terça-feira, 30 de junho de 2009

  • O CHOQUE TECNOLÓGICO DE JOSÉ SOCRATES: EXEMPLO PROPOSTO A OBAMA

Don Tapscott, professor universitário e especialista em novas tecnologias, escreveu um artigo interessante no Huffington Post e que vale a pena atentar. O artigo, chamado «Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!», eleva Portugal a um case study e, imagine-se só!, exemplo modelar para combater o insucesso escolar através das novas tecnologias. Não vivesse eu em Portugal, e pensaria que Don Tapscott falava de um outro país, mas sei que o que o académico americano viu foi a encenação para «americano ver» e não a realidade, se bem que bom seria que assim fosse.

O problema, e Don Tapscott parece estar atento a isso, é que a tecnologia não resolve todos os problemas de aprendizagem ou de falência dos modelos tradicionais de ensino há muito ultrapassados pela realidade social e novas exigências formativas; o problema é de se encontrar um novo paradigma de ensino/aprendizagem e de responsabilidade partilhada entre o docente – que deve ser cada vez mais um orientador – e o discente no papel de descobridor do conhecimento. Mais do que o choque tecnológico, o aumento da escolaridade mínima obrigatória – que também tem efeitos sociais perniciosos, mas não é disso que se trata agora – é um instrumento poderoso que contribui em muito para a se travar o insucesso escolar.

Outro problema de base, e esse é um factor considerável, é que o exemplo social – determinante prática do quantum do abandono escolar, que não se resolve com a mais tecnologia e meios materiais mas sim com políticas sociais de promoção do mérito, e neste aspecto o sistema escolar de ensino em Portugal está falho há muito tempo – e de perspectivas de um futuro real e sustentável para os alunos que devem, em termos de paradigma formativo, ser cada vez mais formandos e menos alunos e/ou discentes.

PS: Se tivesse sido convidado para ir a Cabo Verde pelo Primeiro Ministro José Maria Neves ou pela Ministra da Educação, Vera Duarte, agora era Cabo Verde a ser elevado a exemplo para os Estados Unidos da América; na verdade é, pois o Governo de José Maria Neves tem programa análogo à administração Lusa. Mas Don Tapscott não sabe, não tem o dever de saber…

Imagem: As amigas, Gustav Klint (1916-1917)

2 comentários:

Tina disse...

Professor universitário e especialista em novas tecnologias e não tem obrigação de saber que a tecnologia por si só não basta para melhorar o ensino? Interessante ironia, Virgílio... Aplicada ao desconhecimento da realidade de um país, mais irónico se torna ainda!

Virgílio Brandão disse...

É Tina... e não é que vi o Sócrates a gabar-se, a dizer que os americanos é que conseguem ver as suas virtudes?...

Kisses