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terça-feira, 2 de novembro de 2010

  •  O «DILEMA DA VELHA» DE VOLTAIRE
«Portanto, ficai certos de que, assim como não há maior estupidez do que querer passar por sábio fora do tempo, assim também não há nada mais ridículo e imprudente do que uma prudência mal compreendida e inoportuna. Na verdade, nós nos enganamos redondamente quando queremos distinguir-nos no género humano, recusando-nos a nos adaptar aos tempos. Nunca se deveria esquecer esta lei que os gregos estabeleceram para os seus banquetes: Bebei e ide-vos embora. O contrário seria pretender que a comédia deixasse de ser comédia. Além disso, se a natureza vos fez homens, a verdadeira prudência exige que não vos eleveis acima da condição humana. Em poucas palavras, de duas e uma: ou dissimular intencionalmente com os seus semelhantes, ou correr ingenuamente o risco de se enganar com eles. E não será esta — indagam os sábios — outra espécie de loucura? — Quem o nega? Que me concedam, porém, que é essa a única maneira de cada qual fazer a sua pessoa aparecer na comédia do mundo.»
---------- In Elogio da Loucura, Erasmo de Roterdão

Imagem: Mckenzee Miles

quinta-feira, 8 de julho de 2010

El poeta es un pequeño Dios - Vicente Huidobro.

quinta-feira, 4 de março de 2010

| O ÂNGULO

       Aconteceu que uma vez o Rabi Eliezer, filho do Rabi Shimon, encontrou por acaso um homem que era extremamente feio... e disse:
       — Como é feio este homem!...
       O homem então replicou:
       — Vá e diga ao artesão que me criou: «Como é feio este veículo que você fez!» (Talmud, XX).
----- Imagem: Milo Manara

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

| O MEU POETA

Onde andam os Vespasianos para deles dizermos, como Suetónio: Amor ac deliciae generis humani? – pergunta-me o meu poeta.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

  • LIVROS QUE MERECEM MAIS DO QUE SER LIDOS…
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    El Amor, las Mujeres y la Muerte, Schopenhauer
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    Imagem: Kinder Jean Louis Gieg

domingo, 4 de outubro de 2009

  • OLHAI AS BARATAS…

Recebi um e-mail sobre a Lua. Tem imagens belíssimas, e vinha acompanhado da Moonlight Sonata (Sonata para Piano Nº. 14, primeiro movimento), de Beethoven. Entre as imagens, encontrei uma que levaria qualquer pessoa que nunca se tenha debruçado sobre o transpersonalismo, o antropomorfismo e interiorizado uma dignidade mais alargada do que a humana a pensar:

Até a baratas gostam de namorar ao luar…

Mas e se pensássemos que, degradando o «até», existe mais no mistério da vida do que aquilo que pensamos ser o Mundo que dominamos e, como uma praga ou um vírus letal, vamos destruindo? O certo é que se de repente explodissem umas tantas bombas nucleares, não veríamos a Lua, nem nós nem as baratas; mas elas continuariam a ter uma vantagem: sobreviveriam.

E se deixássemos de ser arrogantes, de ver o Mundo e os outros como se fôssemos anões morais? Não seria melhor se víssemos o Mundo, a nossa cidade, a nossa ilha, o nosso bairro e, acima de todo, o outro e a natureza como espaços de interdependência, de construção de uma humanidade melhor? Será que, ainda, somos capazes de nos abraçarmos de forma fraterna e, juntos, olharmos a Lua e desfolhar luz nos horizontes que ansiamos? Como dizia o Nazareno, «olhai os lírios do campo…» (ou será, como dizia Salomão, olhar os «caminhos da formiga» ou da barata, como te digo agora?) e sê sábio. Eu, cá vou tentando…
Obrigado, Gladstone…

terça-feira, 29 de setembro de 2009

  • MANUEL DE NOVAS: O TRIUNFO FINAL

    Se a Pipa é a alma da China tradicional, o Enka representa o espírito do Japão que emergiu das raias do feudalismo para a modernidade, o Fado o espírito do Portugal migrante ou Leonard Cohen o paradigma dos trovadores do século XX, Manuel de Novas é, para Cabo Verde, um dos cultores maiores da nossa alma migrante, a que jaz na expressão da nossa natureza diasporizada e imposta pelo confinamento ilhéu e que se revela na dimensão poética do nosso povo, em particular na Morna. E neste aspecto, Manuel de Novas é, sem favor, um dos cimentadores da nossa nacionalidade, da nossa identidade cultural e uma das expressões maiores do wit Mindelense. O Mundo, é assim: vai parindo e tragando todos. Petrarca, no seu belíssimo poema Triunfo da Morte, adverte da evidência esquecida:

    Ó cegos que aproveita o afadigar?
    Que logo vos tornais à madre antiga,
    E muito pouco o vosso nome há-de durar.


    O nome de Manuel de Novas, durará. Pois emprestou ao Mundo, em particular ao universo crioulo, um legado de beleza que perdurará para lá da memória dos meros mortais. Viu-nos, e a nossa condição, com olhos de beleza da arte. Esta é a condição do poeta, a que o desiguala de forma mais evidente dos demais homens: ao se tornaram iguais pelo nivelamento final da natureza, concede a alguns a felicidade ausente de viverem para sempre. Por essa razão o passamento dos poetas para a maior aventura não se chora, pois celebra-se um novo nascimento. In divus relatus est, Manuel de Novas.
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Imagem: Jean Louis Grig — Fécondités

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Por vezes, pergunto-me como será estar a beber vinho novo com Horácio, Seferis e Alexander Pope; estar sentado à sombra de mil luas com Dulce Maria Loynaz del Castillo com um puro ainda virgem e um rum selvagem… como será levar um pouco de humanidade a Shamayim. Neste aspecto, Kierkegaard está errado, hoje.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

  • EROTIC MOMENT...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

  • ORAÇÃO
Ah, Deus! como adoraria ver a minha terra sempre assim… — ouvi o meu poeta murmurar.

Imagens: Santo Antão depois da Chuva

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

  • CONTRADIÇÃO
A chuva deveria ser, sempre, uma mais-valia e um prazer para o país, não é?… No Mindelo, por exemplo, as culpas das inundações são todas do Governo de José Maria Neves, segundo dizia António Monteiro (líder da UCID) ontem a noite na RCV. Pois é: o actual Primeiro Ministro é quem governa o país desde a Independência.
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É culpado, sim, de não resolver novos problemas — como as consequências das alterações climáticas na nossa estrutura geográfica, e não é somente uma questão de se respeitar a natureza e as linhas de água naturais ou de se fazer mais e melhores esgotos. É muito mais do que isso, e não é tarefa exclusiva do Governo e das autarquias locais mas de todos. Até a melhor das coisas pode se tornar num pesadelo, como a chuva numa terra seca e que ora a Deus por ela. E não vale a pena procurar culpados, pois isso levar-nos-ia longe.
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Imagem: Angelina Jolie

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

  • MOMENTO ERÓTICO...

  • OS INCENDIÁRIOS SUBTERRANEOS

O mundo está cheio de incendiários; nascem de todo o lado – como dizia Aristóteles. E parece ter razão, assim como o Juízo do judeu português que todos dizem de Amesterdão. Coisa análoga — além da falta de jeito político de Manuela Ferreira Leite — voa por aí, assim como a ASAE que mandou fechar a «Sopa dos Pobres» de Faro, a modos de dizer: «tudo fecha neste mundo»; e é verdade, menos a falta de tino (há coisas que não são de moda nem de modismos). Ai!, os universos são o que são. Suum cuique tribuere — gritaria Ulpiano. A vida não tem pressa, não tem não.

Acho que, hoje, antes de dormir, vou ler um pouco de Water Margin de Shi Naian; tem belas lições. Os incendiários estão no underground do verbo de confraria. Li há pouco — antes escrever o meu poema diário — numa das minhas bíblias pagãs e atentei neste espanto: «Que feliz seria o género humano se o amor que governa os céus governasse também os corações!» (Boechio, De Consolatione Philosophiae, II, metro oitavo, Buenos Aires, 1995, p.54). Pois é, mas ignoti nulla cupido.

domingo, 30 de agosto de 2009

Connatus essendi

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

  • O MEU POETA
Não aparento aquilo que sou; sou muito mais do que aquilo que aparento — diz-me o meu poeta.

Imagem: Zamia Cunaria Ovulate Strobilus, New York Botanical Garden, New York, USA

sexta-feira, 12 de junho de 2009

  • MARAVILHAS
Como dá para perceber Akenaton…

Imagem: Nascer do Sol sob as pirâmide em Gizé

domingo, 3 de maio de 2009

  • A ORIGEM DAS COISAS…
Domingo... Que contradição! É quando o pecador se sente mais livre.
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Quererá isso dizer algo mais do que a evidência? Talvez, mas o melhor é tentar descobrir. Comei e bebei, que amanhã poderás estar morto – é um santo conselho, se o se de não ter havido um dado Domingo fosse verdade. Noé bebeu vinho tinto. Deveria ser inverno quando eu, negro, nas minhas raízes, nasci. Não falo a língua dos anjos, não – o Pentecostes não passa por mim nestes dias.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

  • OS MESMOS DE SEMPRE?
Barack Obama descobriu, ao visitar a Turquia, que a sua popularidade não é universal. Terá sido a primeira manifestação anti-Obama, o yankee? Não creio que tenha a ver com ele, mas pelo que representa: Os EUA, the greath mother of capitalism e a NATO. Tem graça… ver que o Mundo ainda está colorido… saber que os amanhãs que cantam ainda levam jovens às ruas.

– Mas, VB, saberão, verdadeiramente, ao que vão? – pergunta-me o meu poeta...
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Imagem: Manifestantes anti-americanos na Turquia

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

EL ARTE, Théophile Gautier

Sí, es más bella la obra trabajada
con formas más rebeldes, como el verso,
o el ónice o el mármol o el esmalte.

¡Huyamos de postizas sujeciones!
Pero acuérdate, oh Musa, de calzar,
un estrecho coturno que te apriete.

Rehúye siempre cualquier ritmo cómodo
como un zapato demasiado grande
en el que todo pie puede meterse.

Y tú, escultor, rechaza la blandura
del barro al que el pulgar puede dar forma,
mientras la inspiración flota lejana;

es mejor que te midas con carrara
o con el paros duro y exigente,
que custodian los más puros contornos;

o pídele quizá a Siracusa
su bronce en que resalta firmemente
el rasgo más altivo y delicioso;

con la delicadeza de tu mano
descubre dibujando en una veta
de ágata el perfil del dios Apolo.

Huye, pintor, de la acuarela y fija
el color demasiado desvaído
en el horno de los esmaltadores.

Haz que sean azules las sirenas
y retuerzan de cien modos distintos
los heráldicos monstruos sus figuras;

en el lóbulo triple de su nimbo,
la Virgen con el Niño, en cuya mano
hay la esfera con una cruz encima.

Todo pasa. Tan sólo el arte fuerte
posee la eternidad. Únicamente
el busto sobrevive a la ciudad.

Y la moneda rústica y austera
que un labriego ha encontrado bajo tierra,
recuerda que existió un emperador.

Hasta los mismos dioses al fin mueren.
Mas los versos perfectos permanecen
y duran más que imágenes de bronce.

Artista, esculpe, lima o bien cincela;
que se selle tu sueño fluctuante
en el bloque que opone resistencia.

  • Imagem: Verónica Zemanova

terça-feira, 4 de novembro de 2008

– Mas porquê, VB, essa fixação com a ELECTRA? – pergunta-me o meu poeta.
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Ah, coitado do meu poeta! Não bebe, não toma banho... e adora noites escuras para namorar as estrelas. Se calhar até é do Amarante e não sente saudades de d´corré p´Vascôna p´panhâ âga frisquim d´mundo. Irra... que o gajo é chato!
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Não, se calhar anda como a Joshua e el k´ti t´panhâ mesme nada; sim, el ti t´panhâ bidion...
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  • Imagem: Carmen Electra