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sábado, 2 de outubro de 2010

  • O UNIVERSO DE HUXLEY E CAIM
Um universo de momentos
renasce no teu rosto recriado nos ventos
remansos da memória,
esta fraterna vontade de ser só.

Um nome, ó Deus? Que importa
um nome se a essência do ser-se ilha será
a companhia do desejo manancial
que ciúma o monte que se funda no rio
sonhando-te flor de gerações
e erva aromática de uma vida no cepo?

Olha: do outro lado do espelho
está o universo que absorve os teus encantos,
a vaidade de ferro no inverno,
a espada una de cem mil homens de Sun Tzu,
o diamante envergonhado das Lundas
e todos os mandamentos da física e de Deus.
Aí está Frei Celestino e Francesco Graziano,
Matteo da Orio e Giulio da Salò
testemunhando a maior verdade deste universo:
o mundo venal caindo sobre Giordano
e não eras tu o sofredor, não…
Sou eu através do espelho, amanhã.

E quando chegarem os bárbaros,
os bárbaros Cains de hoje!
sei que terei saudades de não ter o amor de Rûmî,
Al-Hallâj e Swedenborg a vestirem as tardes
da palavra secreta que gerou mil mundos
e é Hela, a grande amante que trazemos no peito ao nascer.
------ 02-10-2010
Virgílio Brandão

Imagem: Símbolo da Inquisição

terça-feira, 21 de setembro de 2010

  • ESCOLHAS...
«[…] Tudo considerado, a Utopia parece estar muito mais perto de nós do que qualquer pessoa, apenas quinze anos atrás, poderia imaginar. Nessa época, eu a projectei para daqui a seiscentos anos. Hoje parece perfeitamente possível que o horror esteja entre nós dentro de um único século. Isto é, se nos abstivermos de nos fazer saltar pelos ares em pedaços antes disso.

Na verdade, a menos que prefiramos a descentralização e o emprego da ciência aplicada, não como o fim a que os seres humanos deverão servir de meios, mas como o meio de produzir uma raça de indivíduos livres, teremos apenas duas alternativas: ou diversos totalitarismos nacionais militarizados, tendo como raiz o terror da bomba atómica e como consequência a destruição da civilização (ou, no caso de guerras limitadas, a perpetuação do militarismo); ou então um totalitarismo supranacional suscitado pelo caos social resultante do progresso tecnológico, e em particular da energia atómica, totalitarismo esse que se transformará, ante a necessidade de eficiência e estabilidade, na tirania assistencial da Utopia. É escolher.» in Aldous Huxley, [prefácio de] Admirável Mundo Novo (1946)

Imagem: Os Barulhos da Cidade Invadem a Casa — Umberto Boccioni (1911)