_______________________________________ OS LIMITES DA UTILIDADE
terça-feira, 6 de abril de 2010
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Imagem: Gennady Shlykov
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
HERÓIS INSTRUMENTAIS
Ontem, ouvindo a RCV, fiquei com a sensação de que tinha viajado no tempo, que estava nos primeiros anos depois da Independência. Absolutamente único! Em tudo. Até no herói. Amílcar Cabral é um herói de Cabo Verde, mas o dia não era dos heróis? A RCV fez uma interpretação ontologicamente subversiva e, na prática da sua emissão, considerou o PAIGC/CV um herói, pois tudo soou a uma imensa propaganda do partido no poder, a um deja vu da propaganda política pós independência.
Adivinho que isso irá acontecer, depois. A datas das eleições devem ter estas coisas em consideração, pois a política é muito mais do parece. E o que parece em regra é, pois a realidade não se engana; ainda que a nossa realidade se deixe enganar. Foi uma forma de festejar o PAIGC/CV e não os heróis nacionais – como é o caso merecido de Amílcar Cabral, pelo humanismo objectivo da nossa luta contra o jugo do poder colonial e que ele soube corporizar ao dar a voz e a vida por ele –, uma forma subliminar de afirmar um herói colectivo, a «força dirigente da nação».
Não vale a pena construir heróis colectivos, pois se existe um herói neste plano ele seria uma ela: a nação cabo-verdiana que se reinventa todos os dias nas nossas gentes, com as nossas mulheres a terem os mesmos problemas que Amílcar Cabral via a sua mãe sofrer: a exploração da sua mão obra. A confusão sobre o que é um herói é a mesma que grassa por aí sobre a fama. Esta seguia aquela. Ai Aquiles! Ai Mário! Ai Marcelo! Ai Aníbal Barak! Ai Damien de Molokai!
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
- O THUGISMO POLÍTICO
Estou a ouvir o Nuias da Silva, presidente da JPAI e o Miguel Monteiro, presidente da JPD na RCV. A palavra mais pronunciada até agora, além de altercações inusitadas, é “mal educado”. Quase que oiço um tughismo discursivo, uma crispação elevada à quintaessencia da politica d’Plurim de pêxe que não ajuda em nada a juventude cabo-verdiana. Que pena!
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A minha atenção volta-se para Stuart Mill.
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Imagem: Batalha de Canas, Peter V. Bianchi
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
- A PARÁBOLA DO EDIFICADOR
Que se pode dizer perante cem mil mortos, ceifados por uma esgar da natureza?
Cem mil dores multiplicados por pai, mãe, irmãos, cônjuges, amantes, amigos, companheiros e colegas sinceros… tudo isso deve servir para alguma coisa. Nós, os de ilhas vulcânicas e os que vivemos em cidades de perigo sísmico como Lisboa, devemos aproveitar este momento para ser mais solidários e pensar que, no que diz respeito a terramotos e maremotos, temos as nossas casas assentes sobre a areia
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E Cabo Verde, como Portugal, nomeadamente Lisboa, não está preparado para uma desgraça como a que se abateu sobre o Haiti. Estamos preparados, minimamente, para uma catástrofe desta magnitude ou análoga? A resposta é não! O mínimo seria, é, ensinar as populações o ABC dos procedimentos individuais e familiares em casa de catástrofes naturais, porque de meios estamos mais do que pobres, totalmente despidos. Queixamo-nos das nossas desgraças? Se nos acontecesse o mesmo que o Haiti, estriamos pior do que aquilo que presenciamos: uma sociedade desmontada como um brinquedo. A parábola do semeador, sim. Ler a Bíblia é útil, nem que seja para se ser um pouco animista, nem que seja para se ter consciência do que é planeamento e amanhã.
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Imagem: O horror haitiano...
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
O CARTOONISTA MOISÉS E O PRIMEIRO MINISTRO
A crítica política é boa, particularmente saudável quando é feita com humor. Mas por vezes vai-se para além da crítica e entra-se na esfera da ofensa. É o caso do último cartoon de Moisés publicado no Expresso das Ilhas – “Burro na Ladera”.
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Não consigo ler o que o cartonista escreveu… mas o que vejo é uma afronta e inadmissível num Estado de Direito e no quadro da actividade jornalística: comparar o Primeiro Ministro de Cabo Verde ao infame dirigente nacionalista alemão, com casacas castanhas atrás de si, é passar dos limites éticos e do bom senso. É uma mensagem que o Expresso da Ilhas não deve(ria) dar espaço para medrar. Crítica, sim. Desta, não… ó Moisés!
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Um pedido de desculpas ao Primeiro Ministro, é o mínimo exigível.
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A ideia que as autoridades americanas transmitem é de a decisão é sustentada em razões de ordem puramente militares, de disciplina no seio da instituição. Poderia ser, poderia ser que fossem essas as razões — nem por isso menos abusiva e para além do que é admissível no plano dos direitos fundamentais da mulher —, mas tal medida deveria ser aplicada a toda a instituição. Porque somente no norte do Iraque, e não no resto do país e noutros palcos bélicos como o Afeganistão? — pergunta-se.
Para mim a razão fundamental resultará no facto — conhecido mas escondido — de que foram usadas armas químicas e biológicas no norte do Iraque (e não foi somente contra os curdos no tempo Saddam Hussein, não!). As crianças nascidas nessa zona do país sofrem de mal formações graves, de tal forma que inviabilizam os fetos ou uma vida normal das crianças quando nascidas. Um acontecimento digno de um episódio de Frankenstein e que horroriza as mães do norte do Iraque: vêm na sua gravidez e no parto um horror, não sabendo o que irá nascer.
O nascimento de um filho normal no norte do Iraque é um milagre, uma festa. As razões do exército norte-americano? Certamente que não devem querer que as suas mulheres em serviço militar voltem aos Estados Unidos com crianças com as marcas que provem a guerra química e biológica que ocorreu no Iraque — e não se pode acusar Saddam Hussein disso. There is something rotten in the north of Iraq…
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terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A RÁDIO EM CABO VERDE
Oiço os veteranos da Rádio de Cabo Verde, e algumas críticas demolidoras – a oposição não faria, não tem feito melhor – sobre a política da comunicação social. Dá que pensar, e pensar a sério. Fica, aos que trabalham na comunicação social cabo-verdiana – aos jornalistas em particular – este pensamento de Eça de Queirós: "A actividade do jornalismo nunca deve abrandar, a sua consciência deve ter sempre o mesmo vigor, a sua pena o mesmo colorido, o seu sentimento moral a mesma justa intensidade."
A comunicação social é o “quarto poder”? Parece que ainda estamos longe, longe da independência necessária – restará a consciência dos homens e das mulheres que assumem o papel de informar e de contribuir para formar os cidadãos. Sim, a taxa de radiodifusão é uma necessidade que se impõe e se justifica – tem é de ser repensada no quadro de uma economia de mercado.
Imagem: A Volksempfänger - receptor do povo (ideia de Goebbels...). O Wolkswagen da comunicação.
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quinta-feira, 5 de novembro de 2009
- AS MINHAS TRÊS MORTES, A FEBRE DE DENGUE, O ESTADO DE EMERGÊNCIA SANITÁRIA E A POLÍTICA MEDROSA
Em menino, vivendo em Cabo Verde, fui vítima de meningite… e de todas as doenças más que se pode imaginar! Se aparecia uma epidemia qualquer, lá estava eu com ela, sempre. As doenças amavam-me, como se eu fosse Casanova e não um menino, e elas damas desconsoladas de amor. Cheguei a ser presumido morto certo, por três vezes. Deixa-me contar-te, telegraficamente.
A primeira vez foi com a meningite e outra desgraça de que não me recordo, mas que não quero saber agora para não fazer a minha mãe recordar esse tempo trágico para muitas mães que perderam os filhos. Nessa altura, na segunda metade dos anos sessentas, quando um surto de meningite atacou a terra e chegou a S. Vicente, contrai a doença e cheguei, inclusive, a ser declarado incurável e a ter o caixão e a mortalha prontas: só se esperava que eu morresse para me darem banho, colocar-me no caixão e me levaram para 1888, para fazer companhia a Nha Marquinha & k’iis ôte gent mort. Mas sobrevivi! A custo, mas sobrevivi.
A segunda vez… Um dia, o médico (no d’txá sê nome p’ra lá…) disse à minha mãe que eu tinha diabo em cima de diabo — a erisipela óssea e outra doença que nunca quis saber o nome — e que o melhor era levar-me para casa, para eu morrer em casa «porque precisava do espaço no Hospital para salvar quem podia». Coisa horrenda de se dizer à uma mãe, mas disse, o ilustríssimo Doutor, jurado segundo Hipócrates. Que podia ela fazer? Levou-me para casa, e as minhas tias e pessoas amigas prepararam, mais uma vez, a minha mortalha azul e branco de menino e o meu caixão. Mas a minha mãe não desistiu, e foi melhor médico que o doutor. Sobrevivi, dá para notar, não? As mães são assim: por vezes fazem milagres, e não há altar que chegue para elas, não…
Muitas epidemias, além das famigeradas fomes, sofremos, nós, os cabo-verdianos, no tempo colonial… A a memória, a memória é pouca e pequena, demasiado pequena. Por alguma razão Almada Negreiros dizia que Portugal era «o país mais atrasado da Europa», o país mais selvagem de todas as Áfricas», de uma África que chamava «reclusa dos europeus, o entulho das desvantagens e dos sobejos». A fome e as epidemias eram coisas correntes e recorrentes, a normalidade, antes da independência.
Agora, voltam as epidemias. Em poucos dias, 4 (quatro) mortos. Não se pode pensar somente em prevenção (que é fundamental, mas é uma prevenção paliativa, depois de consumada a epidemia), ou fazer como o médico que me mandou para casa para morrer… para resolver o meu problema, não. Há que atacar o problema na sua origem, neste momento: nos focos da doença e não passar a responsabilidade para a população, os funcionários públicos e os trabalhadores, com se se dissesse: vai trabalhar, ó povo! cura-te, ó doente! Evita a doença, ó cidadão! Vamos ver se, na Sexta-feira, verei os membros do Governo nas ruas a limpar o que deve ser limpo… é que não basta dizer para se fazer, é preciso fazer-se o que se diz. Membro do Governo, não é mau Padre, é pessoa de bem. Não diz para fazer, faz! Por isso governa e não é governado.
Venha (i) a protecção civil e (ii) o exército para as ruas, (iii) mobiliza-se os cidadãos e faça-se a limpeza geral das ilhas, no perímetro urbano e no interior, onde poderão estar focos de gestação dos mosquitos. Mais: que sejam tomadas medidas claras e precisas: que se puna quem lança lixo nas ruas — como se faz nos países limpos e onde não acontecem essas doenças (Singapura e Suíça são bons exemplos) —, com penas de multa e de trabalho comunitário e público de limpar as ruas. Esta parte é da competência da Assembleia Nacional (há coisa mais importantes a tratar, ó Senhores deputados! Como a vida, como a vida!) que tem de fazer a sua parte, também.
O Governo faz o que pode, certamente que pensa que sim, e creio na boa vontade. Mas há alturas em que isso não chega! O paliativo da prevenção e a mera medida de tolerância de ponto para se poder agir contra tal epidemia não me parece, neste momento, adequado. É altura de se tomar medidas de emergência, de se mobilizar todos os meios possíveis e passíveis de serem mobilizados para se combater esta epidemia. Não se pode esperar por mais mortos, por mais dor entre as famílias cabo-verdianas, para se agir!
Os meios internos não chegam? Que o Governo proponha ao Presidente da República a declaração do Estado de Emergência sanitária, a fim de se permitir, por exemplo, que sejam aterrados zonas de águas estagnadas pelas chuvas, obras ou outras razões em terrenos privados com proprietários descuidados com a higiene e a segurança públicas ou que estejam ausentes, se proceda a injunções necessárias contra aqueles que colocam em perigo a saúde publica e dos cidadãos individualmente considerados e, ainda, se possa recorrer à ajudas externa de países com competência na matéria. A cooperação internacional não é, não pode ser uma mera palavra — tem de ser efectiva. Recorra-se a ela, se necessário, e parece-me que se tornou mais do que necessário fazer isso.
Os eventuais órfãos, viúvas e viúvos, pais, irmãos e irmãs de eventuais vítimas mortais que possam vir a acorrer (Deus queira que não!), nunca perceberão que o Governo não percebeu que se está perante uma situação que se torna, a cada dia que passa, mais grave e mortal… e se estende a todas as ilhas. É preferível pecar-se por excesso do que por defeito, em particular em situações excepcionais como esta.
Esta questão não é política? É política, sim!, pois gerir a polis é a própria natureza da acção política — e uma sociedade que esteja perante uma epidemia é aquela que mais precisa de acção política dos seus governantes A verve destes vê-se nestas alturas de crise, pois para «deixar andar, e logo se vê no que dá» qualquer um serve; para isso não são precisos eleitos da nação. Deixemos de ter medo de falar, e de medo de ser penalizado por falar de um facto político que é a gestão da saúde e da segurança públicas, que é por causa delas, em particular da segurança pública, da polis, da cidade, da sociedade, que a política existe. Sim, o problema emergente desta epidemia da febre de Dengue é um problema político — como todas as questões públicas.
E é político porque, entre outras coisas, o Governo dá prioridade à uma governação electrónica num país sem luz, em vez de ser uma governação de formação ética e cívica num país onde os animais mortos e o lixo doméstico são lançados na rua (é, o tratamento do lixo é necessário, urgente, imperativo). Podemos ter um mundo novo, sim; mas sem doenças velhas e mortais. O orgulho, o orgulho é o braço direito da morte; e só pede ajuda a que tem e pode mais quem precisa; e nós precisamos de ajuda, pois o nosso Estado é de Emergência de facto.
Do que está à espera, para cumprir com a Constituição, com o Vosso dever de políticos, ó Governo da minha terra? Políticos medrosos e pusilânimes, não! O que assusta o povo, é não se fazer nada, não ver um plano claro para todos saberem de forma clara e que chegue a todos. Sexta-feira contra o negro indesejado, i.e., contra a febre de Dengue, o pico solitário do mosquito? Soa estranho, até porque somos ilhéus, em ilhas estamos, mas Robinson Crusoé (esse que, depois da primeira viagem, ao que parece, parou em terras nossas a caminho do Brasil) não nos chamamos, não.
Ah!, a terceira vez em que o caixão cruzou-se no meu caminho? Isso, isso é outra história. Talvez vos conte, um dia. A nossa terra tem tudo, mas tudo para ser feliz.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
- A BANDEIRA DA MINISTRA DA JUSTIÇA
Para quê, pergunto-me, se discute a Revisão da Constituição da República de Cabo verde se ela não é respeitada em coisas simples e elementares como os seus símbolos (a Bandeira), ou os seus mandatos (a instalação do Tribunal Constitucional e o Provedor de Justiça) por membros do Governo? No outro dia ouvia na RCV — durante debate na Assembleia Nacional — que se condicionava a instalação do Tribunal Constitucional a aprovação dos nomes dos juízes… Alguma coisa está mal, mas muito mal, no que a cultura da Constituição diz respeito.
Sim, gostaria de saber qual é a Bandeira da Ministra da Justiça de Cabo Verde, pois a que está no blog da cidadã Marisa Morais não é a bandeira nacional. Não é pedir muito, pois não?
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sábado, 24 de outubro de 2009
- MANUEL VEIGA E O LEILÃO DO DIA DA CULTURA
Acabo de ouvir algumas declarações do Manuel Veiga, Ministro da Cultura, no programa Ao Sábado da RCV. E teve uma ideia maravilhosa: leiloar o dia Nacional de Cultura — a ilha, isto é a Câmara Municipal, que der mais, ganha. Deus! E depois acrescenta que a cultura é de todo o país, e que algumas ilhas não dispoem de condições necessárias para acolher as celebrações do Dia Nacional da Cultura. Mas, não é ao Governo de que faz parte que deve(ria) criar essas condições, desenvolvendo e promovendo o desenvolvimento das ilhas? O que devo dizer? No comments! At all.
Ah, parece que — pela forma como fala — o Ministro da Cultura não se considera remodelável. Depois se verá, a semana e o novo ciclo ainda não começou — acho e diz-me o meu oráculo. Será que o Ministro da Cultura pensa que o povo é pateta, que não ouve, não vê e não fala? Não creio, e isso é que me espanta ainda mais: o silêncio tumular, a falta de reacção — de muitos e demasiados.
A oposição não pode limitar-se a mudar de líder, e ficar na mesma: adormecida. Não pode, não.
Imagem: Salvador Dali
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009
- A NOVA CULTURA E O PRÉMIO LITERÁRIO PEDRO CARDOSO
A produção da cultura cabo-verdiana encontra-se espartilhada, infelizmente, na música e nalgumas manifestações de arte folclórica ou de artesanato para estrangeiro ver e comprar — e os artistas verdadeiros, por não servem como “verdadeiros artistas”, ficam na sombra. Mas, mais do que isso, algumas manifestações culturais imanentes não crescem para além do marketing do tradicional sabe k’cagá, da visibilidade dos media ou de lobbyes instalados que, no plano da literatura, por exemplo, só conseguem ver algumas figuras da escola claridosa (alimentando um saudosismo clássico que os remete à meras relíquias do passado), e do movimento Pro Cultura e autores da sua esfera de influência que, aos poucos, constroem um admirável mundo novo que sonham, há muito, substituir o movimento da Claridade. E o ALUPEC é um dos instrumentos principais para se alcançar tal objectivo.
O que, em verdade, tem cristalizado novas formas de ver e de entender a diversidade da alma literária cabo-verdiana que, ao contrário do se quer fazer crer, está para além dos claridosos e pós claridosos e do movimento Pro Cultura e seus filhos — como uma espécie de ruptura com o passado, tendo pelo meio Germano Almeida como referência de um romancear novo e um alvo a abater — pois o mundo e a realidade cultural cabo-verdiana é, hoje por hoje, não a de «um meio pequeno» mas a de um mundo global que muitos não querem ver e, em verdade, anseiam confinar a nação numas trevas esclarecidas ou iluminadas.
É uma tensão que existe — muitas vezes não de literatura ou de cultura literária em si e por si, mas de origem geográfica ou meio social integrante do actor cultural — há muito e que a emergência de uma língua tecnicamente confinada a um grupo que a pariu e apadrinha há muito abre, com a sua «legalização», portas para a superação quantitativa dos claridosos e a consagração de um novo nativismo nacionalista e que se expressará na língua materna em forma do ALUPEC. O prémio literário Pedro Cardoso aparece nesse contexto, sem surpresas.
O Ministro da Cultura ouviu as críticas sobre as omissões do seu Ministério no ano passado, e criou uma bolsa ad hoc e com o nome de concurso literário. By the book, absolutamente. Eu até que, sem fazer de oráculo, consigo imaginar quem sugeriu o nome do patrono do prémio… Só faltou o Manuel Veiga, o Ministro da Cultura, ter concorrido e ganho o prémio com o livro que apresentou Dia Nacional da Cultura – certamente que financiado pelo fundo de promoção do ALUPEC/Ak…
Espanta-me, confesso, o silêncio sobre estas matérias que estão patentes há muito e que, ao que parece, ninguém quer ver. Se houvesse um índice de liberdade intelectual e cultural em Cabo Verde talvez fosse possível tirar algumas ilações como as que se podem tirar sobre a liberdade de imprensa e política nesta questão da língua cabo-verdiana — não é preciso ninguém vir do exterior para nos dizer o que está bem e o que está mal.
E ocorre-me, agora, uma pergunta: Com tantos cientistas em Cabo Verde, não é hora de começarem a mostrar a ciência que são capazes de produzir, começarem a dizer o que se passa no país? Coisas como, por exemplo, (i) qual é taxa de desemprego real no país, e porquê é que tal é vista como um «dado normal»; (ii) porque as artes não são promovidas como ciência; (iii) porque o circuito da cultura é, quase, sempre a mesma, dos mesmos e para os mesmos; (iv) porque proliferam as universidades privadas, que vão assumindo a função do Estado, numa sociedade onde o acesso ao ensino público deveria ser universal e gratuito; (v) porque os lugares das instituições ligadas ao Estado, directa ou indirectamente, estão sob direcção de dirigentes partidários do presente ou do passado... & etc.
Estamos perante um dado cultural, ou será que, também aqui, estamos perante as cadeias partidárias — a ciência ao serviço da política e não da sociedade? Pergunta retórica? Talvez, talvez…
Imagem: Mariah Carey
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
A fome, René MagritteO José Saramago é, verdadeiramente, um inculto! — é o que apraz-me dizer, de momento.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
- CONTRADIÇÃO
..
Imagem: Angelina Jolie
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
- CAN WE DO EVERYTHING AGAINTS HIV-AIDS?
In Bed with Hitler. Does the german educational campaign «AIDS is a mass murderer» makes sense? It looks like to have a good intention, but to have a good intention does not mean that it´s good or appropriate. It remembers me the words of the roman iurisconsultus Paulus who said that nom omne quod licet honestum est, i.d., «Not everything that is allowed is fair» (Digesto, Ad Edictum, LXII). The promoters may have forgotten the boomerang effect of the campain… I guess. I hope I may be wrong on this!
Barbara Hans wrote an article on Der Spiegel that is worth reading. Phantoms must be exorcized, but there are some things that should be keept at the boredom of history. Everything is not allowed, at least it should not… in Portugal, for instance, it would be illegal. But freedom is just that: to do what we want to. But… this is a question of morals, fundamentals of principles as it is said by John Finnis.
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- A ENTRE(VISTA) DA RTC A CARLOS VEIGA
Enfim, não é somente da nossa cachupa e da nossa morabeza com os estrangeiros que devemos curar, não; também o devemos fazer com outras coisas. A entrevista não trouxe nada de novo, nada que não se soubesse ou que não fosse previsível como resposta, e a culpa – tenho de o dizer – foi do entrevistador que quis ouvir mais a sua voz do que o entrevistado e perdendo tempo com o acessório, de forma recorrente. Eu — e certamente os demais ouvintes também — queria ouvir muitas coisas, ver esclarecida outras tantas, mas assim, assim é difícil. Não foi uma entrevista, foi uma mera (re)vista de Carlos Veiga e do que se tem dito nos últimos tempos e já se sabia. Uma oportunidade perdida. Home work! Home work! Home work…
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
- A JUVENTUDE POLÍTICA DA TERRA DO RISO
Quem me conhece, ainda que an passant, sabe que não sou puritano e que defendo a o direito à asneira e coisas análogas: a natureza não deve ser renegada. Agora, há coisas que não cabem em determinados lugares.
E digo isso a propósito do que tenho visto e lido no site da Juventude do MPD: uma rubrica com piadas, e piadas de mau gosto! Depois de uma piada preconceituosa sobre judeus, segue-se uma piada sobre «caipiras» e outro sobre «cornos». Se a ideia é demonstrar o wit cabo-verdiano (que no Mindelo é um monumento vivo na alma das suas gentes) ou fazer o mesmo que a JPAICV tal resulta falha de sentido, um non sense pois não é o local não é indicado para esse tipo de humor que se promove.
As piadas têm um destaque na página que não tem (nem teve) a Manifestação contra os despautérios contínuos da ELECTRA. Isso quer dizer, M.I. Miguel Monteiro, que se fosse Primeiro Ministro – como dizia no outro dia ao jornal Expresso da Ilhas – o país também arranjaria um Ministro para o humor? O Nuias da Silva e a sua equipa parecem seguir um outro tipo de humor. Será benefício do poder?
O que tem piada mesmo – no plano politico (a JPD não reparou nisso?) – é o Primeiro Ministro de Cabo Verde estar na Convenção do Partido Socialista Português (José Sócrates depois irá ao do PAICV, apoiar José Maria Neves e/ou seu anunciado e previsível Delfim – com faz com José Luiz Zapatero) e isso ser perceptível por ostensivo, mas ter passado despercebido o facto das comemorações da Independência terem sido no Seixal… e não na Amadora, onde um compatriota nosso, Francisco Pereira, se candidata à Presidência do Município. Isso, sim… tem piada. Aliás, a gestão de todo o país é uma piada pegada! O que nos deixa verdes, mas verdes de riso; e cuidado: riso demais mata! E, como as doninhas do «Quem Tramou Roger Rabbit?» lembram (e lembro isso por causa dos monumentos da Jessica – que é coisa que também acaba), pode-se morrer de riso.
Imagem: Miguel Monteiro, Lider da JMPD durante a desistência de Jorge Santos da liderança do partido (A Semana)
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009
- RICH POLITICIANS AND WE, THE POOR PEOPLE
Europe wants to be an example for the World — everyone says. But to want and to be are different things, as the nature of things and reality shows every day, as now. EU commissioners 'take home more than €1m on leaving office' – says the Parliament Magazine on line. Read it! It's about you and you taxes, your vote, your life, the people you trust the public affairs, our fair Europe.
So, my brother european, when you asked me about the cleptocracy in Africa... I will show you a mirror – like Dorian Gray’s. It's politics public service or just a way of getting rich faster on people’s money? The answer, on the ground of ethics, é clear as fountain water. And comparing what can be compared, Sarah Gaskell says that "It is a topsy-turvy world when an unelected EU official is earning the same wage as the democratically elected president of the United States". And this is democracy! And I remember Adolfo Bioy Casares’ words: «No creo indispensable tomar un sueño por realidad, ni la realidad por locura.» Yes! The crisis… are just for the people, the poor people!
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terça-feira, 1 de setembro de 2009
- MEMÓRIAS DA INQUIDADE — MAIS DO QUE SILÊNCIO
Será que estes bispos leram Ad Scapulum e o Apologitcum de Tertuliano, a Suplica a Favor dos Cristãos de Atenágoras de Atenas, os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, as epístolas paulinas? Sepulcros de sotaina! Homicidas por omissão! Se estes pastores eram cristãos, eu sou Longino cravando a lança assassina no coração de Jesus Cristo; sou Satanãs! Summa injuria! O connatus essendi não explica tudo; não!
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Imagem: Bispos nazis, saudando Adolfo Hitler
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