sexta-feira, 21 de agosto de 2009

¿Qué loco sembrador anda en la noche, aventando luceros que no han de germinar nunca en la tierra? Dulce Maria Loynaz, CXXII
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AS MASCARAS DA MORABEZA CABO-VERDIANA E SUBTILEZAS: «O AL BINDA QUE MORRA!»

A propósito de um ser que recusa a sê-lo e que se auto-baptizou como Al Binda, pergunto a mim mesmo: como é que pessoas inteligentes conseguem o milagre de confundir a nuvem com Juno? Ausência de colírio de razão, falência de percepção, a seu tempo descortinável – quando a chuva cair. Esse Al Binda incomoda muita gente, lá isso faz – a maioria das vezes sem razão de ciência ou qualquer outra, mas incomoda; como verifiquei ao ler uma notícia sobre Abílio Duarte no A Semana on line.

Li no diário on line, um comentário de «Jorge Alberto» (um renomado e respeitado político da terra que usa este e outros nomes como máscaras para fazer desabafos políticos que não pode [!?] fazer com nome próprio – o que até compreendo; em parte…) a dizer ipsis verbis:

«Mas já não se compreende tanta monstruosidade vinda de gente portadora de uma certa cultura, mas que, a coberto de pseudómino, aproveitam para se armarem em ignorantes para conspurcar a cidadania de todos aqueles que não leram pelas suas cartilhas. É o caso do Al Binda que, uma vez desmascarado, passou a utilizar o pseudónino de Underdoglas, para continuar a passar por ignorante, e poder dizer asneiras por má-fé, quando se trata de alguém que, basta que se saiba quem ele é, para ser desmascarado como um homem culto e conhecido por muita gente da sua geração. Só não divulgo neste fórum quem é esse tal de Al Binda ou Underdoglas, porque não me compete fazer isso, visto seria um desrespeito pela privacidade dos outros. Só que a continuar assim e se a pessoa não respeita aos outros, poderá também um dia desses não merecer o nosso respeito!»

Ora, quem não respeita os outros não merece ser respeitado (e sei que o Jorge Alberto, nem que seja por razões de formação e ideológica, leu Kant e conhece os imperativos morais deste), pelo que revelar a verdade e desmascarar um sepulcro caiado e mascarado não é violação de nenhum dever. Violação de um dever moral é saber quem é que ofende, ameaça e vilipendia cidadãos que dão a cara, que não se escondem nos vãos de qualquer coisa ou raios que o parte, e muito menos em discursos velados. Mas cada um é como é, e cada um vê o que é capaz e chega para ver; nem sempre «somos a medida de todas coisas», como diria Protágoras. Nossa S´nhora d´riôla rogai por nós! Coisas da natureza – dir-me-á o meu poeta.

Sei que o Jorge Alberto, também, não gostaria que se soubesse quem ele é – naturalmente. E o Al Binda, estou certo, se soubesse quem é o Jorge Alberto há muito que o teria gritado aos quatro ventos, em particular ao zéfiro do Leste antes de uma chuva serôdia. Há cerca de um mês escrevi uma Carta Aberta a um amigo – que, por acaso, é um amigo próximo do Jorge Alberto (esse andou a veicular, acintosamente, que eu era o Al Binda) –, e, como é do meu timbre, disse-lhe o que tinha a dizer e informei-o de que iria publicar a dita carta (pois é justo que as pessoas que convivem connosco saibam por nossa voz o que dizemos e pensamos delas). Pediu-me encarecidamente para não o fazer, e acedi ao seu pedido: as minhas razões eram e são menores que os prejuízos que lhe poderia causar. O que o «Jorge Alberto» não sabe, e agora fica a saber, é que, um dia destes, terá de dizer quem é o Al Binda – num tribunal qualquer. E terá de o fazer não como «Jorge Alberto» mas com o seu nome de baptismo; coisa que, certamente, não quererá nem desejará.

Por isso, ó M.I. «Jorge Alberto», fica aqui, sem subtilezas, um desafio ao cidadão responsável que é: diga quem é o Al Binda! E se achar que sou eu (já, noutra ocasião, perguntou a um amigo comum se eu era um outro mascarado – hoje percebo porquê, pois não entendia, até há pouco tempo, essa cultura de mascrinha e os seus objectivos); diga-o! Eu, da minha parte, prometo que não revelarei a sua identidade real – de forma directa ou indirecta – e apelo a quem o saiba para, do mesmo modo, não o fazer. Agora, esta forma de fazer política no anonimato não me parece coisa muita digna – como me disse em determinada ocasião, Cícero primava pela frontalidade; e quem é político deve, tem o dever de o fazer a todo o momento.

Cícero, ó «Jorge Alberto», se vivesse hoje faria o mesmo a Catilina, não usaria o pseudónimo, não! Afinal, se fosse o Almada Negreiros – o que era merecido mesmo era um «Manifesto Anti Dantas» a esse Al Binda; sendo certo que não me parece ser merecedor de tanto. Ratos, «Jorge Alberto», matam-se com DDT (já agora, use um pouco para si mesmo, suicide essa mascara e ressuscite para a luz do dia – para a arena da política «transparente»).

E essa profilaxia social, ó «Jorge Alberto», é feita, deve ser feita, de forma adequada e com verdade por toda a sociedade, por todos nós – uns com mais responsabilidades do que outros; e no seu caso tem responsabilidades acrescidas. Pois de outro modo, tenho de fazer-lhe a mesma pergunta que o Mário Matos fez, bem, no A Semana on line: «Dondê sociedade civil?» (deve perguntar ao Primeiro Ministro e líder do PAICV, pois não foi ele que disse – a propósito da visita de Hillary Clinton a Cabo Verde – que temos uma sociedade civil forte? Ah!, cogito: será que o Mário Matos começa a discordar do líder antes do tempo programado?). Não queira, ó «Jorge Alberto», ser um desaparecido ou naufrago social, parte de «uma geração representada por um Dantas» – como dizia Almada Negreiros. Assim, o Dantas, id est, o Al Binda «que morra». Pim!

É responsabilidade sua, a de «matar» o Al Binda e ressuscitá-lo para a luz do dia (se não o fizer é, moralmente, responsável pelas ofensas e afrontas que o mesmo venha a perpetrar contra os seus concidadão). Se sou instigador e possível autor moral deste «homicídio de pessoa moral»? Sim, assumo a responsabilidade de o instigar a dizer a verdade, a limpar o porão até de si mesmo: assuma, ó «Jorge Alberto», a sua responsabilidade social nesta matéria; pois outra coisa não é de esperar da pessoa atrás do «Jorge Alberto». Pim!

Também sabemos que os Al Bindas, Underdouglas e quejandos fazem-lhe um favor político pouco descortinável mas vital, não é, ó «Jorge Alberto»? Pim! Por esta razão, não tenho muitas esperanças de que venha a dizer quem é o Al Binda e/ou o Underdouglas; pois este ainda vai fazendo alguns favores políticos (se calhar sem se aperceber de que é instrumentalizado – talvez por inconsistência política e necessidade de «dar nas vistas») a ambos os lados da barricada. Enfim: somos um país de subtilezas e nem sempre somos capazes de as entender; daí existir uma fome larvar a alastrar pela nação inteira e que não é de pão...
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Imagem: Fernado Pessoa, Almada Negreiros

10 comentários:

Anónimo disse...

Francamente advogado Virgil não percebo todo este ódio contra AlBinda;o advogado não diz que é um homem de Deus? Explica então porquê todo este roncor contra Al Binda.Ele não tem direito de ter um nick como as outras centenas de pessoas?

Alcides

Virgílio Brandão disse...

Ódio e rancor, ó Mr. Alcides?
Acho que não percebeu nada do que escrevi...

Acho que sim, que tem direito, como os demais que usam usam «nick name(s)», pseudónimo(s) e anonimato; não tem o direito (ele e qualquer outra pessoa) de usar isso para ofender seja quem for. Se quer afrontar as pessoas, que o faça de cara descoberta. Ah, e nem se insinue que é quem não é... Percebeu, agora?

Fique com Deus.

Anónimo disse...

Desculpa brode mas não estás a ser sério; sigo isto de perto e sei que a tua birra com albinda tem a ver com o vosso debate que perdeste e não tiveste frontalidade para assumir isto de leve animo. Deixa de falar mentira porque albinda não ofendeu ninguém, pelo contrario.

Ivete Morais

Virgílio Brandão disse...

Sra. Ivete Morais, francamente! Convido-a, a reler o texto e a dizer-me onde está a «birra»… mas de que debate é que fala a Sra Ivete Morais? Se for o que estou a pensar, vejo que tem uma percepção muito, mas muito pobre das coisas e dos discursos.

Agora, a Sra, Morais – assim como todos os demais cidadãos – não têm o direito de, sob anonimato, ofender seja quem for. Quando não sabemos do que falamos o melhor é estarmos calados, para não nos equivocarmos, como faz agora. Veja, por exemplo, a verdadeira cruzada de vitupério feita contra o João Branco, por exemplo, e os impropérios usados pelo mesmo aqui neste blog a dada altura, até desertam.

Mas, entendo a Senhora Morais e o seu sentido moral, pois se não reparou que ao dizer para eu «deixar de falar mentira» está a emitir um juízo ofensivo, o que hei-de dizer do demais?

Tenha dias bons e, fique sabendo do seguinte: da próxima vez que colocar um comentário a chamar «mentiroso» seja a quem for, o seu comentário não será publicado. Aqui, há regras!

Anónimo disse...

Não preciso de insinuar quem não sou porque eu sei que não sou Virgil. Se Al Binda utiliza nicknames para ofender pessoas, o que duvido, o que é que Virgil diz do artigo onde ofende os dirigentes caboverdianos quando os compara com corruptos, criminosos e cleptocratos africanos?

O que diz daquilo que Nuno escreve no LIberal chamando a poloiticos da praça ladrões, assassinos e outros nomes de aves?? Enquanto advogado Virgil não apoiou a um dado momento Nuno e as suas cartas abertas contra o governo de Cabo Verde? Não dialogou também com AL Binda a quem chamou M.I.? Tem que ser portanto mais coerente, Virgil!

Alcides

Virgílio Brandão disse...

O Alcides anda, pelo que vejo, com a cabeça confusa (além de não perceber o que escrevo) e muito, mas muito mal informado.

Não chamemo para aqui quem não é chamado (e não confunda a minha educação com assunção de "razão" de seja quem for). Enfim...

Deus o abençoe.

Anónimo disse...

Meus Deus, homem de Deus! Se eu não soubesse que és advogado eu duvidaria com esse escândalo que me faz sobre contar mentiras. Mas os advogados não estão habituados a ouvir as mentiras dos seus clientes?
Mas não vou bater mais nessa tecla, querendo apenas recordar-te que estaria na missa na nossa igreja no domingo. Ali terei o prazer de te dizer para esqueceres os ALBindas mas vou-te recomendar a leitura do blog de César para confirmares que quem ofendeu primeiro foi João Branco, que chamou sem razão nenhuma o nosso ALBinda de "cobarde". Informa-te melhor!. Pelo amor de Deus mais uma vez, homem de Deus, AlBinda nunca ofendeu primeiro ninguém, mas ele é duro nas respostas. Temos que ser objectivos.

Ivete Morais

Virgílio Brandão disse...

Ivete Morais, que posso dizer?
Decididamente não percebeu o texto e não estou com paciência para mais.

Vejo que Legião anda por aí...

Adjectivar com razão (no sentido de quem ofende vomo resposta), é justificável... sim, Senhora, sim Senhora, muito me dizeis Vós. Enfim...

A «igreja»! pois...

Cuide-se, a Lua cheia há-se chegar.
:-)

Jonas disse...

Eu conheço uma pessoa que sabe quem é o vosso Al Binda. E o Al Binda sabe que essa pessoa sabe quem ele é e que eu a conheço...

Virgil, vou mandar para o teu mail uma coisa para levares no bolso para a tua igreja amanhã :)

Pareceu-me apropriado.

Vou na onda e fiquem com Deus.

Virgílio Brandão disse...

Jonas...
Pelos vistos, sabes coisas (muitas) que eu não sei.

Agora, obrigado pelo e-mail! Merecederas de altar, sim senhor!!! Deus! obrigado meu...

:-)