terça-feira, 15 de Julho de 2008

  • PEDRO PIRES, O CONDECORADOR
A propósito do decreto presidencial de Pedro Pires que condecorou algumas associações em Portugal, uma pergunta que me persegue há dias: As associações de imigrantes que têm trabalho em prol da emigração cabo-verdiana só existem em Portugal?

Diz o Presidente da República que essas associações "têm grandemente contribuindo para o desenvolvimento da solidariedade social entre os emigrantes e para manter viva a sua ligação à Terra-Mãe". Mas será que a Presidência da República tem a mínima, mas a mínima ideia, sobre o que se passa em Portugal e sobre o trabalho que se faz e quem o faz em prol da comunidade?

A resposta é, claramente, não!

A Associação Cabo-verdeana (ACV) – pela sua história e ser a mais antiga associação de imigrantes em Portugal e provavelmente a mais antiga do associação de cabo-verdianos do planeta – há muito que merecia uma distinção honorífica do Estado de Cabo Verde.

Mas agora, sim, agora não era nem é o momento adequado para isso. E se a Presidência da República não sabe isso, o que fazer? Creio que a própria Direcção da ACV deverá estar perplexa (parece que os condecorados não foram previamente ouvidos, antes da publicação do Decreto presidencial...), pois há muito que espera mais do Estado de Cabo Verde e, com ou sem razão, deverá pensar que merecia um outro momento. Como sócio da instituição é o que penso, e não me encontrarei só, não.

Mais ainda. O quê é que o Congresso de Quadros Cabo-verdianos na Diáspora fez em concreto, até hoje, em prol das comunidades imigradas em Portugal e para Cabo Verde para merecer tal distinção? Quem souber, que me diga. Sou 1,85 cm de ouvidos! Quem souber, merece que lhe pague um jantar na Casa da Morna, ah, merece! Se for preciso equipamento de garimpeiro, avise...

Voltarei ao assunto, quando for oportuno; e vai haver tempo para isso. O certo é uma coisa: Mascarenhas Monteiro ficou conhecido como um presidente corta fitas, o Presidente Pedro Pires – que já teve muitas oportunidades para ser um Presidente para a história de Cabo Verde – arrisca-se, infelizmente pois é um bom homem, a ficar conhecido como Pedro Pires, o Condecorador; é que, assim, não restará quem condecorar no futuro, dir-me-ão.

O pior é que isso não é verdade, pois muitos que mereciam e merecem ser condecorados não o são. Mas a história dar-lhes-á razão; não podemos fugir do juízo da história. Além do mais, para responder à questão inicial, esta decreto presidencial arrasta um quê de injustiça (e é mais do que um parecer) para com as demais associações da diáspora que, abnegadamente, trabalham em prol das comunidades cabo-verdianas.

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