sábado, 29 de março de 2008

MEMÓRIA...

Porque o Mundo não é feito somente de coisas belas, lembro que a guerra continua no Iraque, os conflitos armados assolam o Sudão, a República Democrática do Congo, o Tibete, a Eritreia, o Chade, a Colombia, a Somália, Myarmar…

– «Faria tudo de novo», disse o Presidente George W. Bush na sua última presença no Congresso antes de deixar a Casa Branca. O fazer tudo de novo quer dizer – invadiria o Iraque; mesmo sabendo que as suas razões eram putativas.

Será que o seu conselheiro espiritual não lhe disse que errar é humano e que persistir no erro é pecado? Será que ninguém lhe mostrou as imagens das vítimas inocentes da sua acção? A vida de Shadam Hussein e a imposição da ideia de Democracia a quem não a quer nem quer saber dela mereciam tantas vidas inocentes? A balança da História é a mão na parede: Mene Mene Tequel U Farsim.

Verdadeiramente há quem tenha olhos e não veja.
  • Foto: Vítimas dos bombardeamentos ao Iraque.

2 comentários:

Anónimo disse...

“The similarities between Iraq and Darfur are remarkable. The estimate of the number of civilians killed over the past three years is roughly similar. The killers are mostly paramilitaries, closely linked to the official military, which is said to be their main source of arms. The victims too are by and large identified as members of groups, rather than targeted as individuals. But the violence in the two places is named differently. In Iraq, it is said to be a cycle of insurgency and counter-insurgency; in Darfur, it is called genocide. Why the difference? Who does the naming? Who is being named? What difference does it make?”.
Estas são algumas das questões pertinentes que um dos mais brilhantes académicos africanos, o ugandês Mahmood Mamdani, traz-nos em “The Politics of Naming: Genocide, Civil War, Insurgenc”.
Mahmood Mamdani é professor na Universidade de Columbia, no departamento de Antropologia, Ciência Politica e Assuntos Internacionais, e neste excelente texto analisa a forma como a política externa norte-americana e alguma comunicação social abordam o conceito de “genocídio”.
Mandami, a meu ver, é um dos mais lúcidos a reflectir sobre a África pós-colonial, mostrando-nos que para entendermos a África contemporânea temos de recorrer à África colonial e pré-colonial, mas principalmente ao colonialismo tardio. Temas como a construção do Estado e a “Sociedade Civil” em África entre outras questões são deslumbrantemente abordadas no seu clássico “Citizen and Subject: Contemporary Africa and the Legacy of Late Colonialism”. Na minha opinião, todo o africano devia lê-lo, pois é uma visão moderada, séria e bem argumentada sobre a África pós-colonial.É uma obra fascinante!
Um outro extraordinário livro dele é o “When Victims Become Killers: Colonialism, Nativism, and Genocide in Rwanda”, que é uma obra arrebatadora!
Mais recentemente deu à estampa o Good Muslim, Bad Muslim: America, the Cold War and the Roots of Terror. Ainda não o li, mas parece ser muito interessante. É que para além das temáticas africanas é um profícuo conhecedor do contexto islâmico de uma forma geral.
Virgílio, se puderes, dê uma espreitadela aqui neste link http://www.lrb.co.uk/v29/n05/mamd01_.html e leia o “The Politics of Naming: Genocide, Civil War, Insurgenc”.
Aquele Abraço!
Ruben.

Virgílio Brandão disse...

Ruben,
Imprimi o texto do Mahmood Mamdani e vou lê-lo com calma.

A verdade é que andamos muito distraídos sobre o que é produzido pelos académicos africanos ou de origem africana… Muita vezes tenho a sensação de que não deixamos de ser “filhos dos colonizadores”.

Mas o que fazer? Lutar contra isso – mas os países africanos, nomeadamente os falantes de português, não fazem praticamente nada para o conhecimento e a preservação da memória colectiva de África.

As vezes penso que deveria viver nos Estados Unidos – ainda que não goste muito do estilo de vida do país.

Abraço, e obrigado pela dica do texto que desconhecia.