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terça-feira, 25 de agosto de 2009

  • O QUE É UMA MULHER?
Lia os jornais on line, tentando saber o que se fala e se escreve pelo Mundo e, de repente, uma pergunta assola-me o pensamento: «O que é uma mulher?» O caso da atleta sul-africana Caster Semenya traz à luz uma discussão sobre a dimensão e a natureza do género que, não sendo nova, vai para além do óbvio e obriga-nos a pensar a humanidade out of the box.
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É uma situação que destrói preconceitos e pré conceitos. Temos a alma redonda, mas o intelecto é... quadrado! Em algumas coisas, como a nossa relação no plano do género, estamos no pior da época medieval.
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Imagem: Autor desconhecido

sábado, 15 de agosto de 2009

  • MOMENT(O) ZEN
Receba as tuas visitas com a mesma atitude que tens quando estás só. E, quando estiveres só, mantenha a mesma atitude que tens quando recebes as tuas visitas.

Receive a guest with the same attitude you have when alone. When alone, maintain the same attitude you have in receiving guests.
----in Regras de Soyen Shaku
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Imagem: Céu, algures em África...

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

  • VOZES DE ATENTAR...
Two Selections by Nelson Mandela

First, Nelson Mandela's statement at his trial where he was sentenced for organizing with the African National Congress (A CIA officer later bragged that the agency had tipped off the South African Intelligence Service). He spent the next 26 years in prison. His release, one demand of the intense international campaign against South African Apartheid, was won in 1990. The second statement here is
his speech given at his release. He later served as President of South Africa from 1994 to 1999.
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Imagem: Nelson Mandela

terça-feira, 30 de junho de 2009

  • O CHOQUE TECNOLÓGICO DE JOSÉ SOCRATES: EXEMPLO PROPOSTO A OBAMA

Don Tapscott, professor universitário e especialista em novas tecnologias, escreveu um artigo interessante no Huffington Post e que vale a pena atentar. O artigo, chamado «Note to President Obama: Want to Fix the Schools? Look to Portugal!», eleva Portugal a um case study e, imagine-se só!, exemplo modelar para combater o insucesso escolar através das novas tecnologias. Não vivesse eu em Portugal, e pensaria que Don Tapscott falava de um outro país, mas sei que o que o académico americano viu foi a encenação para «americano ver» e não a realidade, se bem que bom seria que assim fosse.

O problema, e Don Tapscott parece estar atento a isso, é que a tecnologia não resolve todos os problemas de aprendizagem ou de falência dos modelos tradicionais de ensino há muito ultrapassados pela realidade social e novas exigências formativas; o problema é de se encontrar um novo paradigma de ensino/aprendizagem e de responsabilidade partilhada entre o docente – que deve ser cada vez mais um orientador – e o discente no papel de descobridor do conhecimento. Mais do que o choque tecnológico, o aumento da escolaridade mínima obrigatória – que também tem efeitos sociais perniciosos, mas não é disso que se trata agora – é um instrumento poderoso que contribui em muito para a se travar o insucesso escolar.

Outro problema de base, e esse é um factor considerável, é que o exemplo social – determinante prática do quantum do abandono escolar, que não se resolve com a mais tecnologia e meios materiais mas sim com políticas sociais de promoção do mérito, e neste aspecto o sistema escolar de ensino em Portugal está falho há muito tempo – e de perspectivas de um futuro real e sustentável para os alunos que devem, em termos de paradigma formativo, ser cada vez mais formandos e menos alunos e/ou discentes.

PS: Se tivesse sido convidado para ir a Cabo Verde pelo Primeiro Ministro José Maria Neves ou pela Ministra da Educação, Vera Duarte, agora era Cabo Verde a ser elevado a exemplo para os Estados Unidos da América; na verdade é, pois o Governo de José Maria Neves tem programa análogo à administração Lusa. Mas Don Tapscott não sabe, não tem o dever de saber…

Imagem: As amigas, Gustav Klint (1916-1917)

terça-feira, 5 de maio de 2009

  • Tolstoi, a trabalhar na sua casa em Yasnaya Polyana (1908)

domingo, 26 de abril de 2009

  • DEPOJOS DE LIBERDADE E CAÇOBODYS

1. Acordo a ouvir Liu Fang e Enka (música japonesa da era Meiji, emergente dos despojos da era Tukugawa) de Godai Natsuko, Teresa Teng e Fuyumi Sakamoto que partilharei com alguns amigos. Ontem, 25 de Abril, fiz anos e tive uma prenda: uma monumental dor de cabeça. É justo: entrei no Mundo a gritar, com uma palmada no rabo, e empurrado pelo grogue.

2. Um passarinho soprou-me ao ouvido – e a outros atentos – que um membro do Governo e um ilustre Advogado da Kapital foram vítimas de caçobody às portas do Bar Garage. Será que isso irá ajudar as gentes que governam o burgo praiense e a nação berdiana a pensar mais na segurança, na necessidade de haver mais e melhor policiamento, mais e melhor iluminação e, acima de tudo, uma política criminal que seja verdadeiramente preventiva? Não creio, mas a natureza humana é assim mesma: quando nos toca à porta o inforúnio, grita-se: daqui d´El Rey. No caso, o rey vai nu – depojado de haveres na noite escura. Há coisas que tocam a todos. Shadows and dust – diriam os estoicos…

3. Carlos Veiga voltou ao MPD! – diz-se. Ilusão: Carlos Veiga nunca saiu do MPD. É o momento do MPD deixar de ter uma liderança bi-céfala, do partido ventoínha matar (ou não) o pai e/ou as lideranças deixarem de ter uma tutela sombra na figura do ex-Primeiro Ministro. Os militantes do partido serão capazes disso? Jorge Santos, acredita que sim – que pode vencer Carlos Veiga. A JPD, cautelosa, não joga – nem em cartas viciadas. E faz bem, faz bem – juventude prudente… coisa rara, verdadeiramente rara.

Isaura Gomes, que já não tem em Carlos Veiga o seu candidato tem (segundo as suas palavras de 08.04.2009) o caminho aberto para se candidatar às Presidenciais de 2011. Ou não? Se Jorge Santos conseguir manter a liderança do MPD – coisa que poucos acreditam que venha a acontecer, mas que não é nenhuma impossibilidade... –, não perdoará Isaura Gomes que deverá alinhar ao lado de Carlos Veiga e tentar sobreviver ao terrromoto político para cujo ninho segue voando alegre e contente. Sim, estará ao lado do regressado D. Sebastião, pois não tem perfil para, como o Miguel Monteiro, ficar na indecisão – no vamos ver no que isto dá: é demasiado ciente da sua propagandeada e propalada irreverência para não tomar partido... do aparentemente óbvio.

Neste momento Jorge Santos sentir-se-á, naturalmente, traído. E tem mais do que razões para isso; mas não deveria: o que acontece hoje era mais do que previsível há muito, muito tempo. A política é uma ciência, e as ciências têm uma considerável dimensão de previsibilidade. Um líder não vale somente pelas suas qualidades técnicas e pessoais, mas também por quem tem ao seu lado, por quem o aconselha, o ajuda a prever e a construir o futuro. Se Jorge Santos pensa a volta de Carlos Veiga é um caçobody ao seu MPD, deveria ter-se prevenido. O líder do MPD não é ingénuo. Não pode ser; e sei que não é. A pólvora, ao contrário do que pensam alguns iluminados, não se descobre – a pólvora, hoje, faz-se; e usa-se para se construir caminhos, mesmo entre montanhas.

4. Fez-se dois túneis para ligar Porto Novo/Janela. Obra louvável, necessária; não é tarde, porque para realizar-se coisas boas nunca é tarde. Agora, que os túneis (com duas vias) são estreitos, lá isso são! Temos de pensar no futuro, não ter ambições estreitas, pensar pequeno e imaginar que construímos o maior dos Mundos possíveis. O tunél precisava de um Marquês de Pombal cabo-vediano para o pensar e atrever-se a construi-lo; não para o útil hoje, mas para as gerações futuras.

5. Desta janela: os pássaros cantam, picam-se… e namoram. Afinal, como diz Robert Hayden, estão «encarnando o seu sonho da coisa necessária e bela».

Imagem: El venado herido, Frida Khalo

sexta-feira, 24 de abril de 2009

  • VOZES DE ATENTAR…

«Living things obey all the laws of chemistry and physics, including the second law of thermodynamics, which states that the amount of entropy (disorder) in the universe is always increasing. The consumption of energy is the only way to create order in the face of entropy. Life doesn’t violate the second law; living things capture energy in a variety of forms, use it to create internal order, and then transfer energy back to the environment as heat. An increase in organization within a cell is coupled with a greater increase in disorder outside the cell», Lawrence Hunter, «Molecular Biology for Computer Scientists» in Artificial Intelligence and Molecular Biology, (edited by Lawrence Hunter), s/d, p. 17

Imagem: William Blake

quinta-feira, 2 de abril de 2009

  • LIVROS QUE MERECEM MAIS DO QUE SER LIDOS
Sociología del Saber, Max Scheler

Imagem: Che Guevara prisioneiro

domingo, 29 de março de 2009

  • SOBRE A MATEMÁTICA E AS COISAS DIVINAS, Nicolau de Cusa

«Todos nuestros más sabios, más divinos y más santos doctores están de acuerdo en que realmente las cosas visibles son imágenes de las invisibles, y que nuestro creador puede verse de modo cognoscible a través de las criaturas, casi como en un espejo o en un enigma. Y el que las cosas espirituales, que para nosotros son por sí mismas intangibles, puedan ser investigadas simbólicamente, tiene su raíz en las cosas que antes se han dicho.

Puesto que todas las cosas guardan entre sí cierta proporción (que para nosotros, sin embargo, es oculta e incomprensible), de tal manera que el universo surge uno de todas las cosas y todas las cosas en el máximo uno son el mismo uno. Y aunque toda la imagen parezca acercarse a la semejanza del ejemplar, sin embargo, excepto la imagen máxima, que es lo mismo que el ejemplar en la unidad de la naturaleza, no hay una imagen de tal modo similar, o igual, al ejemplar que no pueda hacerse más semejante y más igual infinitamente, como ya hemos visto antes que es evidente.

Cuando se haga una investigación a partir de una imagen, es necesario que no haya nada dudoso sobre la imagen en cuya trascendente proporción se investiga lo desconocido, no pudiendo dirigirse el camino hacia lo incierto, sino a través de lo presupuesto y cierto. Todas las cosas sensibles están en cierta continua inestabilidad a causa de su potencialidad material, abundante en ellas. Lo que es más abstracto que esto, cuando se reflexiona sobre las cosas (no en cuanto que carecen de raíz de elementos naturales, sin los cuales no pueden ser imaginadas, ni en cuanto yacen bajo la fluctuante potencialidad) vemos que es muy firme y muy cierto para nosotros, como ocurre con los objetos matemáticos; por lo cual los sabios buscaron habilmente en ellos, por medio del entendimiento, ejemplos para la indagación de las cosas. Y ninguno de los antiguos, a quien se considere importante, busco otra semejanza que la matemática para las cosas difíciles.

De tal modo Boecio, el más ilustre de los romanos, sostenía que nadie que no se ejercitara profundamente en las matemáticas podría alcanzar la ciencia de las cosas divinas. ¿Acaso Pitágoras, el primer filósofo, tanto por el nombre como por los hechos, no puso en los números toda la investigación de la verdad? En tanto que siguieron a éste los platónicos y nuestros filósofos más importantes como Agustín y el propio Boecio afirmaron indudablemente que el numero había sido en el ánimo del creador el primer ejemplar de las cosas que habían de crearse. ¿De qué modo Aristóteles (que quiso considerar lo singular, refutando a los anteriores); pudo darnos la diferencia de las especies en las matemáticas, sino porque las comparaba con los números? Y él mismo cuando quería establecer la ciencia sobre las formas naturales, de qué modo una está en la otra necesariamente recurría a las formas matemáticas, diciendo: así como el trígono está en el tetrágono, así el inferior está en el superior.

Y me callo innumerables ejemplos semejantes a éste.

Y también el platónico Aurelio Agustín[1], cuando investigó acerca de la cuantidad del alma y de la inmortalidad de la misma y de otras elevadísimas cosas, recurrió en busca de ayuda a la matemática. Este procedimiento pareció agradar tanto a nuestro Boecio, que constantemente intentaba llevar toda la doctrina sobre la verdad a la multitud y magnitud.

Y si se quiere que lo diga más compendiosamente: ¿acaso la doctrina de los epicúreos sobre los átomos y el vacío, la cual también niega a Dios y deshace toda la verdad, no pereció sólo con la demostración de los pitagóricos y peripatéticos?

Es decir, que no se podía llegar a átomos indivisibles y simples, lo cual Epicuro supuso como principio. Siguiendo este camino de los antiguos y coincidiendo con ellos decimos: que como la vía de acceso a las cosas divinas no se nos manifiesta sino por medio de símbolos podríamos usar con ventaja de los signos matemáticos a causa de su incorruptible certeza.»
---- Nicolas de Cusa, De Docta Ignorantia, I.XI

Imagem: The Heart of the Rose, Edward Coley Burne-Jones

[1] Santo Agostinho de Hipona, um dos primeiros pensadores africanos a influenciar o pensamento ocidental na era depois de Cristo.

quarta-feira, 25 de março de 2009

  • DOIS PEIXES…
Diz-nos o mítico filósofo, poeta e alquimista alemão Lambspring, no seu Pequeno Tratado Sobre a Pedra Filosofal:

"Presta atenção e compreende que dois peixes nadam no nosso mar.
O mar é o nosso corpo; e os dois peixes? O espírito e a alma
."

E segue, com este conselho iniciático:

The Sages will tell you
That two fishes are in our sea
Without any flesh or bones.
Let them be cooked in their own water;
Then they also will become a vast sea,
The vastness of which no man can describe.
Moreover, the Sages say
That the two fishes are only one, not two;
They are two, and nevertheless they are one,
Body, Spirit, and Soul.
Now, I tell you most truly,
Cook these three together,
That there may be a very large sea.
Cook the sulphur well with the sulphur,
And hold your tongue about it:
Conceal your knowledge to your own advantage,
And you shall be free from poverty.
Only let your discovery remain a close secret.

Imagem: in Lambstrinck, Pequeño Tratado sobre la Piedra Filosofal (edición de 1677 del Museum Hermiticum), p.3

sábado, 7 de março de 2009

PINTANDO A PINTURA

Esta forma efémera de arte tem em Luis Royo e Seyi Wujian os seus grandes mestres.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

  • AS ORIGENS

Tenho à minha frente Metamorfoses, de Ovídio.
Lembra-me Gilgamesh, sempre – o Prometeu filho de cushita, nimrodiano. Minhas raízes mais longínquas. É onde chega a minha genealogia.

  • Imagem: Gilgamesh – o proto herói

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

  • MOMENTO ZEN

«A tua atitude deve ser como a de um herói sem medo; mas o teu coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor», Regras de Soyen Shaku

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

  • A POSSIBILIDADE DO DEUS CRIADOR E A CIÊNCIA

Sobre os mistérios mais profundos da existência a ciência continua a tactear – é um facto. A explicação científica da origem do universo é, pelo menos de momento e cada vez mais (basta seguir os desenvolvimentos mais recentes da física), um conjunto de possibilidades – o que é bastante claro nas palavras de Stephen Hawking numa conferência proferida na NASA em 1999 e cujas premissas continuam, hoje, as mesmas. Diz-nos este académico que:

«The Universe must have had a beginning if
__ Einstein’s General Theory of Relativity is correct
__ The energy density is positive
__ The universe contains the amount of matter we observe» (Hawking, Stephen: The Future of Quantum Cosmology, Department of Applied Mathematics and Theoretical Physics, University of Cambridge, Cambridge, United Kingdom, August, 1999). Sem mais… é a ciência no seu plano actual.

O que é dizer que a perspectiva criacionista do universo não se encontra, de todo, afastada pela ciência. Ademais, ela não é, de todo, incompatível com a existência de uma explicação científica das ideias de criação e evolução. Fé e razão só são excludentes para quem pensa a partir de pré conceitos (não confundir com preconceito), não para quem pensa os dados como são, objectivamente e descobrindo a realidade das coisas. Até porque, de um ponto de vista apriorístico, a humanidade e sua dimensão moral postula a existência de Deus. Mas esta é, de todo, uma outra questão.

Na verdade a discussão da Física como ciência deixou de estar no plano empírico e voltou às suas origens e encontra-se, hoje, no plano teorético da filosofia (relembro, a talho de foice, que foi o empirismo que, no ocidente, desligou a filosofia da teologia). E não pode haver um Deus que tenha determinado padrões de desenvolvimento no universo e, de seguida, a tenha deixado desenvolver de acordo com tais comandos?

É uma possibilidade, assim como a de Deus não existir. Só que esta possibilidade negativa não tem um postulado racional e determinado como a possibilidade de Deus existir. É, de todo, uma proposição de fé. Quem crê em Deus tem-no como existente pode, como eu, admitir a possibilidade do erro na forma de ver e de sentir a Sua existência. Agora, dizer que Deus não existe – sem mais e não admitindo a possibilidade da sua existência – é que é dogmático, de todo. É que – para que conste – existe uma diferença substancial entre o que é possibilidade teorética e o dogmatismo opinativo.

Mas o que fazer? A moda é, desde há algum tempo, não acreditar em Deus e, alijando as nossas responsabilidades como pessoas, colocar o opróbrio das nossas maldades em Deus. Mas, que eu saiba, Deus não deu a ninguém nenhum mandato para praticar o mal e desumanizar a existência humana. Pelo contrário – todas as religiões têm uma forma análoga da regra de oiro. Se calhar os males que sofremos emergem exactamente deste facto: de negarmos Deus e os valores que emergem de uma ideia de bem que dele emana. A forma mais fácil (e como adoramos o fácil…) de darmos guarida ao mal é negarmos Deus, logo os valores que ele representa e que em nós deve(ria) manifestar-se.

É que, como diz Kant, «A moral conduz, pois, inevitavelmente à religião, pela qual se estende, fora do homem, à ideia de um legislador moral poderoso, em cuja vontade é fim último (da criação do mundo) o que ao mesmo tempo pode e deve ser o fim último do homem» (Kant, A Religião Nos Limites Da Simples Razão, Edições 70, Lisboa, 1992, p.14). E, na verdade, qual é a diferença substancial entre a razão e a fé quando confrontamos ou cotejamos o Imperativo categórico de Kant (espelhando em: Kant, Critica da Razão Pura, Gulbenkian, Lisboa, 2001) e a regra de oiro de Jesus Cristo – como consta dos Evangelhos?

  • Imagem: Pequeno aglomerado de galáxias, incluindo uma espiral e uma elíptica. Criação de Adolf Schaller in Cosmos, de Carl Sagan

sábado, 17 de janeiro de 2009

  • CONSELHOS DE LEITURA
Aconselho a leitura de «Equality, Democracy and Constitution» de Ronald Dworkin, in Alberta Law Review, Vol. XXVIII, No. P.325, 346 (1990). Uma reflexão atenta sobre a ideia de igualdade nos Estados democráticos, a convidar à reflexão sobre alguns paradigmas.

Prometeu Agrilhoado, Ésquilo, Inquérito, Lisboa, 1996. Uma obra extraordinária, das primeiras (precedida somente pelo Mito de Gilgamesh) a colocar a questão da liberdade e da autonomia do homem, para além de ser um discurso eloquente sobre a luta pelo conhecimento e de sacrifício em nome da liberdade humana. Quíron é, de todo, a mais arcana representação de Jesus Cristo. Um sacrificou-se para o homem ter a liberdade de usar o fogo – coisa exclusiva dos deuses – e seguir na senda do desenvolvimento; o outro para que o homem possa, um dia, tornar-se, também ele, Deus. Livro a ler e reler como atenção.

  • Imagem: Prometeu agrilhoado na Rocha da Eternidade (não parece uma rocha...)

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

PROMESSA PARA 2009
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O meu poeta perguntou-me se tinha ou não alguma resolução para o blog em 2009. Respondi que, em princípio, não. Mas insistiu em que eu tomasse uma resolução qualquer, algo de radical: como acabar com o blog, erase it – propôs, friamente. Para me livrar dele (até porque passei estes dias com uma dor de cabeça maior do que o Universo e o coração de Deus e nem deu para telefonar às pessoas amadas, aos amigos a desejar bom Natal nem receber chamadas de ninguém ou ler um pouco mais de La actualidad de lo bello de Gadamer e de Habeas Corpus de António Zetti Assunção; aquele sobre a ars combinatoria do pasado e do presente da arte e este sobre a práctica e a jurisprudencia do Supremo Tribunal Federal do Brasil) – disse-lhe:

– Depois falaremos sobre a tua ideia, meu poeta. Mas, caso não venha a seguir o teu conselho, prometo-te uma coisa: Em 2009, só deixarei de publicar imagens como as de Kim Kardashian, Nicole Naraian e Jennifer Walcot ou a arte de Milo Manara e Luis Royo se deixar de gostar delas (é mais provável que Gabriel apareça com uma nova qualquer - que pode até ser má…) ou o Tchinda siga algum conselho engenhoso e case com uma bela crioula.

  • Imagem: Darker Than Black

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

  • COISAS DE ATENTAR

O cancro da mama é um dos grandes flagelos do nosso tempo. Prevenir é preciso e não custa nada. Se é mulher, informe-se e/ou consulte o seu médico; merece isso.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PÔ - à memória de DÉCIO PIGNATARI

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Homenagem espontânea do artista à cidade de S. Paulo, Brasil.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

  • MEMÓRIAS DA HUMANIDADE
Vou passar a compartilhar com os visitantes de Terra-Longe um conjunto de textos (notas biográficas) sobre alguns pensadores da antiguidade já esquecidos (vítimas da maior tragédia que o Mundo já conheceu: o incêndio da Biblioteca de Alexandria) e que se encontram na obra «Vida De Los Filósofos Más Ilustres» de Diógenes Laércio.

Acho um «crime de conhecimento» não partilhar esta obra. Inicio com Ferecides, filho de Badio. Mas antes, escutemos o testemunho epistolar de Tales de Mileto – um dos conhecidos pré-socráticos – no Livro Primeiro da obra de Diógenes Laércio.

TALES A FERECIDES
«He sabido que eres el primer jonio que estás para publicar en Grecia un escrito acerca de las cosas divinas. Tal vez será mejor consejo publicar estas cosas por escrito, que no fiarlas a algunos pocos que no hagan mucho caso del bien común. Quisiera, si te parece bien, que me comunicaras lo que escribes; e incluso si lo permites, pasaré a Sirón a verte, porque es verdad que no somos tan estólidos yo y Solón Ateniense, que habiendo navegado a Creta a fin de hacer nuestras observaciones, y a Egipto para comunicarnos con los sacerdotes y astrónomos, lo dejemos de hacer ahora para ir a verte. Así que irá Solón conmigo, si gustas, ya que tú, enamorado de ese país, pocas veces pasas a Jonia, ni solicitas la comunicación con los forasteros; antes bien, según pienso, el escribir es tu única ocupación. Nosotros, que nada escribimos, viajamos por Grecia y Asia».


FERECIDES DE SIROS

1. Ferecides, hijo de Badio, nativo de Siros, según dice Alejandro en las Sucesiones, fue discípulo de Pitaco. Fue el primer griego que escribió del alma y de los dioses. Se cuentan de él muchos prodigios, pues al pasearse una vez por la playa del mar de Samos, y ver una nave que corría con buen viento, dijo que dentro de breve tiempo se anegaría, y efectivamente, zozobró a causa del mismo. Asimismo, al beber agua sacada de un pozo, pronosticó que dentro de tres días habría terremoto, y así sucedió. Subiendo de Olimpia a Micenas, aconsejó a Perilao, que lo hospedó en su casa, que se fuera de allí con su familia, pero no se convenció Perilao, y Micenas fue tomada después por los enemigos.

2. Decía a los lacedemonios, según escribe Teopompo en su libro De las cosas admirables, que no se deben honrar el oro y la plata; que esto se lo había mandado decir Hércules, el cual mandó también la misma noche a los reyes que obedeciesen a Ferecides en ello. Algunos atribuyen esto a Pitágoras. Cuenta Hermipo que cuando hubo guerra entre los efesinos y magnesios, y él deseaba que vencieran los efesinos, preguntó a uno que pasaba de dónde era, y al responderIe que de Efeso, le dijo: Pues llévame de las piernas, y ponme en territorio de Magnesia; luego dirás a tus paisanos que me entierren en el paraje mismo donde conseguirán la victoria.
Manifestó aquel este mandato de Ferecides a los ciudadanos, los cuales, eféctuada la batalla el día siguiente, vencieron a los magnesios, y buscando a Ferecides, lo enterraron allí mismo y le hicieron muy grandes honras. Algunos dicen que se precipitó él mismo del monte Coricio, caminando a Delfos; pero Aristóxenes, en el libro De Pitágoras y Sus Familias, dice que murió de enfermedad y lo enterró Pitágoras en Delfos. Otros opinan que murió comido por piojos.

3. Al venir Pitágoras a visitarlo, y preguntarle cómo se hallaba, sacó por entre la puerta un dedo y le dijo: Conjetura de aquí el estado del cuerpo. Los filósofos tomaron después en mal sentido estas palabras, y aun pecan todavía los que en mejor sentido las interpretan. Decía que los dioses llaman tioron a la mesa. Andrón Efesino dice que hubo dos Ferecides, ambos de Siros: uno era astrólogo, y el otro, teólogo, hijo de Badio, de quien Pitágoras fue discípulo. Pero Erastótenes afirma que de Siros no hubo más que un Ferecides, pues el otro, escritor de genealogías, fue ateniense.

De Ferecides Sirio nos ha quedado un libro, cuyo principio es: Júpiter y el tiempo y la tierra fueron siempre una misma cosa. La tierra se llamaba terrena después que Júpiter la hizo honores. En la isla de Siros se conserva un heliotropio (i) de Ferecides. Duris, en el libro II De las cosas sacras, dice que se le puso el epitafio siguiente:


Da fin en mí sabiduría toda;
y si más a Pitágoras se debe,
es por ser el primero de los griegos.

Ion Quío escribe de él en esta forma:

Yace sin alma, y dulce vida goza;
y aunque cede a Pitágoras la palma,
vio y aprendió los usos de los hombres.

Mi epigrama, en verso ferecrático, dice lo siguiente:

Se dice por seguro
que el grande Ferecides,
en Siros engendrado,
mudó su primer forma,
comido de piojos.
A tierra de Magnesia
ser quiso conducido,
para dar la victoria
a los nobles efesios.
Esto mismo mandaba
oráculo infalible,
que Ferecides sólotenía conocido.
Entre ellos murió alegre.
Es, pues, cosa muy cierta
que el verdadero sabio
es útil vivo y muerto.

Su florecimiento fue en tiempos de la Olimpiada LIX. Se conoce de él esta carta:

FERECIDES A TALES
4. «Tengas buena muerte cuando te tocara el día fatal. Estaba enfermo cuando me llegó tu carta. Me encontraba todo cubierto de piojos y con calentura. Así que ordené a algunos de mis sirvientes, que después de enterrarme, te llevaran mis escritos. Si te parecieran bien a ti ya los demás sabios, podrás publicarlos; pero si no, no los publiques. A mí no me gustaban mucho, por no haber certeza en las cosas, pero ni yo prometo en ello esto, ni sé halla lo verdadero. Tal vez habré explicado algo acerca de los dioses; importa entender lo restante, pues yo no hago más que insinuar las cosas. Como se agrava más y más mi enfermedad, ni admito médico ni amigo alguno; pero estando ellos fuera de la puerta, y preguntándome cómo me hallo, saco un dedo por la cerradura y les manifiesto el gran mal en que estoy. Ya los he amonestado para que concurran pasado mañana a celebrar el entierro de Ferecides.

5. Hasta aquí hemos tratado de los que fueron llamados Sabios, a los cuales muchos agregan al tirano Pisístrato. Ahora trataremos de los filósofos, empezando por la secta jónica, de la cual, según dijimos, el primero fue Tales, maestro de Anaximandro.»

. Notas: (i) Parece que seria algum instrumento matemático, ou máquina para observar a declinação e nascimento do sol nos trópicos. Mas também pode ser – o que é mais provável – uma pedra curativa com esse nome e que fosse pertence do mesmo. (ii) A relação entre Farecida e Tales é deveras interessantes e merecedora de estudo. A verdade é que desapareceu da historia e Tales é referência entre os sábios da antiguidade.