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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

| A MARTURBAÇÃO E LEITURA DE CARNAVAL

É carnaval. Choveu imenso em Lisboa. Passei grande parte dia a escrever e a ler a tese de mestrado de Fazıla Derya Agiş (Fazıla Derya Agiş: A Comparative Cognitive Pragmatic Approach to the Judeo-Spanish and Turkish Proverbs and Idioms that Express Emotions, Ankara, 2007). Uma tese interessante, com metáforas e analogias deliciosas. A de Kövecses (idem, p.29) é particularmente esclarecedora: «Emotion is a fluid in a Container». Mais adiante, o autor diz «El amor es un leblebi, entra por la boka, sale por la nariz» (p.106) e, numa metáfora (¿?) existencial anota que «Love / affection begins with a kiss, and ends easily, if money lacks.» De um provérbio turco, em dois sentidos:
(Literal) «The nose does not fall from the face.
(Metaphorical) «A loved person can never be separated from her / his lover.»

Bem se poderia fazer alusão, neste plano, aos esquimós e — certamente — a juízos freudianos e ao «côcô polvo» mindelense. Mas a coisa pode ser bem mais simples, pois de e em metáforas e mitos vivemos. Tenho, muitas vezes, rido com a metáfora da masturbação intelectual que se usa na blogueria crioula. E resolvi, agora, deixar esta brincadeira de Carnaval, anunciando que os conteúdos para muitos considerados “adultos” e “eróticos” passaram a ser isso mesmo: “adultos”, “eróticos” e o que quiser chamar-lhes e estarão, doravante e para quem for adulto, aqui: cunnus. Ah, a tese de mestrado em causa tem muitas coisas que, claramente, estão presentes na sociedade cabo-verdiana. Será porque já fomos, também — como os lusos formais — espanhóis? Não sei, o que sei é que as mulheres masturbam-se mais do que os homens. Se tiver dúvida, pergunta e verá a surpresa que terá! E isto fica como expressão de liberdade e justificação da mudança. Afinal, como dizia Paulo, Libertas inaestimabilis res est. E assim morrem os momentos eróticos (que não artisticos, note-se!) por aqui...

Ah, para quem se interessar fica a hiperligação de download da tese de Fazıla Derya Agiş

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

| A IMPERFEIÇÃO DO HUMANO

As preocupações estéticas não são de hoje, são, na verdade, uma dimensão do mais humano que existe em nós. Os antigos egípcios, que no tempo de Amenofis IV (Akenaton) tinha uma dimensão realista da arte que influenciaria os conquistadores romanos de África, testemunham isso mesmo. O humano, nas suas dores, grandezas e vaidades é e sempre foi o mesmo. A natureza é assim mesmo — uma busca da perfeição perdida ou a busca da normalidade imposta pela sociedade? Será, provavelmente, uma e outra coisa.

Imagem: Prótese de um dedo de uma múmia do antigo Egipto.