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segunda-feira, 2 de maio de 2011

  • AS VIRGENS DE O
Alguns Media ficaram tão felizes com a morte de Osama Bin Laden que, por erro, anunciaram que «Obama has been shot». (A Globonews anunciou, sem mais, a morte de Obama; mas era, na verdade, uma Páscoa serôdia.) O Presidente Obama estava política e tecnicamente morto por suicídio induzido... mas a morte de Osama Bin Laden ressuscitou-o! Michelle Obama, John McCain e o meu poeta e tutti quanti pensarão: «Deus! O que 72 virgens não são capazes de fazer...»

Tristes dias, estes em que comemora-se a morte de um ser humano, e, o que é pior, existem razões de ordem da racionalidade prática para sustentar esta aleivosia contra a humanidade em e por si mesma. O que é trágico... ou será que é somente a manifestação do que poucos são capazes de ver e de sentir? Sim, será que o sentimento trágico da vida está a democratizar-se e a globalizar-se? Anuncia-se a morte dos poetas e dos sonhos, e o Ragnarök é inevitável.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

  • ADEODATUS XXVII

Porque gritam os poetas
de pena resgatando as essências
e as lágrimas das mães de todos os Maios
se o bardo maior está silencioso
nas bandas do norte?

Nasci, e sonhava-me pescador.

Rasgado como bordas de rios broncos
tinha, antes de não ter-te,
todos os lugares de oiro de Almahumana
dançando ferida nas covas de Filipos,
o lugar da espera inesperada.

E do sul tenho tudo;
Céu que deixei de orelha furada
e oriente ventral,
o despertar do Ragnarök
que é onde estás à espera, paciente
como a terra verme.
---- Virgílio Brandão
Lisboa, 19-08-2011

Imagem: El abrazo de amor de El universo, la tierra - Frida Khalo