solo, pré condições básicas da Vida.

Acreditamos que preservaremos a vegetação do nosso planeta: a relva humilde, que chegou há cinquenta milhões de anos, e as árvores majestosas, que chegaram há vinte milhões de anos, a fim de preparar o nosso planeta para a humanidade.

Acreditamos que só comeremos alimentos frescos, puros, naturais e integrais, sem substâncias químicas e sem processamento artificial.

Acreditamos que levaremos uma vida simples, natural e criativa, absorvendo todas as fontes de energia, harmonia e conhecimentos, dentro e em torno de nós.

Acreditamos que o aprimoramento da vida e da humanidade no nosso planeta deve começar pelos esforços individuais, assim como o todo depende dos átomos que o compõem.

Acreditamos na Paternidade de Deus, na Maternidade na Natureza e na Fraternidade do Homem.
----- Elaborado em Paris, em 1928, por Romain Rolland e Edmond Bordeaux Szekely

  • CAMIÑOS
Dios no mira cuáles son las obras sino únicamente cuáles son el amor y la devoción y la disposición de animo en las obras — Maister Eckhart.

terça-feira, 20 de Abril de 2010


  • THE ATHEIST ABUSE OF JUSTICE
Richard Dawkins and Christopher Hitchens cried out: Arrest The Pope!
It's Just unbelievable! What people do for notoriety... as Richard Dawkins wrote on The Blind Watchmaker: «We, animals, are the most complicated things on the known universe». Yes, we are... prof. Richard Dawkins! yes we are... and that's why there are two perfect beings on the universe: You, and God! As God doesn't exist... You remains as the only one, the Darwin and Nietzsche's superbeing.  To use the Judicial system to make a point... against God, not the Pope. Shame on You!

segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Aconteceu. Não o fiz.
Eu o fiz. Não aconteceu.
Janos Pilinski

domingo, 18 de Abril de 2010

  • YO Y ELPIS

¡Y tú! Paloma pura
y desnuda como la tumba.
Tú que te inclinas más y más al arrabal
de mis sueños, dime
— ¿piensas que es esto rincón de bruma,
esta intimidad viajera
de porciones de pasiones y amores
lo que puede minar mi corazón de azul
y de Elpis?

¡Hay niños postizos en la calle!, yo lo sé...
¡Y ministros también!, en el gabinete sangrando palabras.
El bobo se llama pueblo, gente lechosa
y espina de urna.
¡Y no lo sabe!, el gran inocente.

Um bravo inmundo nos acerca,
…todo es frágil,
Piscis es frágil,
Elpis es frágil,
y el Amor es un tierno soplo del arrabal de mis sueños
y del universo: ¡Nada ha cambiado,
yo estoy vivo!
y tengo de escucharte, a ti que sabes que no hay otra verdad
y que la única verdad es vivir
y ser eterno como el olor de la rosa
y resucitar como la bruma de mañana
¡y ser de Mindelo!
------ Virgílio Brandão

Image: Mi face — Jean Louis Grieg

  • A CULPA...

sábado, 17 de Abril de 2010


  • PALAVRAS DE SABEDORIA Y MORAL D’HISTÓRIA
    Cum sapiente loquens, perpaucis utere verbis — Hay que usar pocas palabras se hablas con un sabio; Kond bo falá k’um sábio, k’bo usá tcheu palavra; Use few words when speaking to a wise man; Quando falares com um sábio, usa poucas palavras. Um brocardo antigue y ke hoj poke gent t’dá atensão...

       Kond um’era menine, tinha um cosa que k’nôs tud tava aprendé n’Escola: «moral da história?» — prufessor tava perguntá. N’kel temp nô tá aprendê a pensá y a sinti desd ced razão d’ser de tud; o que menine d’agora ê um xenopensamento. Neste kaso, desde brocardo, moral d’história ê o ke Salomão t’dzê: «ne tcheu palavra tem transgresom», i.e., presensa d’um sábio ê meio kamim p’um moment de vergonha. P’kem tel, p’kem t’sentil...

Imagem: Ivan Tsarevich Cavalgando o Lobo Branco, Viktor Mikailovich Vasnetsov (1889)

  • LO FATAL

Dichoso el árbol, que es apenas sensitivo,
y más la piedra dura porque ésa ya no siente,
pues no hay dolor más grande que el dolor de ser vivo
ni mayor pesadumbre que la vida consciente.

Ser, y no saber nada, y ser sin rumbo cierto,
y el temor de haber sido y un futuro terror...
¡Y el espanto seguro de estar mañana muerto,
y sufrir por la vida y por la sombra y por
lo que no conocemos y apenas sospechamos,
y la carne que tienta con sus frescos racimos,
y la tumba que aguarda con sus fúnebres ramos
y no saber adónde vamos,
ni de dónde venimos!...
----- Rubén Dario

Imagen: El coche de oro, Salvador Dali

¿YA LO HAS LEÍDO?


terça-feira, 13 de Abril de 2010

  • CONSELHO PARA O MEU POETA
Se a rua que pisas pensasse e falasse, diria:
— Que cruel és!
Pensa nisso quando fores tentado pela Lei de Talião.

Imagem: Greed — Brittany Jackson

segunda-feira, 12 de Abril de 2010

  • MÍ POETA
La única y verdadera forma de belleza es la que vemos en la persona amada. Todos los demás cuerpos sentidos son instrumentos de placer, belleza y sueño de un otro Dios - díce mí poeta.

Imagen: Dragon Knight - Keun-Chul Jang ©

quinta-feira, 8 de Abril de 2010

| WORDS OF WISDOM

«Spes salvi facti sumus — es en la esperanza que nosostros somos salvos; it’s on hope that we are saved; é na esperança que fomos salvos, São Paulo.

quarta-feira, 7 de Abril de 2010

| DISCRIMINATION - NIHIL NOVI SUB SOLI

Discrimination: a Question of Visible Minorities — in Population and Societies, April 2010, n°466 by Cris Beauchemin, Christelle Hamel, Maud Lesné, Patrick Simon, et l’équipe de l’enquête TeO): «In France, the chances of finding a job or a place to live, or simply a service to which one is entitled, vary according to an individual's sex, ethnic origin or physical appearance. The Trajectories and Origins survey (Trajectoires et Origines, TeO), conducted in 2008 by INED and INSEE does not simply record discrimination but examines in detail the various factors at play. In this article, the survey authors present their initial analyses of respondents' perceived experience of discrimination.»  

Image: Slave Market with the Disappearing Bust of Voltaire - Salvador Dali (1940)



  • Malaika, nakupenda Malaika, Angélique Kidjo

| LA JAULA

Afuera hay sol.
No es más que un sol
pero los hombres lo miran
y después cantan.
Yo no sé del sol.
Yo sé de la melodía del ángel
y el sermón caliente
del último viento.
Sé gritar hasta el alba
cuando la muerte se posa desnuda
en mi sombra.
Yo lloro debajo de mi nombre.
Yo agito pañuelos en la noche
y barcos sedientos de realidad
bailan conmigo.
Yo oculto clavos
para escarnecer a mis sueños enfermos.
Afuera hay sol.
Yo me visto de cenizas.
----- Alejandra Pizarnik

| WORDS OF WISDOM

"My people of Africa, we were created in the image of God, but men have made us think that we are chickens, and we still think we are, but we are eagles. Stretch forth your wings and fly! Don't be content with the food of Chickens" — J.E. Kwegyir Aggrey.

Image: Egyptians chess players — Lawrence Alma-Tadema

terça-feira, 6 de Abril de 2010

| QUANDO A FICÇÃO SUPERA A REALIDADE — OS PERIGOS DA ADIÇÃO NO ON LINE

A internet, nomeadamente os jogos on line, pode ser viciante? «Não, claro que não!» — dirá a maioria, negando aquilo que parece ser uma evidência. Mas esta realidade negada pode salvar dois cidadãos coreanos de irem para prisão. Um casal sul-coreano a deixou a sua filha de três meses — “Amor” de seu nome, em Português — morrer de fome, enquanto passavam o tempo a jogar um videojogo on line: cuidavam de uma criança virtual! durante cerca de dez horas diárias. Perante a verificação da morte da filha, chamaram a polícia. Feita a autópsia, o resultado tanatológico foi lapidar: a criança morreu de mal nutrição, de fome. O extraordinário é que pais não pareciam ter consciência do que tinham feito; da sua ausência e desta ter sido a causa da morte da filha. Assumiram a culpa, demonstram arrependimento — verdadeiro ou não, nem questiono isso; mas tal demonstra a dimensão da inconsciência em que caíram — e a mãe está grávida de uma outra criança.

A estratégia da defesa é simples, e adequada à situação em si; parece assentar em duas premissas fundamentais: (i) uma causa de desculpação emergente do viciação no jogo e (ii) no arrependimento, ainda tardio pois o facto consumou-se — mas que é levado em consideração. Mas, o vício do jogo, a adição ao jogo on line como causa desculpante, não me parece que venha a valer de muito ao casal em julgamento — não somente pela cultura coreana, mas porque o grau de negligencia é de tal ordem, tão radical que toca o absurdo. Faço este juízo se nunca ter jogado um jogo desta natureza, mas tento compreender a lógica dos mesmos e o como afecta o jogador.

No entanto, e no estrito plano do princípios do direito, as possibilidade do casal poder ser absolvido são consideráveis; assim como de levarem uma pena leve, tendo em consideração que está-se perante um crime — homicídio por negligência — que é punido com pena de prisão até cinco anos pelo Código Penal da Correia do Sul. Se fosse em Portugal, e de acordo com o Código Penal em vigor, que penaliza o crime em causa com uma pena até três anos ou com multa (homicídio por negligência simples) ou com cinco anos (homicídio por negligência grosseira), ao casal poderia ser aplicado uma pena suspensa — mesmo no caso da negligência grosseira — ou, se se entender que foi negligencia simples, uma multa! Mais: com a estratégia em causa, poderia acontecer que — com recurso a peritos que demonstrassem a viciação no jogo on line e a consequente alienação do casal da realidade e, logo, da incapacidade de cumprir com os seus deveres paternais, poderiam acabar por ser absolvidos.

A vida, nestes casos, não é levada em consideração, e na devida conta pelo Código Penal Português. A função do Advogado é ingrata, por vezes uma actividade porca, mas alguém tem de cumprir com esse dever — e dizer a si mesmo que é a lei, que todos têm o direito à defesa, que se é somente mandatário do acusado, e de que, usando da falácia, a lei é justa. A consciência é que não se convence com isso, mesmo quando se cumpre com o dever, defendendo o culpado como se fosse inocente — afinal é o que diz a Lei. O Mundo está fedendo, e afogamo-nos no mau cheiro. Deveria ser em qualquer coisa líquida ou espessa, pois assim poderia dizer: "estou na asneira, mas não estou dentro da asneira" — como digo do mar: "estou no mar, mas não dentro do mar". O pior é que o fedor agarra-se a nós, entra em nós! E somente a consciência consegue combatê-la. Tem as suas armas, mas a luta é desigual.

Ao escrever este texto, com o Sol a despontar em Lisboa, lembrei-me de, um dia destes, passando pela Rua das Portas de Santo Antão em Lisboa, parei no Café Mindelo para cumprimentar dois amigos, e acabei por parar um pouco para trocar umas palavras (até que estava com alguma pressa pois ia beber um Manhattan no Hard Rock Café com um outro amigo e falar um pouco sobre coisas de homens: trabalho, mulheres e, se desse, de trapalhadas políticas e do Rei Édipo que estava para estrear no Teatro Dona Maria II). Às tantas a conversa tornou-se interessante, até que um dos interlocutores se mostrou apressado: tinha de ir embora, pois tinha de ir falar com os amigos no Facebook! Uma realidade nova, e preocupante. O não Admirável Mundo Novo.

_______________________________________ OS LIMITES DA UTILIDADE

O que dizer, perante isto? Que posso dizer, eu que sou um defensor da internet como um direito fundamental de quarta geração, como um instrumento de promoção da cultura e, logo, de melhores pessoas, de seres mais humanos? Tomás de Aquino é que tinha razão: Bonum enim aliarum virtutum consistit in medio. De todo que tinha, e tem. O que me faz pensar, que o absurdo é tão presente na existência humana como a falta de amor e a ausência de bom senso.

| CANCIÓN DE AMOR DE LA JOVEN LOCA

Cierro los ojos y el mundo muere;
Levanto los párpados y nace todo nuevamente.
(Creo que te inventé en mi mente).

Las estrellas salen valseando en azul y rojo,
Sin sentir galopa la negrura:
Cierro los ojos y el mundo muere.

Soñé que me hechizabas en la cama
Cantabas el sonido de la luna, me besabas locamente.
(Creo que te inventé en mi mente).

Dios cae del cielo, las llamas del infierno se debilitan:
Escapan serafines y soldados de satán:
Cierro los ojos y el mundo muere.

Imaginé que volverías como dijiste,
Pero crecí y olvidé tu nombre.
(Creo que te inventé en mi mente).

Debí haber amado al pájaro de trueno, no a ti;
Al menos cuando la primavera llega ruge nuevamente.
Cierro los ojos y el mundo muere.
(Creo que te inventé en mi mente).
---- Sylvia Plath


—  PENA DE MUERTE / DEATH PENALTY 2009 

| VOZES DE ATENTAR

Dou-te tudo o que tenho e sou, e depois recolho-te — diz o Amor.

Imagem: Allegory of Sculpture, Gustav Klint, (1889)

domingo, 4 de Abril de 2010

| A PRIMAVERA E A MORTE DOS DEUSES

Era primavera, e Tibério sentia-se velho
e exilado de si mesmo.
Da Judeia, a sua mão tribunícia escreveu-lhe
espantado; um homem caminhava sobre a terra
e, como do Divus Vespasiano, se dizia dele
Amor ac deliciae generis humani com razão.

Cegos viam o Mundo todo e novo,
paralíticos andavam, mortos ressuscitavam
e, o mais espantoso de tudo: amava os homens
de verdade, dizia que era a verdade viva…
Tibério, escrevera um mandado ao Prefeito
— a dor roía-lhe! deveria saber o que lhe importava,
e pediu ao Senado para proclamar o nazareno Divus.

Na Judeia, o povo pedia a cruz para Deus.
Em Roma, o Imperador pedia o altar para Deus.
Na Judeia, os representantes do povo crucificavam Deus.
Em Roma, os representantes do povo negavam divindade a Deus.
Na Judeia, Pilatos perguntava: Quid est veritas?
Em Roma, o exilado Imperador perguntava ao Senado: É justo
negar-se a Deus o que é de Deus, o que é divino à divindade?
Gaio e Ulpiano, ainda não nascidos, escutavam-no da eternidade.

Era primavera. E Deus foi duas vezes crucificado,
em Roma e no Golgotha.

O Imperador, recebeu uma carta do Prefeito com a verdade:
— era Iesus Nazarenus Rex Iudarum!, Divi fili crucificado.
E viu a terra, toda a terra que os seus olhos abarcavam,
tremer de dor e vergonha, expandir-se e fender-se no breu.
No medo viu-a chorar a sua morte. Esta deu os seus cativos,
e ele, Pôncio Pilatos, mão forte do Império e da vergonha,
viu-os ressurrectos, caminhar sobre a terra,
sobre as pedras vermelhas e sangrentas da Judeia cativa.

Os deuses não morrem, mesmos crucificados.
Tibério Augusto descobriu o que procurava,
não estaria mais só,
não mais se sentiria Deus, como Deus.
E quando chegou a sua morte, morreu na primavera
— como Pôncio Pilatos, quando agarrou um punhal
e verteu na terra o seu sangue, como se fosse um cordeiro,
um cordeiro de Deus, inocente e digno como viu
sorrindo, olhando para ele e dizendo-lhe: — «Amo-te, Pilatos!».
As suas últimas palavras, um arrependimento:
Quid est veritas?

Era primavera, quando nasceu o Nazareno.
Era primavera, quando Deus e os seus algozes morreram.
Era primavera, quando os deuses nasceram.
É primavera, e não sabes…
----- Virgílio Brandão

Prima forma: Liberal
Imagem: Salvador Dali — Crucifixion ("Hypercubic Body") (1954, Metropolitan Museum Of Art, New York)


FRIEDRICH HÖLDERLIN (1)
DOS CARTAS A HEGEL
I
Waltershausen bei Meiningen,
10 de julio de 1794.


       Querido hermano:
       Estoy seguro de que te has acordado a veces de mí, desde que nos separamos con la consigna «Reino de Dios». Por muchas metamorfosis que pasemos, creo que siempre nos reconoceremos en este lema. Estoy seguro que, de cualquier manera que te vaya, el tiempo nunca podrá borrar en ti ese rasgo. También conmigo creo que pasará lo mismo. Y es que ese rasgo es lo que más amamos el uno en el otro. Por eso estamos seguros de que nuestra amistad durará eternamente. Por lo demás, te echo mucho de menos. Tú has sido tantas veces mi genio tutelar... ¡Cuánto te debo! Y hasta que nos hemos separado no lo había sentido del todo. Me gustaría poder aprender aún algo de ti, también a veces comunicarte algo de lo mío.
       Escribirse cartas no pasa nunca de ser un sucedáneo; pero siempre es algo. Por eso no debíamos de-jarlo del todo. Tenemos que recordarnos de vez en cuando qué derechos tan grandes poseemos recípro-camente el uno sobre el otro.
       Me parece que en cierto modo encontrarás tu mundo bastante congruente contigo. Pero no tengo por qué envidiarte. Igual de buena me parece mi situación. Tú estás más en claro contigo mismo que yo. A ti te gusta estar un poco rodeado de ruido; yo necesito silencio. Tampoco carezco de alegría. A ti nunca te falta.
       A veces me gustaría hallarme rodeado de tus lagos y tus Alpes. La gran naturaleza nos ennoblece y acera irresistiblemente. En cambio, vivo en el ámbito de un espíritu singular, excepcional por su enverga-dura, y profundidad, y finura, y donaire. Difícil te será hallar en Berna una mujer como la señora von Kalb. ¡Qué bien te sentirías dejándote asolear por este claro rayo! Si no fuese por nuestra buena amistad, tendrías que estar un poco resentido por haberme cedido tu buena estrella. También ella, ante mi ciega dicha en todo lo que le cuento de ti, tiene que pensar casi que ha salido perdiendo. Muchísimas veces me ha advertido que tengo que escribirte. Y ahora de nuevo.
       [...]
       No dejes de escribirme largo y tendido lo que ahora piensas y haces, querido hermano.
       Mi tarea se halla ahora bastante concentrada. Kant y los griegos son casi mi única lectura. Sobre todo trato de asimilar la parte estética de la filosofía crítica. Hace poco realicé una pequeña excursión a la región de Fulda, pasando por los montes del Rhön. Uno cree hallarse en los montes suizos entre esas colosales alturas y los fértiles, encantadores valles sembrados de casitas dispersas al pie de los montes, a la sombra de los abetos, entre rebaños y arroyos. Fulda misma tiene una situación encantadora. Los montañeses son como en todas partes, un puco rudos y simples. Por lo demás, pudieran tener alguna buena cualidad que nuestra cultura ha destruido.
       No dejes de escribirme pronto, querido Hegel. Me es completamente imposible estar privado de tus noticias.
Tu Hölderlin


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II (ii)
Jena,
26 de enero de 1795.

       Tu carta me ha deparado una alegre bienvenida al volver a Jena. A fina¬les de diciembre partí para Weimar con la señora del comandante von Kalb y mi pupilo, que había estado aquí solo conmigo dos meses. Ni yo mismo sospechaba que iba a volver tan pronto. Las calamidades que pasé como educador debido a mis especiales circunstancias subjetivas, y la para su nueva revista, Las Horas, así como en su proyectado Almanaque de las Musas.
       He hablado con Goethe. ¡Hermano! Es el más bello placer de nuestra vida encontrar tanta humanidad en tanta grandeza. Estuvo hablando con¬migo tan afable y amistoso, que te aseguro que el corazón me reía y aún me ríe cuando lo recuerdo. Herder estuvo también cordial, me tomó de la mano; pero mostraba ya más el hombre de mundo, habló a menudo muy alegórica¬mente, como ya sabes que es. Le pienso visitar alguna vez. El mayor von Kalb seguramente se quedará con su familia en Weimar (por lo tanto, su hijo ya no me necesitaba y la despedida pudo anticiparse), y la amistad que tengo, sobre todo, con la señora del comandante, me abre las puertas para visitar la casa con cierta frecuencia.
       Los apuntes especulativos de Fichte —"Fundamentos Generales de la Doctrina de la Ciencia"—, así como sus "Clases Sobre la Condición del Sabio" (ya impresos), te interesarán mucho. En un comienzo sospeché mucho que era un dogmático. Si se me permite una conjetura, parece haber estado realmente al borde de ello o estarlo aún: su aspiración es ir en la teoría más allá del hecho de la conciencia. Así necesidad de vivir por lo menos algún tiempo para mí mismo —que mi estancia aquí no ha hecho más que aumentar— me hizo exponer a la señora del comandante, aún antes de salir de Jena, mi deseo de dejar mi ocupación en su casa. Y aunque me dejé convencer por ella y por Schiller de hacer un nuevo intento, no pude aguantar la broma más de dos semanas, pues, entre otras cosas, estaba casi completamente insomne; así que me volví lleno de paz a Jena, disfrutando por primera vez en mi vida de una independencia que espero no será infructuosa.
        Mi actividad productiva se concentra casi exclusivamente en la elaborarán de los materiales de mi novela [Hyperion]. El fragmento publicado en la [revista Nueva] Thalia es todavía una masa bruta. Pienso que acabaré la novela por Pascua; permíteme que hasta entonces no te hable más del tema. El “Genio de la audacia”, del que quizá te acuerdes todavía, lo he entregado reelaborado a la Thalia junto con algunas otras poesías. Schiller se interesa mucho por mí y me ha animado a que le escriba algo lo muestran muchísimas de sus expresiones, y esto es trascen¬dente tan cierta e incluso más llamativamente que la aspiración de los meta¬físicos tradicionales a ir más allá de la existencia del mundo. Su Yo absoluto (= Sustancia de Spinoza) encierra toda la realidad. Es todo y fuera de él no hay nada. Por tanto, este Yo absoluto no tiene objeto; de otro modo, no encerraría toda la realidad. Pero una conciencia sin objeto es impensable; incluso si yo mismo soy ese objeto, en cuanto tal me hallo necesariamente limitado, aunque sea en el tiempo; por tanto, no soy absoluto. De modo que una conciencia es impensable en el Yo absoluto, como Yo absoluto no tengo conciencia, y, en tanto en cuanto no tengo conciencia, soy nada (para mí) y el Yo absoluto es (para mí) Nada.
       Así puse por escrito mis pensamientos aun en Waltershausen, cuando leí sus primeras páginas, inmediatamente después de haber leído a Spinoza. Fichte me confirma (iii) [...] la posición (en su lenguaje) del Yo y el No-Yo es ciertamente curiosa. También la idea de aspiración, etc.
       Tengo que acabar pidiéndote que tomes todo esto como si no lo hubiese escrito. Eso de que te estás ocupando de los conceptos religiosos es ciertamente bueno e importante en un sentido. El concepto de Providencia lo tratarás, supongo, en completo paralelo con la teleología kantiana. El modo que tiene Kant de unir el mecanismo de la naturaleza (o sea, también del destino) y su finalidad me parece encerrar propiamente todo el espíritu de su sistema. Ciertamente es el mismo modo que tiene de resolver todas las antinomias. En esto de las antinomias Fichte tiene una idea muy curiosa, sobre 1a que mejor te escribiré otro día. Estoy dándole vueltas hace tiempo al ideal de una educación del pueblo. Y como tú te ocupas precisamente de una parte de ella, la religión, tal vez eligiendo tu imagen y tu amistad como guía de mis ideas acerca del mundo exterior sensible, pueda escribirte enseguida por carta lo que acaso tardaría más en escribir [para mí]. Espero tu juicio y tus correcciones. (iv)

------- Imagen: Leonardo da Vinci
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Notas:
(i) Las cartas han sido escaneadas de la edición G.W.F. Hegel, Escritos de Juventud, México, Fondo de Cultura Económica, 1998, pp. 49-50 y 56-58.
(ii) Probablemente se han perdido dos cartas de Hegel a Hölderlin y una de Hölderlin a Hegel anteriores a esta carta.
(iii) En el manuscrito faltan cinco líneas.
(iv) Falta el resto de la carta.