sábado, 31 de Dezembro de 2011

  • COMPREENDER O MUNDO
Ah! – exclama o meu poeta –. «Como compreender o Mundo?» – pergunta-se. Que estupidez! É uma perda de tempo, a pergunta e qualquer tentativa de compreender o Mundo a não ser o compreender o Mundo em si. É demasiado grande, maior que o Universo pois está mais perto e tem o que o Universo exterior não prova ter: a espécie humana; e nós mesmos, o germe da transcendência de tudo que vamos marcando nos nossos dias sobre a terra. A pégada existencial é única, singular; de génio ou genética – mesmo de brutalidade, somos seres recicláveis. Eu sei, o meu poeta também.

O diário sem data do meu poeta é feito de poesia, a única matéria real e bela do Mundo; tudo o mais é putrefacta coisa por natureza. (Virgílio, Petrarca e Pushkin sobreviveram à carne.) E, se pensares bem verás… que até o Amor, o aio de todas as ilusões, também se corrompe e, mais dia menos dia cheira mal ou traz-nos dores horriveis; de parto ou de saudade. O verbo que cria o Mundo, esse fica na forma, e na essência de tudo o que toca. Se queremos entender o Mundo, temos de ter consciência de que Deus é poesia, como Lucífer é luz e que tudo tende para ele. Melhor, como és e pensas ser a melhor pessoa do Mundo hás-de chegar a pus caramelizado, ao topo da Montanha de carne.

Assim, vou tentar compreender-te; até ser poema, e luz. Uma espécie de luz; que chega.

Imagem: Shell -- Uriy Kakichev

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