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terça-feira, 24 de maio de 2011


My heart is a place of prayer... says the poet.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

  • Aos leitores, ouvintes e amigos de e em terra-longe.

sábado, 21 de novembro de 2009

  • MANHATHAN SWEET1

    Copo: Cocktail glass
    Ingredientes:
    2 oz de Makers Mark ou Jack Daniels (Four Roses ou Jim Bean servem, mas dá um sabor diferente, mais delicado ou efeminado diria);
    ½ oz de Martini;
    2 gotas de angostura bitter (em regra usa-se uma mas eu gosto com duas pois fica com um travo mais forte);
    Uma cereja cristalizada.
    Forma de preparar:
    (i) Refrescar o copo
    (ii) Meter gelo em cubo no shaker
    (iii) Colocar o bourbon e o vermute no shaker e mexer (não bater, pois o gelo alarga e a bebida fico com sabor a água e o angostura bitter abre e dá uma aspecto turvo, castanho e desagradável a bebida que deve ter aparência próximo do bourdeaux, além de que o sabor é influenciado pela mistura violenta)
    (i) De seguida verter no copo, e depois colocar a cereja cristalizada (convêm que seja mesmo cristalizada, pois, por vezes, usa-se cereja em calda e/ou de conserva e não é a mesma coisa).

    Serve, e verá que terá uma bebida extraordinária (se não acertar a primeira, vai tentando pois o processo de aprender também educa o palato). Pode, quando já estiver treinado, verter o máximo de três gotas de angostura bitter no copo e brincar com a imaginação rodando o copo e fazendo desenhos abstractos antes de verter os demais líquidos no copo. Para as Senhoras, pode-se fazer com 1 ½ bourbon e 1 ½ de martini (pode ser dry martini para quem aprecie bebidas secas, o que altera ligeiramente a originalidade da bebida, mas descobrir é bom, não é?) e misturar os dois tipos de martini: rosso e bianco. Mas melhor mesmo, é experimentar até encontrar a "sua" formula.

Imagem: Diya Mirza

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[1] Prometi deixar aqui a receita, e cá está.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

VICIADOS NA PARTIDARIZAÇÃO

O Expresso das Ilhas publicou um artigo de opinião de Ulisses Correia e Silva, Presidente da Câmara Municipal da Praia. "Viciados na Partidarização" é um texto a ler com atenção por todos os cabo-verdianos.

«O Estado tem responsabilidades pela orientação da política de educação, da cultura e da comunicação social - veículos de mudanças comportamentais - mas para que as suas opções e acções produzam efeitos na alteração do estado social, é preciso que ele seja autêntico e engajado com essa transformação. Não é o que acontece entre nós. E a responsabilidade é principalmente dos partidos políticos.

«A prática política ou é diferente do discurso político, ou o discurso político não é clarificador e permite que práticas perversas predominem. Há um excessivo peso do político/partido face à sociedade, característica de um país dependente da ajuda externa e da dívida externa, com uma economia distributiva e da não libertação ainda dos resquícios do Partido/Estado. Mas o mais determinante, é que se joga um jogo de interesses que torna o exercício do poder refém da partidarização e do clientelismo» Ulisses Correia e Silva dixit.

Aqui está um artigo da lavra de um político com responsabilidades – no passado e no presente, e de quem se espera que venha a assumir outras no futuro; e tal só dependerá dele mesmo – a ter um discurso que não deve cair em saco roto, que deve levar os cidadãos e os órgãos e agentes do Estado a pensarem se querem ter um Estado social ou um Estado de partidos e dos seus clientes. A opção é tautológica.

Daqui, de terra-longe, um bem-haja ao Ulisses Correia e Silva por esta denúncia, por colocar o dedo numa ferida que anda coberta de seda mas que, antes de gangrenar, é necessário espreme-la e retirar o pus malcheiroso. Que estas ideias sejam norte da sua gestão na capital da nação, pois os praienses e todos os cabo-verdianos precisam de um Estado, central e local, que não seja clientelar.
Que outras vozes, de políticos que sabem do que falam pois são parte «do sistema», venham a terreiro dizer, com a mesma frontalidade e elegância, o que diz Ulisses Correia e Silva. Mas (e há este mas…), palavras sem acções de pouco valem – e o povo, esse que «não é ignorante», espera mais e melhor dos seus representantes (inclusive do Ulisses Correia e Silva — a esperança do povo é mais funda que a Fossa das Marianas).

Imagem: Ulisses Correia e Silva, Presidente da Câmara Municipal da Praia (in Expresso das Ilhas)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

  • DIES IMPERII

Há dias em que acordo a meio da noite: queria abrir a janela, pensar que é tarde e acordo, abro a janela e vejo rebanhos descendo a enseada de uma colina… — diz-me o meu poeta.

Imagem: Tick Tock a Bit Longer, Luiz Royo

  • O PRAZER DO PRAZER DA PARTILHA

Depois de muito procurar, e por um inesperado golpe da Fortuna consegui adquirir uma moeda que ansiava: um denarius de prata do Imperador afro-romano Severo Alexandre, de 223/224 d.C. — o último Imperador da dinastia Severa. IMP SEV ALEX ANT AVG (diz a cara da moeda) e AEQVITAS AVG (na coroa). Um momento de prazer, esse de ter nas mãos uma moeda com 1776 anos e pensar nas pessoas que compraram e pagaram escravos, pão, azeite, vinho, o prazer meretriz e tantas outras coisas.

E compartilho isso contigo, leitor de Terra-Longe. E não é pela moeda ter mais de mil e setecentos anos, não: é por ser de Severo Alexandre Antonino, um imperador extraordinário e por aquilo que representa; para mim em particular, depois de ter dado como terminado o meu livro: Os Imperadores Africanos do Império Romano — A Multiculturalidade no Berço da Europa. Agora pergunto a mim mesmo: onde encontrarei um denarius de Clodius Albinus, Didius Julianus, Ophelius Macrinus e Helvius Pertinax (este, não sendo um africano, um imperador que admiro em particular)?

Mas a minha busca por um denarius de ouro de Septimius Severus Afri (de 193 d.C., 201 d.C. ou de 211 d.C. – esta da Aphoteose, Consecratio de Severo) continua. Se alguém puder me ajudar…

Imagem: Severo Alexandre Antonino, filho de Antonino Bassiano (Caracala) e neto de Septimio Severo Afri

sábado, 23 de maio de 2009

  • RAÍZES/ROOTS
Este é Nhô Pedro Nhana (Pedro Alexandrino Brandão), meu bisavô. Pai de Sabino Teixeira Brandão (meu avô) e avô de Virgílio Teixeira Brandão – meu pai. Estranho prazer este: ver a fotografia de uma pessoa que seguiu para a maior aventura ainda antes de eu ser gerado e entregue ao Mundo. A isso se chama genealogia, das margens do Vulcão. Obrigado, Tio Agostinho.

Fica aqui, para a multidão dos meus familiares que, como eu, nunca o conheceram.

Imagem: Nhô Pedro Nhana (Pedro Alexandrino Brandão) – meu bisavô.

sábado, 18 de abril de 2009

  • ON THE SALE BY AUCTION OF KEATS’ LOVE LETTERS
These are the letters which Endymion wrote
To one he loved in secret, and apart.
And now the brawlers of the auction mart
Bargain and bid for each poor blotted note,

Ay! for each separate pulse of passion quote
The merchant’s price. I think they love not art
Who break the crystal of a poet’s heart
That small and sickly eyes may glare and gloat.

Is it not said that many years ago,
In a far Eastern town, some soldiers ran
With torches through the midnight, and began

To wrangle for mean raiment, and to throw
Dice for the garments of a wretched man,
Not knowing the God’s wonder, or His woe?
---- Oscar Wilde

  • Imagem: Maria Madalena, El Greco

quarta-feira, 15 de abril de 2009

  • PROVÉRBIOS DO INFERNO
«A nudez da mulher é a obra de Deus», William Blake, «Provérbios do Inferno (25)», in O Casamento do Céu e do Inferno

Imagem: Brothel on the Rue des Moulins Rolande, Toulouse Lautrec (1894)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mais do que os Lusíadas, é outro mundo que espreita na alma; anseia acordar.
.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
--- Luis de Camões


Imagem: Luis Royo, in Subversive Beauty, The Five Faces of Hecate

quinta-feira, 19 de março de 2009

  • DESPERTAR(es)
Acordo. O dia está belo – estranhamente belo. Dou graças a El Shaday pelo milagre: contemplo o Mundo das janelas da minha alma, e espanto-me. Medito um pouco, e espanto-me ainda mais. Escrevo meia dúzia de poemas. Compartilho um contigo que me lês e, depois da minha alma, escuto Teresa Teng e as sonatas de piano de W.A. Mozart executadas por Maria João Pires – pensando no que aconteceria se Mozart tivesse morrido menino nas ruas de Salzburgo, se Lutero tivesse sido vítima de abortamento numa favela do seu tempo, se a sua mãe ou o seu pai não o tivessem desejado – pior: se tivesse ficado em silêncio quando falou.

… seria, eu, infinitamente pobre.

Somos vagalumes, gafanhotos a atravessar um oceano de tempo. Acordo. Não de ontem, não de ontem. Nem do sono, nem da noite. Simplesmente acordo.

Imagem: Caveira, como quase todos acabam...

domingo, 15 de março de 2009

  • A DIMENSÃO DA ARTE
«Hoy en día se quiere explicar todo. Pero si se pudiera explicar un cuadro, no sería una obra de arte. ¿Debo decirle a Vd. qué cualidades constituyen a mi juicio el verdadero arte? Debe ser indescriptible e inimitable... La obra de arte debe cautivar al observador, envolverle, arrastrarle. En ella comunica el artista su pasión; es la corriente que emite y por la que incluye al observador en ella.» Pierre-Auguste Renoir

Imagem: La Tresse (Suzanne Valadon), Renoir

quarta-feira, 11 de março de 2009

  • POR ONDE ANDAS, ELECTRA?
Está um belo dia em Lisboa! Convida a um momento à beira-mar. É um crime contra a alma não beijar este Sol de braços divinos. I can´t resist temptation – como dizia o poeta. E vou!, sim vou.

Mas assaltou-me, agora – que antinomia! –, uma pergunta:

– Que aconteceu à ELECTRA para estar tão cumpridora? Será um efeito lateral de, por antecipação, estar para aprender a conhecer-se a sim mesma?

Bela luz, esta de Lisboa! Belo Sol, este que banha o Mundo e a hora que se segue. Pereat mundus.

Imagem: Carmen Electra, lagunar…

quinta-feira, 5 de março de 2009

Cristo en la Cruz, Salvador Dali, 1951

sábado, 24 de janeiro de 2009

  • DRY MARTINI… SECA DE NOITE

Estou a trabalhar, apetece-me um Manhattan sweet straight up – com Makers Mark ou Jack Daniels e um toque de angostura Bitter. Ah, uma multidão de beijos, também... Mas não dá –estou a trabalhar. Para não ser acusado de só aconselhar livros e de gostar demasiado da natureza, aconselho um outro prazer. Pode ser este: a classic martini.

Assim, quando for beber um ou dois martinis, seja ele um dry martini (se gostar de gin, peça com Bombay) ou uma vodka martini, deixe-me dar-lhe dois conselhos:

1. Peça sempre straight up – mexido mas not shaked, É que se for batido no shaker o gelo dilata e a sua bebida fica com sabor a água, perdendo parte substancial do sabor. O old James Bond sabia porque o pedia assim… pois claro! Se gosta da bebida fresca, certifica-se de que o glass é previamente refrescado e que a bebida não fique muito tempo em contacto com o gelo.

2. Peça ao barman, de preferência, uma cebolinha para o martini – se o estabelecimento tiver, é porque está, em princípio, num sítio de qualidade. Caso não haja cebolinha, virá, necessariamente, com uma azeitona. Mas atenção: uma azeitona de martini – não uma recheada. Se for desta, manda a bebida para trás! A azeitona recheada (como a que está na imagem) é para uso culinário e boa para churrascos, mas se beber o martini com ela fica(rá) com o sabor a pimento ou algo análogo na boca. Não é essa a ideia que terá de um dry ou um vodka martini, pois não?

– Ah, mas isso é nove horas a mais para uma bebida… – dir-me-á. Talvez… mas eu gosto de conhecer os meus prazeres e apreciá-los. E quem os serve deve saber como servi-los, não é?

  • Imagem: Vodka martini em copo quente e azeitona recheada…

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

  • COISAS DE MENINO

Lembro–me – sem nunca o ter visto
– de ter escutado
Nhô Pâde Fernand dizer:
«Aflora a tua alma
ao bem: só o desejo
aplaca o desejo
e o teu olhar na sebe da Lua
amanhã.»

terça-feira, 16 de setembro de 2008

  • «Donne-moi, ô toi qui as créé la vache, les eaux et les plantes; donne-moi l'incolumité et l'immortalité, ô esprit auguste, Mazda! La puissance et la prospérité selon ta loi, par le bon esprit.» In, Avesta, «Le Livre Sacré dês Anciens Perses», tome I, Zoroastre, LXIV.xv.61

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

  • Almond blossom, Van Gogh

terça-feira, 19 de agosto de 2008

  • Aishwarya Rai

[...]
.
Estou em período de férias. Aproveito para descansar a alma. Há muito que aguardava um momento de tranquilidade para ler Silja de Eemil Sillanpää – um livro extraordinário que esperava há anos para entrar na minha lista de grandes obras –, terminar a biografia de José María Escrivá, as Cartas de Napoleão a Maria-Luíza e atentar com calma em Leonardo da Vinci – Pintura, Desenhos e Esboços de Frank Zöllner.

Aproveito para começar a rabiscar um texto que há muito desejava colocar no papel: África, Europa e Democracia. Vamos ver se deste programado ócio de verão sai alguma coisa de jeito.

Ah, Raquel Ferro, para a semana segue para o Mindelo Silja de Eemil Sillanpää. Ficou tanto tempo perdido (imerecidamente) na multidão dos meus livros que deixou de me pertencer; deixei de o merecer e de o chamar meu. Mereço uma pena, mas deve ser leve. Mereces, como amante de livros, que seja teu! É a minha pena, com prazer.