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terça-feira, 12 de abril de 2011

  • EU E O MEU POETA
Anotava ao meu poeta:

Dizia o sábio Shi Nai Na: «Não desprezes a cobra por não ter asas, porque quem é capaz de dizer se um dia não se tornará num dragão?» pois é… por isso e mais que amo as mais evidentes das palavras sábias de Coélet. Tomás de Aquino ou Espinosa? Who cares? para nos preocuparmos precisamos de saber... e ser. E ambas as coisas são demasiado difíceis para a antecâmara da podridão, para quem espalha; junta só conhecem, estes, as de bois. .

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

  • VANITAS VANITATUM
Começo do dia a pensar na morte, na sua inevitabilidade. Faz tanto sentido o connatus essendi… ou será que Kierkegaard e o Capitão Gancho têm razão? A final, neste aspecto, concordo com a evidência na voz de Christopher Hitchens: estamos a morrer, todos. E temos a ilusão de que vivemos, mas não; a cada momento consumimos a chama da vida. «Estou a viver» – dizemos. Mas não; não estamos a viver, estamos a morrer, lentamente. Somos o cancro do tempo que a eternidade nos empresta, como os talentos do Nazareno. E a única salvação é a apocatastasis singular do connatus essendi, o chegarmos para sermos eternos, transcendermos o nosso transporte…

Vanitas vanitatum omnia vanitas… o absurdo de Coélet ou a tragédia de Unanumo, tudo se resume à mesma essência, à mesma condição e situação de fragilidade perante o Devir — necessariamente Deus, "o que está acima de toda a mente e de toda a inteligência", nas palavras de Dionísio Aeropagita. E não é que os animais têm uma vantagem sobre parte considerável da humanidade? Enganam, mas não mentem. E mentir é roubar sentido à eternidade. A eternidade acabará por diferenciar-nos uns dos outros – e é trágico, (não) ter-se consciência disso. Mas isso diferencia, e é uma consolação possível. E Boechio concordaria comigo, hoje.

Imagem: Au-dessus du Monde, Vladimir Kush

terça-feira, 27 de julho de 2010

  • O TABACO E O ESTADO HIPÓCRITA
A ADECO solicita a contribuição dos cidadãos cabo-verdianos para a discussão da lei sobre o tabaco em Cabo verde. Fica o ante-projecto de futura proposta de lei a ser submetida à Assembleia Nacional, para quem se interessar e desejar se pronunciar. 

Li o texto, e interessa-me. Agora, vou ficar em silêncio – o tempo não me permite muito mais do que isso: gosto da minha liberdade, de fumar. Admito naturais restrições, nomeadamente os imanentes ao meu direito (do prazer, não!) de fumar mas a verdade é que, como se fôssemos mondrongos apêndices lá vem mais uma lei que não irá ajudar em nada a vida económica nacional e muito menos a qualidade de vida dos cabo-verdianos.

E se fizéssemos de vez o que se tem em mente com a tal “Parceria especial” com a União Europeia? Isto é, fazemos, de vez – em vez de ser às mijinhas e meio à socapa – a «convergência» com as leis europeias e damos uma folga maior aos deputados da nação que assim podem descansar as mãos e dizem yes! só uma única vez.

Conseguiremos, de algum modo, ser originais em alguma coisa? Coélet terá razão, mas ao menos poderemos deixar esse mau hábito de andar nus de ideias e ter alguma criatividade, algum wit nacional – mesmo no que é necessário? Porqué que o esatdo não é corajoso o suficiente para tomar as medidas que sejam verdadeiramente adequadas a prevenir e a fazer diminuir o consumo do tabaco, e deixe de se enriquecer á custa de um produto que considera nocivo? Como se qualifica quem beneficia com o mal alheio? Pois é… esse é o estado hipócrita em que estamos, e o Estado hipócrita que temos!

Anexo: Ante-projecto de futura proposta de lei sobre o tabaco