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quarta-feira, 7 de abril de 2010



  • Malaika, nakupenda Malaika, Angélique Kidjo

sábado, 13 de março de 2010

VII
.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
------ O Guardador de Rebanhos, Alberto Caeiro

domingo, 28 de fevereiro de 2010


  • VOZES DE ATENTAR
     Os que encontram significações torpes nas coisas belas são corruptos sem sedução, o que é um defeito.
     Os que encontram significações belas nas coisas belas são os cultos. Para estes há esperança.
------ Oscar Wilde


Imagem: Confissão: Jean Louis Grieg

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

| GOZEMOS A VIDA, LÉSBIA...

V
Gozemos a vida, Lésbia, fazendo amor,
desprezando o falatório dos velhos puritanos.
A luz do sol pode morrer e renascer
mas a nós, quando de vez se nos apaga a breve luz da vida,
resta-nos dormir toda uma noite sem fim.
Beija-me mil vezes, mais cem;
outras mil, outras cem.
Depois, quando tivermos ajuntado muitos milhares,
vamos baralhá-los, perdendo-lhes a conta,
para que nenhum invejoso, incapaz de contar beijos tantos,
possa mau-olhado nos lançar.
------- Catulo

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

  • MOMENTO ERÓTICO
Aria Giovanni

sábado, 9 de janeiro de 2010

*
Brenda Lynn
*
MOMENTO ERÓTICO

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

  • ME DIJO UN ALBA DE LA PRIMAVERA

    Me dijo un alba de la primavera:
    Yo florecí en tu corazón sombrío
    ha muchos años, caminante viejo
    que no cortas las flores del camino.

    Tu corazón de sombra ¿acaso guarda
    el viejo aroma de mis viejos lirios?
    ¿Perfuman aún mis rosas la alba frente
    del hada de tu sueño adamantino?

    Respondí a la mañana:
    Sólo tienen cristal los sueños míos.
    Yo no conozco el hada de mis sueños;
    no sé si está mi corazón florido.

    Pero si aguardas la mañana pura
    que ha de romper el vaso cristalino,
    quizás el hada te dará tus rosas,
    mi corazón tus lirios.
    ------ António Machado

sábado, 26 de dezembro de 2009

Hic et ubique – aqui e em todo o lado...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

  • DESLUMBRAMENTOS

    Milady, é perigoso contemplá-la,
    Quando passa aromática e normal,
    Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
    Com seus gestos de neve e de metal.

    Sem que isso a desgoste ou desenfade,
    Quantas vezes, seguindo-lhe as passadas,
    Eu vejo-a, com real solenidade,
    Ir impondo toilettes complicadas!...

    Em si tudo me atrai como um tesouro:
    O seu ar pensativo e senhoril,
    A sua voz que tem um timbre de ouro
    E o seu nevado e lúcido perfil!

    Ah! Como me estonteia e me fascina...
    E é, na graça distinta do seu porte,
    Como a Moda supérflua e feminina,
    E tão alta e serena como a Morte!...

    Eu ontem encontrei-a, quando vinha,
    Britânica, e fazendo-me assombrar;
    Grande dama fatal, sempre sozinha,
    E com firmeza e música no andar!

    O seu olhar possui, num jogo ardente,
    Um arcanjo e um demónio a iluminá-lo;
    Como um florete, fere agudamente,
    E afaga como o pêlo dum regalo!

    Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
    E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
    O modo diplomático e orgulhoso
    Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

    E enfim prossiga altiva como a Fama,
    Sem sorrisos, dramática, cortante;
    Que eu procuro fundir na minha chama
    Seu ermo coração, como um brilhante.

    Mas cuidado, milady, não se afoite,
    Que hão de acabar os bárbaros reais;
    E os povos humilhados, pela noite,
    Para a vingança aguçam os punhais.

    E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
    Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
    Eu hei-de ver errar, alucinadas,
    E arrastando farrapos – as rainhas!
    ----- Cesário Verde
Imagem: Lola Luv

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

II

Já não serei feliz.
Talvez não importa.
Há muitas outras coisas neste mundo;
Um instante qualquer é mais profundo
e diverso do que o mar. A vida é curta
embora as horas sejam assim tão largas,
uma obscura maravilha nos achega,
a morte, esse outro mar, essa outra seta
que nos livra do sol, da lua
e do amor. A felicidade que me deste
se me tomastes deve ser apagada;
O que era tudo deve ser nada.
Só me resta o gozo de estar triste,
Este vão costume que me inclina
ao sul, para certa porta, para certa esquina.
---- Jorge Luis Borges

Imagem: Dante Gabriel Rossetti

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

  • XX

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

    O Tejo tem grandes navios
    E navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
    A memória das naus.

    O Tejo desce de Espanha
    E o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
    ----- O Guardador de Rebanhos - Fernando Pessoa,

    Imagem: A pesca do atum, Salvador Dali

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

  • Casta Diva, Maria Callas

Selma Hayek

MOMENT(O) ERÓTICO

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

  • O BELO
«Por delicadeza, pedi a minha vida», Rimbaud

Imagem: The descent of Ganga - Om Prakash Saini