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sábado, 6 de agosto de 2011

¿Quién me escucharía
entre las cohortes de ángeles, si grito?

--- Rainer María Rilke

segunda-feira, 16 de maio de 2011

  • V ESTAÇÃO - HUMANA CONDITIO
Há quem se lembre de rir e de chorar connosco, "antes do Vesúvio ejacular as chamas da eternidade em anónimos..."

Há coisas a que se não é obrigado, e por isso são belas; sublimes até. Gosto de falar, mas as palavras cansam-me... como se fossem o asno de Nietzsche, quase que o sendo. Quase… ao alcance da vontade, e da consciência: mudar o Mundo seria fácil, se pudesse mudar o coração de um único homem, se pudesse fazer os «imortais» perceberem que um pirilampo não é o Sol ou alimento, que ter dinheiro para uma cerveja não o mesmo que para o banquete de Henrique VIII.

Há estações em que as pessoas revelam-se belas. E depois… depois é sempre depois. Será por não fazer sentido haver uma VI Estação?

Imagem: Dora Maar, Man Ray

quinta-feira, 22 de julho de 2010

  • AS LIBELINHAS
A 18 de Dezembro de 2008 escrevia este post.

No outro dia falava com uma mui querida amiga sobre as libelinhas, as de Claúdio Augusto César. Hoje, lembrei-me deste post… é verdade: pode-se (deve-se!) semear outras coisas e o triunfo não deve ser do mal. Sim, tenho de concordar com Salomão, «o que estraga a vinha não são as raposas, são as raposinhas». Libelinhas, libelinhas… as libelinhas devem ser escutadas.

O mal é paciente; mas pode ser morto de fome, com arte.

Imagem: Jackson Pollock, sem título (c.1950)

terça-feira, 13 de julho de 2010

  • VOZES DE ATENTAR
Examinei primeiro os homens, e achei que nesta infinita diversidade de leis e de costumes eles não eram conduzidos somente por suas fantasias — Montesquieu.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

  • DESABAFO

Não dizer nada não quer dizer que nada tenho a dizer; quer dizer que podes não gostar de ouvir o tenho a dizer, e guardo silêncio.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

  • CAMIÑOS
Dios no mira cuáles son las obras sino únicamente cuáles son el amor y la devoción y la disposición de animo en las obras — Maister Eckhart.

segunda-feira, 29 de março de 2010


  • O DIÁLOGO, A NUVEM E O AMANHÃ QUE NÃO CANTA
A pobreza ou a origem social das pessoas não é, nunca foi, causa directa da criminalidade; ainda que, de certo modo, uma coisa acabe por potenciar outra em dadas circunstâncias — estas extraordinárias. Em circunstâncias de normalidade, a pobreza não serve de desculpa para as acções socialmente censuráveis. De forma alguma. As pessoas mais dignas que conheço e conheci ao longo da vida são ou eram pobres, mas pobres de coisas, nunca de alma. A verdade é que, do ponto de vista empírico, parece haver uma relação entre o bem-estar social e a alma das pessoas; e os pobres ganham nessa aferição entre o ter e o ser, pois parecem ser mais boas, puras e solidárias que os ditos «ricos» e «letrados».

Todos, de tempos em tempos, deveríamos nos despir de todos os bens materiais, como de pele material — como fazem alguns répteis ou fizeram Francisco de Assis e Tomás de Aquino —, para nos tornarmos mais humildes, menos ambiciosos de coisas e mais conscientes do que somos, do que nos rodeia e do outro. Um jejum de bens materiais ajudaria, certamente, muita da humanidade carnívora que nos rodeia a ser melhor do que é. No entanto, há que distinguir a pessoa em si e a sua situação — entender «o homem e a sua circunstância», como diria José Ortega y Gasset. E isso é uma tragédia que por vezes transborda para a sociedade, a mesma sociedade que por cegueira ou inabilidade não se constrói tendo em conta o seu fim último: bem-estar colectivo, para todos — pelo menos para a maioria, dentro da reserva do possível.

A culpa dos males sociais é, em larga medida, do todo e não do indivíduo que segue caminhos desviantes por imperativos de sobrevivência própria ou da sua família. Ao contrário do que muitos dizem por aí, não é o desenvolvimento que potencia o crescimento da criminalidade mas sim o contrário — a falta de desenvolvimento e a inerente falta de bem-estar, as necessidades fracturantes e desesperadoras emergentes da pobreza.

«A necessidade é inimigo da honra», ouvia em menino. Um santo pode, no limite, tornar-se um monstro a luz dos padrões morais dominantes. E da mesma forma como o mentir é — por vezes, e como bem ensina Kant — um dever, a verdade é que tenho dificuldade em censurar um pai ou uma mãe que se indignifica socialmente para suprir as necessidades da sua família. Mas será que se indignifica mesmo? O estado de necessidade diz-nos o que é o homem ou revela-nos o que deve ser o homem? Penso que, em dadas circunstâncias, é mais este do que aquele. É somente uma questão de perspectiva moral, análogo ao que Bertrand Russell demonstra sobre a nossa percepção das coisas em Os Problemas da Filosofia.

E é Bertrand Russell que nos diz que «Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três defeitos: é convencido, incerto e, em si mesmo, contraditório.» E, na verdade, conhecemos, assim, em parte — tomando emprestado uma expressão de S. Paulo — porque queremos saber o que nos é útil e não (i) o que as coisas são e (ii) muito menos movidos pelo amor ao saber ou ao outro. Esquecemos que, como diria Russell, que «toda aquisição de conhecimento é um alargamento do Eu […]». Perguntar às coisas e às situações, sejam elas quais forem, o que são e entendê-las na sua essência é o princípio do conhecimento. Isso quer dizer que devemos amar o objecto do nosso conhecimento, o que não quer dizer que ele — em si mesmo e por natureza — seja capaz de responder a todas as perguntas e de retribuir a afeição e dedicação inerentes ao processo de conhecer, mas que é um devir que nos levará ou contribuirá para o encontro da solução adequada, da escolha certa (em linguagem política).

Neste plano é que o diálogo é fundamental — não como meio ou fim mas como ponto de partida de um caminhar para um bem maior que é a compreensão do outro, das coisas e da realidade. O diálogo instrumental, deste modo, é, em si mesmo, uma contradição e, fatalmente — porque representa uma falácia —, leva a maiores males do que qualquer bem previsto por quem o utiliza. É que isso de ser-se ou querer ser-se cartesiano em política tem muito que se lhe diga. Assim como forçar a realidade para que se tome a nuvem por Juno pode até resultar, hoje. Mas o amanhã, se é verdade que não cantou até hoje, nunca se enganou.

Imagem: Sydnei (Júlio Santos)

quinta-feira, 11 de março de 2010

| O FRUTO DO TEMPO E MAIS

Parei o tempo, este que confino por momentos. Decidi escrever um poema, e acabei por escrever cinco. Revisitei os Sermões do Maister Eckhart, e parei. «Um homem pobre é aquele que não quer nada, que não sabe nada e não tem nada» — diz. Meditei um pouco. E dou por mim a pensar que a grandeza, a singularidade e a beleza do saber e de saber está no facto de que ele nos precede, e que nem será preciso pensar no a priori de Kant ou na mens divina de Cícero ou Aquino, basta olhar para o outro que está ao nosso lado, para o fruto do tempo em nós.

A douta ignorantia de Nicolau de Cusa tem, por vezes, um sentido espantosamente simples. E lá me vem à memória o dilema de Voltaire ao ver a Velha… a sua felicidade.

| O ARQUETISMO DAS COISAS

Nas letras de rosa está a rosa
E todo o Nilo na palavra Nilo.
----- in El Golem, Jorge Luis Borges
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Imagem: Jorge Luis Borges

sábado, 27 de fevereiro de 2010


O ESPELHO DE DORIAN GRAY PORTÁTIL

A superioridade moral das pessoas não se encontra no seu conhecimento e/ou nas funções que desempenham. Um espelho da nossa natureza, um Dorian Gray portátil, ajudaria a sermos mais humanos, mais capazes de sermos polícias e juízes de nós mesmos. A superioridade moral, porque é de dimensão objectiva e não subjectiva, está na bondade, na capacidade de descortinarmos — enquanto pessoas humanas e não meros homens ou mulheres, sementes e cultivadores da espécie —, o melhor do nosso semelhante, de não prejudicar o outro voluntariamente.

O Bem, a promoção da felicidade radical, é a manifestação do divino em nós. Um bom samaritano pára, faz o que deve fazer e segue caminho. Vai mas deixa a sombra e a manifestação do seu amor e da felicidade radical atrás de si. Dorian Gray e o Bom Samaritano… e chove para lá da minha janela. Uma multidão de poemas veio visitar-me.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

  • ESCRUTINIO
«Nunca mostre a um tolo um trabalho incompleto...», diz um ditado judaico. Pelo que — infere e diz-me o meu poeta — a um sábio nunca deverá ser entregue um trabalho completo. Quid veritas? Cá para mim é tudo uma questão de escrutínio, e a paciência é como a justiça divina. Ou será a justiça divina que é como a paciência? Quid veritas?

Imagem: Coroação — Caravaggio

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


ACREDITE APENAS

Acredite apenas no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Também não acredite no que seus olhos vêem e seus ouvidos
Ouvem!
Saiba também que não crer em algo significa algo crer!
------ Bertolt Brecht

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


  • OF WOLVES AND MEN
Isso dos lobos e dos cordeiros já chateia. O Primeiro Ministro José Maria Neves percebeu muito bem o que o Presidente do MPD, Carlos Veiga, quis dizer na Convenção do MPD. E se não percebeu, fico decepcionado, de todo. É que tenho-o como um homem inteligente, pelo que só posso concluir que não quis perceber ou procura uma justificação para fazer uma clivagem desnecessária entre os cabo-verdianos e imputar isso a Carlos Veiga. O que o líder do MPD disse não foi nenhum atentado à honra ou dignidade externa de ninguém. Agora, se o Primeiro Ministro insiste num desagravo é porque, ao nível interno se sentiu agravado. Quer isso dizer que é ou se sente um lobo? Para isso não tenho resposta, só perguntas.

O rei Leandro dizia que um grande general ou estratega deveria congregar as características do leão e do lobo. O maior elogio que conheço, até hoje, sobre Aníbal Barak era que ele tinha estas duas características, e talvez por isso mesmo foi grandioso e era denominado Barak, O luminoso. Este é um facto da ciência política, de conhecimento necessário. Ser lobo, quer no sentido naturalístico quer na perspectiva do darwinismo social, não é mau, pelo contrário – tem a dimensão de um elogio no plano político. É, mutantis mutandis, estar num patamar superior da cadeia alimentar em relação ao cordeiro. Este, em regra, se puro, era destinado ao sacrifício – como acontecia no lugar santíssimo do templo de Salomão; caso fosse falho de pureza era alimento de lobo e outras alimárias ou dos homens em dias normais ou de festa.

Carlos Veiga sabe que tem mais que fazer, e não se pode dar ao luxo de lutar contra o poder instituído e a inércia do poder com a mesma lógica usada por Jorge Santos, que caiu na armadilha de perder tempo com o acessório do mentiroso, do burro, da ladeira… e de fazer uma oposição ao reboque da Agenda do líder do PAICV e as acusações de ligação ao narcotráfico e questões quejandas. O Primeiro Ministro, para ser consequente com o que pede a Carlos Veiga, poderia começar por lavrar um pedido de desculpas sobre as acusações que fez ao MPD, no dia das últimas eleições legislativas. Estas sim, foram e são ofensivas. Ou tem as provas e as apresenta no local próprio, ou pede desculpas.

O país não pode nem deve viver num clima de crispação política desnecessária, e muito menos de suspeição. O Primeiro Ministro deve fazer o que o povo o autorizou a fazer ou conceder-lhe o presente mandato: governar o país. Carlos Veiga deve concentrar-se no seu papel – dirigir a oposição e fazer oposição. Uma oposição séria e intransigente na defesa dos interesses dos cabo-verdianos e da nação. A tarefa é árdua, mitologicamente árdua, com a ingenuidade que o grupo parlamentar revela em algumas matérias. Ontem, na Assembleia Nacional, o PM José Maria Neves – depois dos ministros conseguirem escapar à questão do financiamento do INPS à ELECTRA –, respondeu que o Governo sabia e autorizou o negócio. E disse isso no encerramento do debate! E o MPD já nada podia fazer para obter os esclarecimentos necessários – que o debate parlamentar não esclareceu – e que se impunham. Foi engenhoso, predatório até, neste aspecto e no de, ao que parece, apresentar soluções para tudo e mais alguma coisa.

A panaceia da governação parece que sai da cartola. Mas não sai. O mundo é mágico, mas não é de mágicos – muito menos na política. E como os lobos não deixam muitos cordeiros dormirem, e como muitos cordeiros não deixam muitos lobos dormirem; logo, lobos e cordeiros andam acordados, decidi editar em terra longe (depois, depois de lido este texto) a Epistola dedicatória de Thomas Hobbes ao Conde de Devonshire na Introdução da sua obra O Cidadão. Quando não se é ofensivo, o discurso político, quer retórico quer dialéctico, é uma mais-valia para os cidadãos. E se há coisa que não se pode pedir a um homem é que peça desculpas pelo seu pensamento. Só um homem não livre, agrilhoado nas suas convicções, moralmente cobarde e pusilânime de ser pede desculpas pelo seu pensamento. E somente uma sociedade ou uma ou uma autoridade autoritária pede aos seus cidadãos que se retractem do seu pensamento, que tenham vergonha de pensar e de dizer o que pensam – em particular no plano político.

Voltaire sintetiza esta ideia numa asserção: «posso não concordar com o que dizes, mas lutarei até a morte para teres o direito de dizer o que pensas.» resta, nesta ideia, a essência da liberdade de pensamento e de expressão inerente ao Estado de Direito Democrático, o princípio da liberdade política – a liberdade política e cidadã que teve início em 13 de Janeiro de 1991 e que o PAICV diz que começou com a revisão constitucional de 1990. Assenhora-se desta ideia de liberdade, mas o seu líder tem um discurso que contraria esta ideia de liberdade e pluralismo discursivo. Quem age assim está aquém dos parâmetros valorativos de uma sociedade enformada pelo Estado de Direito Democrático – é um predador do pensamento do seu semelhante, um lobo da liberdade do outro. Não sei se Carlos Veiga, Presidente do MPD, pensa assim, mas eu, como cidadão, penso!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

  • O MEU POETA

Porque a ONU não torna o Haiti um Protectorado sob a sua égide ou de um Estado probo e capaz? — pergunta-me o meu poeta.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

  • A PARÁBOLA DO EDIFICADOR

Que se pode dizer perante cem mil mortos, ceifados por uma esgar da natureza?

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Cem mil dores multiplicados por pai, mãe, irmãos, cônjuges, amantes, amigos, companheiros e colegas sinceros… tudo isso deve servir para alguma coisa. Nós, os de ilhas vulcânicas e os que vivemos em cidades de perigo sísmico como Lisboa, devemos aproveitar este momento para ser mais solidários e pensar que, no que diz respeito a terramotos e maremotos, temos as nossas casas assentes sobre a areia

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E Cabo Verde, como Portugal, nomeadamente Lisboa, não está preparado para uma desgraça como a que se abateu sobre o Haiti. Estamos preparados, minimamente, para uma catástrofe desta magnitude ou análoga? A resposta é não! O mínimo seria, é, ensinar as populações o ABC dos procedimentos individuais e familiares em casa de catástrofes naturais, porque de meios estamos mais do que pobres, totalmente despidos. Queixamo-nos das nossas desgraças? Se nos acontecesse o mesmo que o Haiti, estriamos pior do que aquilo que presenciamos: uma sociedade desmontada como um brinquedo. A parábola do semeador, sim. Ler a Bíblia é útil, nem que seja para se ser um pouco animista, nem que seja para se ter consciência do que é planeamento e amanhã.

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Imagem: O horror haitiano...

  • VANITAS VANITATIS

Dizia, o sábio Coélet, filho de David e rei em Jerusalém, a cidade santa (Eclesiastes, I.1-8, 19):

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«Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar;

tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;

tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora;

tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;

tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

[...]

Pois o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos brutos; uma e a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro; todos têm o mesmo fôlego; e o homem não tem vantagem sobre os brutos; porque tudo é vaidade.»


E se tentássemos, ao menos, ser bons? Morrer não custa, viver sim.


Encontrei-me com o Vadú no Café Mindelo, na Rua de Portas de Santo Antão em Lisboa. Era fim de verão. Conversamos um pouco, na companhia de amigos comuns; e bebemos não me lembro o quê. Tinha pressa, tinha de ir escolher uma roupa para um show, e não sabia o que escolher. Pediu ajuda a uma amiga. Ela acedeu. Eu fiquei, a beber não sei o quê. E lá seguiu o Vadú, com ar de artista que vai indo, devagar, na pressa de desaparecer. E foi.


Imagem: Vadú, num espectáculo algures em Cabo Verde.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

  • Ictus ionam, o Oráculo presidencial?

  • O MEU POETA

O segredo para se conhecer as pessoas é nunca perguntar-lhes o que não sabes mas descobrir como respondem ao que sabes — diz o meu poeta.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

  • TÊTÊIA

Rapazes da "Estrela da Marinha"

Se vocês ainda se lembram de Têtêia

Aquela desaforada

Filha d'Antónha que vendia cuscuz

Na Porta de Madêral

E de nhô Piduca

Que era catraieiro

—Venham comigo!

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Rapazes da "Estrela da Marinha"

Se vocês ainda se lembram de Têtêia

Bonitona e desaforada

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Que dava que falar pelo Carnaval

Porque além de bonitona e desaforada

Era luxénta e dançadêra

—Venham comigo!

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Rapazes da "Estrela da Marinha"

Se vocês ainda se lembram de Têtêia

Que fez filho com Léla de Bia de Jonzóna

Que fugiu para a Venezuela

—Venham comigo!

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Venham comigo

E vamos bradar junto a praia

(Inconsoladamente — como meninos!...)

Que nao vendemos Têtêia...

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Vamos levar todas as nossas lágrimas ao mar

Para que as roças nos devolvam Têtêia.

----- Onésimo Silveira

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Imagem: O casamento ideal, segundo Marco Aurélio Antonino...

domingo, 27 de dezembro de 2009

*
¡Es manãna!
¿Hoy es Mañana?
Niño azul, no existe luz si no es la luz que emerge de las tinieblas.
Y yo soy el hombre negro, la luz
el hogar natural de Dios.

Imagem: Chema Madoz