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domingo, 23 de outubro de 2011

  • MUAMMAR AL QATHAFI E O TPI
As últimas palavras de Qathafi foram: — «O que foi que te fiz?» Antes de ser espancado, de forma a configurar tortura no plano do Direito Penal Internacional. Sob tortura, age como um guerreiro para esconder a dor, grita (com uma coragem e consciência da sua mensagem para o Mundo e para a História): — «Allah Akbar — Deus é grande».

Um paradoxo, pois acaba de nascer um martir da revolução africana, tendo a «democracia» como algoz. A história deste momento não merecia uma situação desta; nem o início nem o desfecho desta crise Líbia.

Estamos, no caso da morte de Muammar Qathafi, perante um crime de guerra e que cai sob a alçada do Tribunal Penal Internacional. Onde estão, agora, as Convenções de Genebra sobre o Direito da Guerra e o Estatuto do TPI? Estou certo que a ONU, os EUA e a Europa irão arranjar uma forma airosa de poupar o Conselho de Transição da Líbia e evitar que sejam levados a julgamento. Sim, o que irá fazer o TPI, perante factos tão flagrantes? Emitir mandatos de detenção contra os insurrectos que mataram o Líder da Revolução Líbia e têm mais de 7.000 pessoas em prisões, sem culpa forma e cujo destino pode, a qualquer momento, ser o de Qathafi? Espero que, em consonância com outros casos, como o de Jean-Pierre Bemba a ser julgado em Haya, o dinheiro de Muammar Qathafi ou da Líbia nos Bancos europeus (nomeadamente em Portugal) não seja entregue a estes homicidas sob o pretexto de «pertencer ao povo Líbio», e fique caucionado para indeminzar a família de Qathafi e de outros igualmente torturados e mortos desta forma tão bárbara.

As provas deste crime inudaram a rede; mas serão censuradas até deixarem de existir. Mas Alah Akbar, sim. E Deus é o Scientiarum; não há outro. Mas justiça de Deus, esse é ele que faz. Até esta morte é – como o fora a de Nino Vieira –, para mim, uma prova de que não somente Deus é grande como está atento. Agora, objectivamente falando: quero ver o do TPI a agir. Quero ver o Procurador Moreno-Ocampo ir a correr a emitir um mandato internacional contra esses criminosos que se dizem «libertadores» do povo Líbio e que deveriam executar o mandato do TPI.

Não executaram o mandato de detenção, executram o homem; um prisioneiro de guerra. E agora, Moreno-Ocampo? E agora, TPI? A lei é para todos. Este é mais um teste para o TPI, que tem, em verdade, falhado tantos. As mesmas razões (acrescidas de outras mais gravosas e provadas) que o TPI invocou para mandar prender Muammar Qathafi procedem em relação a muitos outros líderes internacionais — de George W. Bush a Tony Blair que fizeram uma guerra criminosa e à margem do Direiro Internacional contra o Iraque.

Mas quem ouve o Procurador Moreno-Ocampo percebe — naturalmente e sem grande esforço — que se está perante um político e não perante um homem de uma estrutura judicial. Isto não é a melhor forma de começar um Domingo; mesmo com um furacão dentro de mim, ainda que ausente.

sábado, 6 de março de 2010

| DESPOLITIZAR A EMIGRAÇÃO E O NOVO JORGE SANTOS

       Jorge Santos disse à RCV, na sequência da sua visita ao Luxemburgo, que é preciso «despolitizar» a emigração. Sorri, ao ouvir as suas declarações. Lembrei-me da fábula da rã e do escorpião. Boas intenções, mas o inferno está cheio de boas intenções — assim como o Mundo de injustiça. A despolitização da emigração há muito que deveria ter sido feita, mas basta ver Sidónio Monteiro — o Ministro Adjunto do Primeiro Ministro com a pasta da Comunicação Social — a ser nomeado como Ministro das Comunidades Emigradas a meses das próximas eleições para perceber que este discurso de Jorge Santos é bem visto do ponto de vista do timing mas que poderia e deveria ser mais incisivo e claro, pois o Governo e o PAICV estão longe de desejar e querer despolitizar a Diáspora.

       Agora, e à margem deste facto, confirmei uma coisa: o Jorge Santos tem tido um discurso mais consentâneo, mais sustentado e sereno, mais de acordo com o de um líder do que aquele que teve durante o período em que liderou o MPD. Não é que isso seja, para mim, estranho de verificar; o que acontece é que uma postura análoga — e outros pozinhos de chá, estratégia e uma Comissão Política mais solidária — poderia ter salvado a sua liderança e evitado a quase inevitabilidade do retorno de Carlos Veiga à liderança do MPD. Agora, certo é que, em politica como na natureza, raramente a mesma água passa pelo mesmo rio, a não que se transforme e espere o ciclo do Tempo.

Imagem: Jorge Santos, Tony Blair e António Capucho