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sábado, 5 de setembro de 2009

  • ÁNGELES DE SWEDENBORG
Durante los últimos veinticinco años de su estudiosa vida, el eminente hombre de ciência y filósofo Emmanuel Swedenborg (1688-1772) fijó su residencia en Londres. Como los ingleses son taciturnos, dio en el hábito cotidiano de conversar con demonios y ángeles. El Señor le permitió visitar las regiones ultraterrenas y departir con sus habitantes. Cristo había dicho que las almas, para entrar en el cielo, deben ser justas; Swedenborg añadió que deben ser inteligentes; Blake estipularía después que fueran artísticas.

Los Ángeles de Swedenborg son las almas que han elegido el Cielo. Pueden prescindir de palabras; basta que un Ángel piense en otro para tenerlo junto a él. Dos personas que se han querido en la tierra forman un solo Ángel. Su mundo está regido por el amor; cada Ángel es un Cielo. Su forma es la de un ser humano perfecto; la del Cielo lo es asimismo. Los Ángeles pueden mirar al norte, al sur, al este o al oeste; siempre verán a Dios cara a cara.
Son ante todo teólogos; su deleite mayor es la plegaria y la discusión de problemas espirituales.

Las cosas de la tierra son símbolos de las cosas del Cielo. El sol corresponde a la divinidad. En el Cielo no existe tiempo; las apariencias de las cosas cambian según los estados de ánimo. Los trajes de los Ángeles resplandecen según su inteligencia.

En el Cielo los ricos siguen siendo más ricos que los pobres, ya que están habituados a la riqueza. En el Cielo, los objetos, los muebles y las ciudades son mas concretos y complejos que los de nuestra tierra; los colores, más variados y vívidos. Los Ángeles de origen inglês propenden a la política; los judíos, al comercio de alhajas; los alemanes llevan libros que consultan antes de contestar. Como los musulmanes están acostumbrados a la veneración de Mahoma, Dios los ha provisto de un Ángel que simula ser el Profeta.

Los pobres de espíritu y los ascetas están excluidos de los goces del Paraíso porque no los comprenderían. in Jorge Luis Borges, El libro se los seres imaginarios
  • Imagem: H. R.Giger

domingo, 9 de novembro de 2008

  • OS EQUIVOCOS DA VERDADE

Há alguns anos havia em Portugal um modismo linguístico em que as pessoas, por tudo e por nada, perguntavam – «qual é a tua, ó meu?». Coisas próprias da terra... Acontecem ciclicamente este tipo de fenómenos sociais.

Um jovem crioulo chegou a Lisboa nessa época, cheio de sonhos e espantado pelo novo mundo que se lhe apresentava. A ilha saudosa era o seu lugar extraordinário e a terra nova uma realidade estranha para si, mas depressa se ambientou. Conheceu duas mandronguinhas; belas, encantadoras e atrevidas constituíam novidades absolutas para ele. Ficou perdido de amores por elas – era mesmo um mundo novo... – e não conseguia decidir-se qual era a mais bela ou interessante. Não se decidiu.

Ficou durante uma temporada a namoriscar em segredo com uma e com outra. Um dia, na véspera de viajar para a cidade onde iria residir e que ficava uns bons quilómetros fora de Lisboa, estava a jogar às cartas com as duas amigas e a verdade realizou-se.

Sentados na cama de uma delas, o criolinho estava feliz. De repente uma delas, impetuosa e sentindo as saudades antecipadas, abraçou-o e ele fez o mesmo, sob o olhar furioso mas de acção contida da outra.

Passado um pouco, esta outra não resistiu aos instintos e, também, abraçou-o carinhosamente. A primeira das meninas, com sangue quente e visceral ciúme, deu-lhe um empurrão e disse-lhe:

– Qual é a tua, ó meu!?

O criolinho, desconhecendo essa prática linguística do país, respondeu com toda a sinceridade de alma e encolhendo os ombros, rendido à realidade:

– As duas!...

Desataram-se todos a rir, alegres com o espírito do criolinho e continuaram o jogo; sem mais. Só algum tempo depois é que o criolinho teve consciência do que acontecera e elas – quando, alguns anos depois, confessaram uma à outra as suas façanhas com o pretinho – descobriram que a verdade é uma coisa terrível.

  • Imagem: Olaudah Equiano