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sábado, 31 de dezembro de 2011

  • COMPREENDER O MUNDO
Ah! – exclama o meu poeta –. «Como compreender o Mundo?» – pergunta-se. Que estupidez! É uma perda de tempo, a pergunta e qualquer tentativa de compreender o Mundo a não ser o compreender o Mundo em si. É demasiado grande, maior que o Universo pois está mais perto e tem o que o Universo exterior não prova ter: a espécie humana; e nós mesmos, o germe da transcendência de tudo que vamos marcando nos nossos dias sobre a terra. A pégada existencial é única, singular; de génio ou genética – mesmo de brutalidade, somos seres recicláveis. Eu sei, o meu poeta também.

O diário sem data do meu poeta é feito de poesia, a única matéria real e bela do Mundo; tudo o mais é putrefacta coisa por natureza. (Virgílio, Petrarca e Pushkin sobreviveram à carne.) E, se pensares bem verás… que até o Amor, o aio de todas as ilusões, também se corrompe e, mais dia menos dia cheira mal ou traz-nos dores horriveis; de parto ou de saudade. O verbo que cria o Mundo, esse fica na forma, e na essência de tudo o que toca. Se queremos entender o Mundo, temos de ter consciência de que Deus é poesia, como Lucífer é luz e que tudo tende para ele. Melhor, como és e pensas ser a melhor pessoa do Mundo hás-de chegar a pus caramelizado, ao topo da Montanha de carne.

Assim, vou tentar compreender-te; até ser poema, e luz. Uma espécie de luz; que chega.

Imagem: Shell -- Uriy Kakichev

sábado, 24 de setembro de 2011

 
ESTELA CANTO E FELICIDADE

Redoma do meu umbigo,
primeiro útero
e mãe.

Lembras-me Estela Canto
nas penumbras tardes de Buenos Aires
à beira do café
com o tango dançando nos coretos
teus lábios de quinta-essência curva
e sorriso prenhe.

Confesso: lembras-me
porque me dói a alma,
todos os homens teus têm duas mães,
gemem quando amam
e procuram por ti sem saberem
– na verdade dizem-se ditames de dias novos
em corpo-longe.

Sim. Ah, sim. Lembras-me
que sou petros in natura
ansiando de trágico o teu riso em noite escura
apagada dentro de luz
em todas as auroras dos gemidos
que ficam nas sombras dos dias…

Sim, lembras-me Estela Canto,
as dores de parto letrino e de dentes
do poeta
e todos os anseios de amanhã
consumindo anos de mar refinado
para perceber de Deus em ti obra
e beijo que podem ser melhoradas…

Lembras-te de me lembrar,
ainda menino,
que posso ser melhorado?...
Recordo-me – expeliste-me de ti…

Lembras-me Estela Canto,
uma parte de Adão em Buenos Aires,
recortando sentidos,
apagando alma de amores,
criando caminhos do belo nas rasuras,
parindo luz numa íris cansada…

Será que sabia que daí chegava a ti
– ao teu Porto Novo e ao teu Fogo –
milho vermelho para construir seiva
para me gerar?

Lembras-me Estela Canto
pois nasci em ti, que foste apagando
o verde e dás sentido ao belo
mesmo nas noites escuras
e no medo cansado que espreita na voz
residente no teu ventre que também balbucia
como o poeta chorou em Genebra
e Buenos Aires quando eu nasci: Ya no seré feliz.
O que não sabe, é que é feliz!
Em ti…
---- Virgílio Brandão

terça-feira, 19 de julho de 2011

DESCARADAMENTE ALELUIA

Tenho fome, de ti.
Trazes-me a madrugada devoluta
como o pão do Sudão;
acaricias-me o estomâgo saliente
e vazio, vazio de carnes em que se tornou
a minha alma corrupta de sonhos,
ostra putrefacta, coisa nua
sem ti para me ruminar nos céus gemidos.
Os homens são maus, eu sei!...
Tu és o seu espelho negro, e te amo
furação de horas longas.
O vento, antes de calar-se de orgasmos,
sussurou-me o seu nome além.
Na esquina das Aleluias
deu-me o seu segredo: o oriente
e o teu manjar.
Era, assim menino, como o poeta
que sonhava resgatar pão quente da terra
gentia e lágrimas doces e felizes dos corações...
...mas os corações são pássaros,
e pássaros não choram, nem pelos sonhos
como tu.
---- 19-07-2011
Virgílio Brandão

sábado, 2 de julho de 2011

  • O MEU POETA E A MEMÓRIA  
A falta de memória e a ingratidão, são dos maiores defeitos da humanidade – diz o meu poeta.

  • O MEU POETA E A MENTIRA
Quando um homem mente... mata uma parte do Mundo, a mais nobre – diz-me o meu poeta.

Imagem: Abduction of Psyche – Bouguereau

sábado, 18 de junho de 2011

  • EU E O MEU POETA

Deveríamos ser capazes, todos, de ver um pouco mais além – diz-me o meu poeta.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010


  • YO Y MI POETA

El amor es la mayor manifestación del espíritu, y lo sabe Dios – digo a mi poeta.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

  • THE PAST AND MY POET
I wake up... and my mind is full of His wisdom, with knowledge of another time, a far, far away world. My poet is still in Morpheus arms. I never told him that the World is far more than we see and think, that people’s actions do not have only natural causes. I have to talk with my poet… to remind him, as Derek Prince used to say, that «God does not scratch and itching intellect, He satisfies a hungry heart». And He surely does!

Image: Christus – Albrecht Durer.