- DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e subtil recreio...
----- Mario Quintana
Imagem: H.R. Geiger
Cicero discursando contra Catilina no Senado.
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Ah, cá está! Cá está a razão porque se diz que os gatos têm sete vidas…
Imagem: Belo gato, não é?
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“A ti, Lázaro, me dirijo. Falo-te, porém não sei se me ouves; invoco quando deve haver de levantado na tua alma e a incerteza do teu olhar apenas me dá a impressão fria da caligem que envolve a tua inteligência, da miséria em que se empocilga a tua triste existência moral. Fisicamente, eu sei, existes: bem te vejo curvado sob a mó de um labutar esmagador, investindo com quanto há de tempestuoso na adversidade para que não falte o pão na boca dos teus filhos. Moralmente, porém, não oiço a tua voz no concerto das vontades orientadas na disciplina e fortalecidas na união.
Vítima da dissolução do meio em que fadejas, pessoa civil sem valor real; força política sem consciência de direitos; dizer-te vivo é caluniar a tua incapacidade cívica e intelectual.
Tua sombra hesitante, eu a enxergo dentro da escura nulidade a que te reduziu o desmarcado egoísmo dos últimos degenerados da nossa orgia administrativa. O que têm feito, por ti, esses que, com proficuidade, podem exercer benéfica acção moral e política? Quando é que para elevar o teu nível moral ou económico sacrificam, eles, a mínima parcela do seu tempo ou do seu dinheiro? Quando é que se deixaram de abusar da tua ignorância? Quando foi que eles viram, na política, não um meio de fazer frutificar habilidades em proveito próprio, mas uma força de fazer progredir povos?
A tua classe preponderante não é um elemento de acção política; não é uma engrenagem do progresso; é uma das faces mais ridículas do egoísmo. “Cumpre, pois, irmão, o dever iniludível de exercer os teus direitos políticos. “Educa-te; une-te; disciplina-te; se associares o teu trabalho ao trabalho dos outros, de muitos, quando não possa ser de todos; trabalharás muito menos e lucrarás muito mais... Porque a riqueza de um, meu amigo, é, quase sempre conseguida à custa da miséria de muitos...”
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Imagem: Luís Royo
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Cristãos e Muçulmanos: Juntos para vencer a pobreza
MENSAGEM PARA O FIM DO RAMADÃO
‘Id al‑Fitr’ 1430 H. / 2009 A.D.
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«O objetivo da existência é a iluminação. Só há um tempo em que é fundamental despertar. Esse tempo é agora», Siddhartha
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«A tua atitude deve ser como a de um herói sem medo; mas o teu coração deve ser como o de uma criança, cheio de amor», Regras de Soyen Shaku
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Está aí o Natal. Como é tradição, fazem-se oferendas – como fizeram ao menino Jesus quando nasceu. A ele ofertaram ouro, incenso e mirra; ouro significando a sua realeza, incenso a sua divindade e mirra a dor que sofreria. Assim, uma prenda é, deve ser, mais do que uma coisa – deve ser e ter um simbolismo.
Eu, com se sabe, gosto de ler e acho que o livro é uma das formas de excelência da cultura e que não se esgota na sua forma nem no seu sentido instrumental. No tempo em que se vota neste ou naquele, com mérito ou demérito de proximidade e de amizade, é necessário cultivar a alma, buscar a excelência como o pomo de ouro da alma.
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5:59:00 p.m.
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A Prostituta e o Gigante, William Blake
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O site africanidade anunciou o que se sabia e era esperado há muito: um cidadão de origem cabo-verdiana será candidato à Câmara Municipal da Amadora. Ao caso, Francisco Pereira.
Em Lisboa, haverá um outro candidato de origem africana. Odivelas, Loures e outros locais improváveis, também… vai-se sabendo, devagar. É uma revolta contra na não inclusão dos afro-descendentes nos quadros e nas listas dos partidos políticos, se ser para colorir.
Aplaudo a candidatura de Francisco Pereira, com a sensação de que não andei, durante anos, a pregar no deserto. E fico à espera das outras candidaturas, necessárias. E não se pense que se está perante qualquer mimetismo, não…
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Li um artigo «Homossexualismo – Uma Análise Mais Ancorada» da lavra do Economista Manuel Fernandes no jornal cabo-verdiano A Semana (31.10.2008) e que versava sobre a homossexualidade e achei as suas ideias mesolíticas, pois estão ancoradas em duas linhas de pensamento – o trogloditismo e a envangelismo radical (admirei-me até que não tivesse dito, como alguns evangélicos reformadores afirmam, que a homossexualidade é possessão demoníaca).
Ancorará o seu pensamento económico em preconceitos tão básicos? É que a sua análise revela um desconhecimento abissal da psicologia do desenvolvimento. Numa coisa está certo – as origens do comportamento homossexual jazem na infância e, salvo algumas excepções, os homossexuais foram vítimas de abusos sexuais na infância.
Agora, extrapolar esse facto para procurar uma «cura» é, no mínimo um non sense. Como deverá saber o M.I. Economista – pelas leituras que diz ter feito – a pessoa forma-se ao longo do tempo e tem uma idade cronológica e uma idade mental. Entre os 16 e os 21 anos a personalidade da pessoa está formada e isso, definitivamente, determina as suas opções ao longo da vida. Sim, depois de formada como pessoa, a personalidade individual é inalterável.
Como deverá saber o M.I. Economista, para se saber se é ou não doença teria de fazer o diagnóstico da situação do «paciente». Ora, no caso tem é um facto que não constitui em si um diagnóstico (pensará num distúrbio psico-social ou numa “doença da vontade”) e, a partir dele, extrapola para além do admissível.
Ah!, já agora… que prognostico tem para esses «doentes» e qual é a cura? Depois compartilharei uma estória verídica em torno desta realidade e sobre esse tipo de “cura” – nihil novi sob soli, M.I. Economista... Análoga ao que se faz para os toxicodependentes? M.I. Economista Manuel Fernandes, give me a break e vá curar os livros de Adam Smith, Samuelson, Nordaus, Kantorovich, James Buchanan e companhia.
Não se trata de uma doença, M..I. Economista, mas de uma personalidade definida e condicionada para dado comportamento sexual; por isso se fala em crimes – no direito penal sexual – contra o desenvolvimento da personalidade, a autodeterminação sexual (nos crimes sexuais contra menores), pois é disso que se trata. É uma personalidade – e sabe(rá) o M.I. Economista o que isso quer dizer – diferente, diversa da maioria das pessoas, mas uma personalidade. E como tal deve ter a liberdade de fazer o que quer, quando e com quem quer da sua vida sexual.
Sou, por educação, homofóbico; sim. E depois? Sou culpado pela cultura que tenho? Ah, não, não me chame o Prof. Figueiredo Dias nem invoque a «culpa na formaçao da personalidade». Mas isso não quer dizer que deseje que os homossexuais sejam heterossexuais como eu sou; pois não me pedem isso. Ah, mas porque as pessoas têm de ser iguais umas às outras? A diferença é um bem social, não um mal.
Sou frontalmente contra o casamento formal homossexual – por razões que não vêm ao caso e que nada têm a ver com a autodeterminação sexual alheia –, mas não sou contra a adopção de crianças por casais homossexuais pois, ao contrário do que se pensa, o homossexualismo «não pega» como as DST´s e não existe nenhuma razão sustentada para que não possam criar e educar uma criança, pelo contrário.
O homossexual, por causa do estigma social a que está sujeito, é um sofredor de natureza e, por essa razão, a humanidade tem beneficiado do grande engenho de muitos que transformaram a sua dor em beleza. Basta(rá) olhar para a história da literatura mais recente para se ter essa percepção.
Mas o M.I. economista certamente que nunca leu «Leaves of Grass» de Walt Withman, «O Retrato de Dorian Gray» de Óscar Wilde, «Note Book» de Ludwig Wittengstein (um belíssimo diário escrito nas trincheiras durante a I Guerra Mundial – não confundir com a obra filosófica), «Mar de Fertilidade» de Yukio Mishima… nem deverá ter atentado na poesia alexandrina de Konstantinos Cavafis. É que pode pegar… o bom senso e o sentido de humanidade.
Ah, esquecia-me de referir que muitos homossexuais foram «curados» nos fornos de Auschevitz Birkenau. Pois... eu e o país ficamos a saber que o M.I. Economista Manuel Fernandes nunca bateu uma punheta (era mais bonito dizer masturbação, não era?). Está bem, vernaculemos. Ficamos todos a saber que o M.I. Economista Manuel Fernandes nunca se masturbou, casou virgem e que não olha para as mulheres do próximo ou próximas.
É que, de outro modo, precisaria, também, de terapia (penitências, Ave Marias e Padre nossos? – não, pelo discurso não faz nada disso… é mais evangélico tradicionalista) pelo «equívoco» e «anomalia sexual» que é punhetar. Deus! Texto infeliz, M.I. Economista Manuel Fernandes. Infeliz, também, a sua publicação.
O M.I. Economista Manuel Fernandes deve ter seguido há muito o conselho de S. Paulo aos Coríntios «libertinos» (bem mais do que os romanos): «mais vale casar do que abrasar». Pois… Sim, o Tchicai tem o direito de sonhar (até de ser Tchicau), como os economistas puritanos fazem. Felizmente vê uma sociedade mais bela e livre de preconceitos ou pré conceitos – que, como, falava no outro dia com um amigo, são coisas substancialmente diferentes.
E, de repente, lembrei-me de Joerg Haider. Não me perguntem porquê…
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NÃO ACABARÃO NUNCA COM O AMOR
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Virgilio Brandao
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