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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

| DESPERTARES DA REPÚBLICA CABO-VERDIANA

Todos têm um preço; digam-me o que precisas e dir-te-ei o teu preço; é uma asserção cínica, prima facies. E, nesta lógica, sustentar no tempo as necessidades de um povo, e criar-lhe novas necessidades para depois aparecer com as soluções na altura e no momento certo (de preferência próximo das eleições) é uma técnica política arcana. Deveria estar fora de moda; mas não: it works!

O tempo corre; e ganha-nos… primeiro na memória, depois na acção. A acídia é uma guerreira profunda, arrasta-se e arrasta os silêncios. Só acorda quem quer, e quem pode. Mas quem pode, pode não querer; e quem quer pode não poder. E o poder das e nas terras geograficamente pequenas sabe como tecer esta teia de silêncios, de amordaçamento de vozes e acções. E, a propósito disto, repristino aqui as palavras de Siddhartha Gautama «O objectivo da existência é a iluminação. Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora.»

Agora (que bem poderia ser um Ágora) é o eterno; era ontem e será amanhã, pois o que é preciso é consciência da realidade plena e um compromisso fundo com as pessoas e as coisas. Antonino Bassiano tornou-se o seu manto negro.

Despertar é mais do que dizer despertar; não existe arquetismo que substitui a acção necessária: abrir os olhos não chega. Assim como não chega(rá) querer ter olhos para, com ramela fresca, se querer ser um monte de caras herdeiras do Infante. Sem rei nem roque, a terra não precisa reis; precisa é de todos os cidadãos com consciência e sentido do que engendram as libelinhas. Agora, resta saber é se os que andam despertos ou que despertaram terão unhas para tocar a guitarra que será fazer um projecto político para S. Vicente e depois gerir uma campanha eleitoral de cidadãos candidatos (?!) nas eleições Autárquicas que deverão acontecer em S. Vicente logo depois das legislativas.

Sim, eleições Autárquicas! Estas são, fatalmente, um facto que irá acontecer no ano de todas as Eleições; e com o Governo a vir a ser empossado por um Presidente sem legitimidade popular (legal e constitucional) e que terá, então e se acontecer!, cerca de um ano e meio para fazer o que lhe der na gana pois, faça os desmandos que fizer, não poderá, por imperativo Constitucional, ser demitido pelo Presidente da República (que poderá desempenhar a função, em dadas e previsíveis circunstâncias, sine die). E há mais… mas a República anda desperta!, não anda? E é por precisar de despertar que ainda teremos um Presidente da República que, como em 2001, será legitimado com intervenção do foro judicial…

Despertar, para quê?  |

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

  • A CULTURA DA FILI RESPRIVADA

Essa do Presidente da República, Pedro Pires, nomear a irmã — Edeltrudes Rodrigues Pires Neves — para o Conselho da República não lembra nem ao Diabo! Mas também não lembraria a Iblis que o Primeiro-Ministro nomeasse o irmão para gerir uma das maiores empresas do país, e que em vez de a salvar coloca-lhe uma pedra ao pescoço para o afogar na laginha; nem que o Ministro das Infra-estruturas, Transportes e Telecomunicações, Manuel Inocêncio Sousa, tivesse o filho à testa de uma das maiores empresas da área que tutela; ou que o filho do José Brito, Ministro dos Negócios Estrangeiros, ganhasse o concurso para dirigir o Millenium Challenge Account em Cabo Verde… Ah, não me convidem para concursos tabelados. Não! Em terras com democracias consolidadas dão-se nomes a estas coisas, e existem consequências jurídicas e politicas paras os mesmos. Mas em Cabo Verde não! É tudo sab p’kagá… Cabo Verde é uma terra macaronésica! Sim, para isso… o que ninguém vê nem quer ver.

Ah, e eu não vejo e ne, descotino a razão do Administrador da ELECTRA continuar de pedra e cal na instituição que, claramene, não cumpre com a sua função. Alguém sabe? É que parece ter a função indexada ao cargo do Primeiro Ministro… do país exemplar da África da estrela negra pan-africana (que o Primeiro Ministro José Maria Neves ou não sabe ou finge que não saber o que significa…) de que somos os melhores alunos. Bem tem razão Carlos Veiga — que tem afinado o discurso, em particular no sector da Justiça — ao dizer que o termo de comparação deve ser outro. É que não vivemos numa res privada dos melhores filhos e seus filhos, não! Vivemos numa Respublica!

Imagem: Dali — Salvador Dali