sábado, 16 de fevereiro de 2008

  • Francisco de Quevedo,
    SEPULCRO DE JASÓN, EL ARGONAUTA.
    HABLA EN ÉL UN PEDAZO DE LA ENTENA DE SU NAVE, EN CUYA FIGURA SE SUPONE ESTÁ PROSOPOPEYA


    Mi madre tuve entre ásperas montañas,
    Si inútil con la edad soy seco leño;
    Mi sombra fue regalo a más de un sueño,
    Supliendo al jornalero sus cabañas.

    Del viento desprecié sonoras sañas,
    Y al encogido Invierno el cano ceño,
    Hasta que a la segur, villano dueño
    Dio licencia de herirme las entrañas.

    Al mar di remos, y a la patria fría
    De los granizos velas; fui el primero
    Que acompañó del hombre la osadía.

    ¡Oh amigo caminante, oh pasajero,
    Dile blandas palabras este día
    Al polvo de Jasón mi marinero!

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  • Hoje, vou a um funeral. Faz-me mal à alma – ainda que tenha como certo que um homem se vê na sua morte e não nas alegrias da vida –, sinto saudades do mar e de um outro futuro que tarda. Ah, deveria ser proibido morrer! – penso sempre. É de um jovem cabo-verdiano que abraçou o sonho da emigração e que acabou por descobrir que a forma mais fácil de ganhar a vida não era acordar de madrugada e chegar à casa ao fim do dia cansado. Mais uma vítima de outro tipo de corruptores que assaltam a alma da e(i)migração jovem.

    Acabou, fatalmente, nas malhas da justiça mas não teve a infelicidade de ter conhecido a prisão. Foi meu cliente e acabamos nos tornando amigos, pois era uma pessoa simples, alegre, afável e estranhamente grato. Depois do julgamento e da leitura da sentença disse-me:

    – «Dr., esta serviu-me de lição. Vou mudar de vida e pensar no meu futuro».

    – Pois… Disse-lhe sorrindo, pois não acreditava que fosse capaz de mudar de vida – não daquela tão lucrativa, ainda que fosse por causa do seu filho recém-nascido. Ao saber que tinha ido para Cabo Verde, voltei a sorrir para mim mesmo, agora feliz por me ter enganado.

    Mas voltou à Lisboa. Falamos uma vez ou outra, aconselhando-o a “ter cuidado” e “juízo”. Há pouco mais de um mês, os irmãos e demais familiares deram-me a notícia de que o mesmo, depois de ir encontrar-se com uma pessoa, tinha desaparecido sem deixar rasto. Coisa estranha nele, pensava a família.

    Há dois dias recebi um telefonema do cunhado. O seu corpo tinha fora encontrado na mata do Monsanto em Lisboa. Estava morto, presumivelmente assassinado.

    O futuro tranquilo em Santana – Santiago – que procurava construir em Terra Longe desapareceu aos 29 anos; os sonhos ficaram a rastejar entre os dejectos da prostituída mata e deixa aos muitos amigos um exemplo sobre os caminhos que não se devem trilhar. Espero que a sua morte não tenha sido em vão.
  • Descanse em paz, Leno. Beberei um grogue por ti e lembrar-me-ei, sempre, do teu sorriso de menino inconsciente e traquinas. Para ti, fica este tardio Future, de Leonard Cohen.

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