Mostrar mensagens com a etiqueta cosa d´gente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cosa d´gente. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Juízes e Juízos - Por Wilmar Marçal *

Decepção e frustração. Esses são os sentimentos atuais e remanescentes de quase todos brasileiros sobre a concessão de liminares, por parte do poder judiciário, aos candidatos “fichas-sujas”. A forma interpretativa de qualquer juiz que concede esse tipo de benefício e imunidade aos maus políticos, sempre será fruto de análise subjetiva, com a frieza das letras que compõem as Leis. Alguns pareceres jurídicos são tão difíceis e enfadonhos para ler que acabam desmotivando o entender. Doutores da escrita nem sempre se fazem claros e pelas sombras dos argumentos “legais” atenuam o que deveria ser eliminado.

A grande demanda de processos que tramitam nos fóruns brasileiros, reflete bem que a “matilha de lobos politiqueiros” é a grande beneficiada pelos “habeas corpus constantis”. O sistema é de embromação (ou embromation) e com isso as quadrilhas de alguns parlamentares vão se perpetuando pelas reeleições. Em vários estados da federação, guardado o devido respeito e proporção, a Assembléia Legislativa está mais para um referencial de capitania hereditária do que propriamente para uma escolha bem feita. Supõe-se que a continuidade nas urnas vem sendo praticada pelos “altíssimos investimentos” na conta de alguns prefeitos e vereadores. Basta percorrer as localidades e perguntar pelas “lideranças”. Um arranjo bem orquestrado e com muita disposição de gastos. Uma vergonha para a democracia. Por isso é hora de reagir e agir.

A reorganização comunitária, popularizando a boa e verdadeira informação é preciosa conduta contra a indústria do nepotismo eleitoral e contra os usurpadores da boa fé dos povos. A mídia digital, decente e verdadeira, é e sempre será imprescindível, inclusive nas eleições de 2010. Se por um lado não conseguimos limitar as liminares, por outro temos nas mãos uma força imensurável pela mudança, se possível em 100% dos deputados. Com ação e determinação vamos varrendo a sujeira. Cada um começando pela frente de sua casa, sem esperar benefícios ou moeda de troca por isso. A população é do tamanho do sonho de cada um de seus componentes. A população não precisa e não depende de nenhum juiz, mesmo que alguns usem canetas de ouro. A população de bem tem, sim, é muito juízo. Basta colocá-lo em prática.
_____________
* Wilmar Marçal é professor universitário e ex-reitor da UEL./Pr.

sábado, 2 de maio de 2009

«As gajas já nascem cruéis!» – diz o peixinho Jonas.
Imagem: Gigi Edgley

sexta-feira, 4 de abril de 2008

~ Salvador Dali, Human Skull Consisting of Seven Naked Women ~

terça-feira, 1 de abril de 2008

~ Saint Jerome in his study, Albrecht Dürer (1471-1528) ~

SABIA QUE?...
  • São Victor I foi o primeiro Papa africano?

domingo, 30 de março de 2008

  • Em vias de extinção. Daqui a alguns anos só se verá em fotos. Esta pode bem ser uma criola nascida no Mindelo ou na Boavista... Em breve poderá passar por lá para colocar os seus ovos e deixar descendência. Vai deixá-la ir parar ao prato de alguém?

  • TERRA-LONGE

Aqui, perdido, distante
das realidades que apenas sonhei,
cansado pela febre do mais-além,
suponho
minha mãe a embalar-me,
eu, pequenino, zangado pelo sono que não vinha.

"Ai, não montes tal cavalinho,
tal cavalinho vai terra-longe,
terra longe tem gente-gentio,
gente-gentio come gente."

À doce toada
meu sono caía e manso
da boca de minha mãe;

"Cala cala meu menino,
terra-longe tem gente-gentio
gente-gentio come gente."

Depois vieram os anos,
e, com eles, tantas saudades!...
Hoje, lá no fundo gritam: vai!
Mas a voz da minha mãe,
a gemer de mansinho
cantigas da minha infância,
aconselha ao filho amado:

"Terra-longe tem gente-gentio,
gente-gentio come gente."

Terra-longe! Terra-longe!...
– Oh mãe que me embalaste!
– Oh meu querer bipartido!
Pedro Corsino Azevedo

sábado, 29 de março de 2008

  • Impúdica República?...

sexta-feira, 28 de março de 2008

~ «Va pensiero», Nabuco, Giuseppe Verdi ~

segunda-feira, 24 de março de 2008

~ Santiago, Cabo Verde; foto de Nuno Pombo Costa © ~
  • Non vitae, sed scholae discimus (Não nos ensinam para a vida, só nos instruem para a escola). Juvenal, Epistolas, 115.II.4

    MURAL DA AVENIDA LENOX

    Harlem:
    Que acontece a um sonho adiado?
    Será que seca
    como ao sol uva que mirra?
    Ou encrosta como ferida –
    Donde depois o pus espirra?

    Será que fede como carne em mau estado?
    Ou endurece com açucar por cima –
    Como um xarope melado?

    Talvez só dê de si
    Como peso que incomode.

    Ou será que explode?
    Langston Hughes, 1951

domingo, 23 de março de 2008

  • JUST A LITTLE MORE

    Justa a little more
    And we shall see the almond threes in blossom
    The marbles shinning in the sun
    The sea, the curling waves.
    Just a little more
    Let us rise a little more higher.
    George Seferis

sábado, 22 de março de 2008

~ Guernica, Pablo Picasso ~

  • ATHOS

    Imperadores e Guerras. Decretos:
    não sou capaz de entender a história.

    Ele sentiu os farrapos da sabedoria
    e viu os grandes frescos lentamente extinguindo-se
    no frio das foscas igrejas, um monge
    passeando no pátio; passou silvestres pomares,
    vinha e figos, e ruídas ermidas
    com o pico agudo da montanha sobre tudo.

    Horas trepando, contra moscas e suor, chegou
    ao escurecer. Toda a noite nuvens e chuva sopraram
    e mesmo em frente, em baixo, ele viu o mar
    rastejar silente sobre as enormes rochas,
    e uma pequena ave cinzenta fitava-o, o estrangeiro.
    Philip Holmes

sexta-feira, 21 de março de 2008

~ O coro dos escravos, de Nabuco - Giuseppe Verdi ~

  • Dizia-me um amigo que não devemos celebrar a Páscoa pois ela é de cultura judaico-cristã e «nada te a ver com nós africanos». Sorri, não pude deixar de discordar. Mas estava tão feliz com a sua africanidade e umas cervejas a mais que deixei para outro dia uma conversa sobre esta matéria.

    Nabucodonosor, levou o povo israelita cativo para a Babilónia – era Joaquim rei em Israel, segundo o profeta Daniel. O povo, sonhando com a sua terra amada clamava por liberdade. Demoraria, mas haveria de chegar.

    A liberdade, como coisa de alma – certa e segura como a morte, acaba sempre por se manifestar. O povo de Israel sabia disso, pois lembrava-se da sua libertação do Egipto; daí a sua comemoração da Páscoa.

    Philo e Flávio Josefo – assentes, certamente, em fontes hoje desaparecidas – contam-nos a vida de Moisés no Egipto durante os 30 anos que a Bíblia omite. Aí, nas terras de África, terá tomado conhecimento da doutrina do Deus único de Akhenaton e Nefertiri (pais de Tuthankamom, na verdade Tuthankaton) em Armarna e, com a saída do povo de Israel do Egipto, fundaria a construção doutrinal da grande religião monoteísta.

    Aconteceu, na primeira Páscoa.

    Do mesmo modo que a trindade (defendido inicialmente por escolásticos africanos da Igreja primitiva) tem as suas origens no Egipto, na trindade Osíris, Isis e Horus (Deus da luz, nascido a 25 de Dezembro). Mas tudo, na verdade, pode ser reduzido à procura das nossas raízes em liberdade.

    «O mia Patria, si bella e perduta» (Ó minha Pátria, tão bela e perdida), cantavam os escravos antes de se encontrarem com a liberdade que tinham perdido no Egipto. Ao se ler a letra do hino nacional egípcio se consegue perceber as marcas – conscientes ou não – dessa ideia de liberdade e de amor a Pátria que jaze no coração de todos os homens.

    O local para onde voam todos nossos pensamentos: «onde está no nosso tesouro aí está o nosso coração», dizia o cordeiro de Deus. O amor à pátria e à liberdade é a parte imutável na nossa alma.

    Ah, sigo o coro, pois a minha pátria ainda come o pão asmo da pobreza.

quarta-feira, 19 de março de 2008

~ And I love Her, The Beatles ~

  • THE THOUSANDTH MEN

One man in a thousand, Solomon says.

Will stick more close than a brother.
And it's worth while seeking him half your days
If you find him before the other.
Nine hundred and ninety-nine depend
On what the world sees in you,
But the Thousandth Man will stand your friend
With the whole round world agin you.

'Tis neither promise nor prayer nor show
Will settle the finding for 'ee.
Nine hundred and ninety-nine of 'em go
By your looks, or your acts, or your glory.
But if he finds you and you find him,
The rest of the world don't matter;
For the Thousandth Man will sink or swim
With you in any water.

You can use his purse with no more talk
Than he uses yours for his spendings,
And laugh and meet in your daily walk
As though there had been no lendings.
Nine hundred and ninety-nine of 'em call
For silver and gold in their dealings;
But the Thousandth Man he's worth 'em all
Because you can show him your feelings.

His wrong's your wrong, and his right's your right,
In season or out of season.
Stand up and back it in all men's sight
With that for your only reason!
Nine hundred and ninety-nine can't bide
The shame or mocking or laughter,
But the Thousandth Man will stand by your side
To the gallows-foot - and after!
Rudyard Kipling
Um homem entre milhão – precisam todos. Aquele que está ao nosso lado em qualquer circunstância. Rudyard Kipling faz referência às palavras de Salomão de «O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há amigo mais chegado do que um irmão» (Provérbios, XVIII.24).

Mas Salomão não era – como Rudyard Kipling (basta ler O Livro da Selva ou O Homem que Queria ser Rei para perceber isso) –, um optimista; pois tinha tido irmãos como Amon e Abasalão. Com o fardo do poder, cedo aprendeu que o verdadeiro amigo era a sabedoria e não o homem. Como gostaria(mos) que Rudyard Kipling tivesse razão – e que até os lobos pudessem ser amigos do homem!

Salomão não encontrou o seu amigo (e muito menos amiga, a avaliar pelo que diz - já na velhice - no Eclesiastes). Há quem o encontre e o perca por coisas menores – como em «O Homem que Queria ser Rei» de Kipling. E acontece todos os dias. Eram, sem dúvida, homens de outras eras (a alma humana terá piorado com o passar dos tempos?).
Dá saudades destes tempos não não vividos; não dá?

domingo, 16 de março de 2008

~ O Seppuku de Yukio Mishima ~

  • O suicídio de Yukio Mishima – um dos meus novelistas preferidos –, em nome e defesa da restauração da dignidade e tradições do povo japonês, é um dos acontecimentos mais impressionantes do Século XX.

    O Seppuku ocorre – no Outono de 1970 – na sequência de uma tentativa de subverter, pela via militar, a ordem constitucional japonesa emergente do Tratado de Tóquio de 1945 (imposta pelos aliados) que expurgou o Imperador Hiroito de grande parte dos seus poderes e o humilhou ao obrigá-lo a renunciar a sua condição divina.

    Mishima desejava não apenas a restauração dos poderes do Imperador e das tradições nacionais japonesas – em face da pressão que a sociedade japonesa sofria pela cultura norte-americana – mas um retorno às virtudes ancestrais que, na sua perspectiva, eram susceptíveis de travar a ocidentalização do país.

    Morreu em nome da sua última utopia – como faziam os guerreiros da arcana tradição nipónica. Diz-se que a sua morte foi em vão, que os tempos provaram que estava errado e não precisava de fazer o suicídio ritual.

    Engano. É por saber que estava perante uma utopia e que não podia fazer nada para alterar o rumo da história que resolveu deixar um legado de reflexão com o render da sua vida. Morreu com a honra de escolher o sentido da sua vida – era, para si, um direito morrer com dignidade. Foi um dos primeiros críticos da globalização da cultura e de sentidos de vida - da uniformização do mundo.
  • O vídeo - que sofre de graves imprecisões narrativas, ainda que no essencial o ritual seja esse - não é aconselhável a pessoas impressionáveis.

sábado, 15 de março de 2008

~ O Castigo da Ingratidão Filial, Jean Baptiste Greuze ~

  • ITHACA

    When you set out on your journey to Ithaca,
    pray that the road is long,
    full of adventure, full of knowledge.
    The Lestrygonians and the Cyclops,
    the angry Poseidon - do not fear them:
    You will never find such as these on your path,
    if your thoughts remain lofty, if a fine
    emotion touches your spirit and your body.
    The Lestrygonians and the Cyclops,
    the fierce Poseidon you will never encounter,
    if you do not carry them within your soul,
    if your soul does not set them up before you.

    Pray that the road is long.
    That the summer mornings are many, when,
    with such pleasure, with such joy
    you will enter ports seen for the first time;
    stop at Phoenician markets,
    and purchase fine merchandise,
    mother-of-pearl and coral, amber and ebony,
    and sensual perfumes of all kinds,
    as many sensual perfumes as you can;
    visit many Egyptian cities,
    to learn and learn from scholars.

    Always keep Ithaca in your mind.
    To arrive there is your ultimate goal.
    But do not hurry the voyage at all.
    It is better to let it last for many years;
    and to anchor at the island when you are old,
    rich with all you have gained on the way,
    not expecting that Ithaca will offer you riches.

    Ithaca has given you the beautiful voyage.
    Without her you would have never set out on the road.
    She has nothing more to give you.

    And if you find her poor, Ithaca has not deceived you.
    Wise as you have become, with so much experience,
    you must already have understood what Ithacas mean.
    Constantinos Cavafys
  • Para escutar/listen to: mms://radioterralonge.homeftp.net/radio terra-longe

sexta-feira, 14 de março de 2008

~Maria Blanchard, Composicion Cubista ~


  • «[...] suponhamos um homem em pé. Se eu me dirijo a ele pela direita e me coloco a seu lado, ele estará à esquerda em relação a mim não porque ele mesmo seja esquerda, mas porque eu me coloquei à direita. Agora, se eu me aproximo pela esquerda ele se torna direita em relação a mim: e, de novo, não porque ele seja em si direita (como ele é branco ou alto), mas por causa do meu posicionamento. Fica tudo na dependência de mim e nada tem que ver com o seu ser em si.» Boechio, De Trinitate

quinta-feira, 13 de março de 2008

~ A Marcha Fúnebre de Siegfried, Richard Wagner ~


  • Lucrécio terá sido o primeiro poeta/pensador que, ao se confrontar com a maldade humana, percebeu algo de extraordinário:

    – O homem é mau porque sabe que vai morrer. Somente quem pensa a vida como eternidade é bom. Tenho de concordar; pois é, claramente, algo que distingue as pessoas. A maldade torna o homem pequeno e essa pequenez fá-lo avaliar os outros pela sua estatura. E não vê somente os outros assim; todo o mundo encontra-se sujeito à essa visão.

quarta-feira, 12 de março de 2008

~ Friedrich Nietzsche, Max Klinger ~

Friedrich Nietzsche
Diez mandamientos para escribir con estilo

1. Lo que importa más es la vida: el estilo debe vivir.
2. El estilo debe ser apropiado a la persona, en función de una persona determinada a la que quiere uno comunicar su pensamiento.
3. Antes de tomar la pluma, hay que saber exactamente cómo se expresaría de viva voz lo que se tiene que decir. Escribir debe ser sólo una imitación.
4. El escritor está lejos de poseer todos los medios del orador. Debe, pues, inspirarse en una forma de discurso muy expresiva. Su reflejo escrito parecerá de todos modos mucho más apagado que su modelo.
5. La riqueza de la vida se traduce por la riqueza de los gestos. Hay que aprender a considerar todo como un gesto: la longitud y la cesura de las frases, la puntuación, las respiraciones; también la elección de las palabras y la sucesión de los argumentos.
6. Cuidado con el período. Sólo tienen derecho a él aquellos que tienen la respiración muy larga hablando. Para la mayor parte, el período es tan sólo una afectación.
7. El estilo debe mostrar que uno cree en sus pensamientos. No sólo que los piensa, sino que los siente.
8. Cuanto más abstracta es la verdad que se quiere enseñar, más importante es hacer converger hacia ella todos los sentidos del lector.
9. El tacto del buen prosista en la elección de sus medios consiste en aproximarse a la poesía hasta rozarla, pero sin franquear jamás el límite que la separa.
10. No es sensato ni hábil privar al lector de sus refutaciones más fáciles; es muy sensato y muy hábil, por el contrario, dejarle el cuidado de formular él mismo la última palabra de nuestra sabiduría.

terça-feira, 11 de março de 2008

~ Aires Zíngaros, de Pablo de Sarasate, Sarah Chang (violino) & Berliner Philharmoniker ~

  • Porque as coisas belas devem ser compartilhadas.

Wang Wei
TO QIWU QIAN BOUND HOME AFTER FAILING IN AN EXAMINATION

In a happy reign there should be no hermits;

The wise and able should consult together...

So you, a man of the eastern mountains,

Gave up your life of picking herbs

And came all the way to the Gate of Gold --

But you found your devotion unavailing.

...To spend the Day of No Fire on one of the southern rivers,

You have mended your spring clothes here in these northern cities.

I pour you the farewell wine as you set out from the capital --

Soon I shall be left behind here by my bosomfriend.

In your sail-boat of sweet cinnamon-wood

You will float again toward your own thatch door,

Led along by distant trees

To a sunset shining on a far-away town. .

...What though your purpose happened to fail,

Doubt not that some of us can hear high music.

segunda-feira, 10 de março de 2008

  • «A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós.» Marcel Proust