domingo, 16 de março de 2008

~ O Seppuku de Yukio Mishima ~

  • O suicídio de Yukio Mishima – um dos meus novelistas preferidos –, em nome e defesa da restauração da dignidade e tradições do povo japonês, é um dos acontecimentos mais impressionantes do Século XX.

    O Seppuku ocorre – no Outono de 1970 – na sequência de uma tentativa de subverter, pela via militar, a ordem constitucional japonesa emergente do Tratado de Tóquio de 1945 (imposta pelos aliados) que expurgou o Imperador Hiroito de grande parte dos seus poderes e o humilhou ao obrigá-lo a renunciar a sua condição divina.

    Mishima desejava não apenas a restauração dos poderes do Imperador e das tradições nacionais japonesas – em face da pressão que a sociedade japonesa sofria pela cultura norte-americana – mas um retorno às virtudes ancestrais que, na sua perspectiva, eram susceptíveis de travar a ocidentalização do país.

    Morreu em nome da sua última utopia – como faziam os guerreiros da arcana tradição nipónica. Diz-se que a sua morte foi em vão, que os tempos provaram que estava errado e não precisava de fazer o suicídio ritual.

    Engano. É por saber que estava perante uma utopia e que não podia fazer nada para alterar o rumo da história que resolveu deixar um legado de reflexão com o render da sua vida. Morreu com a honra de escolher o sentido da sua vida – era, para si, um direito morrer com dignidade. Foi um dos primeiros críticos da globalização da cultura e de sentidos de vida - da uniformização do mundo.
  • O vídeo - que sofre de graves imprecisões narrativas, ainda que no essencial o ritual seja esse - não é aconselhável a pessoas impressionáveis.

3 comentários:

Ariane Morais-Abreu disse...

Impressionada fiquei na minha infância quando vi a historia deste escritor interpretada pela camara cinematografica. Ficou gravada na minha memoria de adolescente que muito se questionou sobre tal acto. Manejava a escrita, mas preferiu imortalizar a sua morte com uma imagem carnal, ritual, simbolica porque ja sabia qual combate a realidade nippona ia ter com as imagens utopicas impostas com barbaridade. O mal contra o mal!! O presente nao desmente...

Anónimo disse...

É FICÇÃO OU REALIDADE? é que não consigo ver o video até o fim...
é chocante!

Virgílio Brandão disse...

Mishima, realmente, se suicidou assim.

Mais: o seu companheiro, que deveria dar o golpe final, não conseguiu fazer e quem o fez fez mal.... O que tornou o seu sofrimento ainda maior.

É, realmente, violento. Avisei...

O mal, Ariane, é inerente à nossa natureza e temos de aprender a viver com isso.