- O DIA DA LIBERDADE É TAMBÉM A CELEBRAÇÃO DA MEMÓRIA
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
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domingo, 24 de outubro de 2010
- A LIBERDADE DE SERMOS O QUE SOMOS
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
- NÃO ESQUECER...
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
- OF WOLVES AND MEN
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
LA LIBERDAD Y LA POLITICA
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sábado, 5 de dezembro de 2009
- DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!
---- Mario Quintana
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- LEY DE LA MENTIRA
No importa la frecuencia con que se demuestre que una mentira es falsa. Siempre habrá cierto porcentaje de gente que crea que es verdad.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
- A CONSTITUIÇÃO (IM)POSSÍVEL?
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009
- DEPUTANDO COISAS INSÓLITAS
Um arquitecto – que não deve ter lido Copérnico, Galileu e Newton – causa esta obra de arte peniana (d’pixim d’terra, sima kiis dona cantora d’pon d’mar ta pregâ n’rua d’sabe y d’diazá na mund lá ne ruas d’Caniquinha, Kraca y de Um a Dez) uma vez por dia algures por aí. Coisas imprevisíveis, dir-me-á. Talvez, talvez. Tanto como o deputado da terra da fraternidade, perdão… da morabeza! que se lembrou de que o argumento não é à força verbal e da razão mas à cadeirada – caderada, diria o ufano representante (?) da nação. Há cada peixeirada! Digo: há cada caldeirada!
Deus! O melhor é ir ler um pouco de
I have been here before,
But when or how 1 cannot tell:
I know the grass beyond the door,
The sweet keen smell,
The sighing sound,
the lights around the soore...
Imagem: (Obrigado, Barbara B.)
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terça-feira, 17 de novembro de 2009
- A CUECA DA NATUREZA
Tertuliano explica as razões porque se tornou cristão. Elas sempre me pareceram perceptíveis e compreensíveis à luz do mundo em que vivo… mas difíceis de compreender no seu tempo, por acarretar alguma irracionalidade existencial. Era, se assim se pode dizer, um elo dissociado da minha compreensão da sua pessoa, do seu pensamento, das suas opções e do seu tempo. Hoje, como que por uma epifania da razão, descobri o elo. Entendi. E é tão óbvio, tão elementar, tão patente — tão frio…
Tem razão Vargas Villa, sobre a consciência das épocas. E lembro-me de José Martí, da sua reacção a morte de Garfield — não o gato, mas aquele que foi Presidente dos Estados Unidos da América: James Abraham Garfield — e do que dizia, no longínquo dia 1 de Outubro de 1881 (em artigo publicado no La Opinión Nacional, Caracas, 19 de octubre de 1881): «Quando se é testemunha das grandes explosões de amor da humanidade, sente-se orgulho de ser-se homem, assim como quando se presencia as suas prostrações ou fúria dá vergonha sê-lo. A morte é útil, a virtude é útil, a desgraça necessária e reparadora, porque desperta nos corações que a presenciam nobres impulsos de as eliminar. […] A dor alimenta, a dor purifica, a dor nutre.»
A guerra corpo a corpo entre a lei do amor e a lei do ódio, como dizia José Martí, é contínua, como a natureza: todos os dias morrem e nascem coisas, sentimentos e pessoas, pessoas que morrem na luz e sem ira — digo eu. No plano da razão, também. — «Sempre quis olhar para o meu caixão, ver-me exposto ao Mundo… saber onde andam as lágrimas. Curiosidade satisfeita. Vi a cueca da natureza» — diz-me o meu poeta.
Imagem: Mahmoud Ali, 8 anos (escola de Al-Qabs — Ramallah, Palestina)
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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Carta I
Meu amigo:
Escrevo-te de longe, de muito longe, perdido nos confins deste meu bairro onde só muito fraco chega o rumor da grande cidade. De que hei-de falar? Da Vida? Pois seja. Tu vens para ela, para o imenso brouhaha. A vida é a escola do cinismo. Trazes coração? Esmaga-o ao entrar como uma coisa que nos compromete, que nos avilta. Se acaso és bom, tolice. Não venhas. Aqui para triunfar, é preciso ser mau, muito mau. Sê mau, cínico, hipócrita, e persistente que vencerás. Serás aclamado, respeitado e invejado. Ri do Bem e da Virtude, da Alma e do Sentir. Ri de tudo, que é preciso que rias. Abafa um protesto com um sorriso, uma agonia com uma gargalhada, um estertor com uma praga.
Sê polido, meu amigo. Encobre a raiva sob o riso, e o riso sob o pesar.
Sê mau, sobretudo. Se a alma compromete estrangula-a, se o riso desmascara sufoca-o, se o choro atraiçoa esfibrina-o às gargalhadas.
Não ames nem creias. Todo o homem que ama é homem perdido, e todo aquele que crê nunca será ninguém. Odeia sempre. Odeia os que sobem e os que pretendem subir, odeia os que subiram e os que um dia subirão. Odeia todos e desconfia. Lembra-te que o Ódio dá mais prazeres que o Amor.
A satisfação de ver agonizar um canalha, quer ele seja um mártir, quer ele seja um ladrão, é maior que a de sentir os braços opulentos de uma mulher que se entrega. É menos um. Sê pois forte como o diamante e como o Ódio.
No Amor — gentil comédia — sê pródigo, e sobretudo nunca ames uma só mulher. Se és bom serás ridículo, se és mau serás temido. Sê mau sempre. Este farrapo a que se chama Vida foi, é e há-de ser sempre assim.
Tudo é egoísmo. Se és bom morrerás como Judas, se és mau, meu amigo, serás lembrado como Satã. Vem, mas vem cínico. Triunfarás, terás ouro, amantes, mulheres, o diabo.
Acredita que metade da humanidade nasceu para se rojar pela lama, para que tu, eu, todos os maus, todos os cínicos, a esmagássemos e lhe cingíssemos fraternalmente as carnes com um chicote. Depois da morte há o Nada. Portanto, meu caro, aqueles que o sabem, o que pensam é em sugar a vida com um furor de agiotas sem entranhas. Isto é como no mar; já Shakespeare dizia que “o mugem vive para ser tragado pelo lúcio”.
Ou serás vencido ou vencedor. Se vencido esperam-te todas as humilhações, desde o desprezo até a compaixão. Se vencedor todos os triunfos, desde o respeito ao Capitólio. Luta sempre calado, fino, sabido, que se não tens jeito para isto serás um eunuco eterno, castrado para a Vida, para o Amor e para o sonho.
A raiva também tem o seu gozo, o Ódio também tem o seu amor. E o amor do Ódio é maior porque é mais forte. Não poderás gozar e serás mais desprezado do que uma serapilheira que o uso condenou.
A carne é matéria como a rocha, a rocha é matéria como a flor. Da mulher honesta à prostituta não há diferença, a distância de uma à outra é nula. Não beijam ambas? Uma por prazer, outra por precisão. Pois, meu caro, eu prefiro a prostituta sempre. Acredita que todos se vendem, homens e mulheres, palhaços e imperadores, Cristos e mendigos: a questão é de preço e o preço sufoca todas as consciências, todas as revoltas.
Acredita que falta quem compre toda a gente que se quer vender.
A mulher mais honesta capitula, e aquilo a que tu chamas acaso, chamo eu persistência, e a persistência gasta a vida como a água gasta a rocha. Tu és filho de uma prostituta pois que tua mãe só foi de teu pai e teu pai foi o primeiro a quem ela se entregou, que depois o egoísmo do seu amor fez conservar junto de si...
“A vida é uma luta brutal” (Tourgueneff).
Tu crês em Deus? Crês sim, que bem o sei. Pois bem; vai dizer-lhe que eu o odeio com toda a força do meu ódio. Tu que te dás com ele, que crês nele, que és amigo dele, vai dizer-lhe que ele é mais vil do que as coisas vis. Vai dizer-lhe que eu o odeio, porque ele deixou morrer aquela criatura aqui do lado, cujos seis filhos abandonados me vieram comer o meu jantar. Vai dizer-lhe o ódio que lhe tenho por ele deixar morrer aquele justo, que por ser bom teve de se matar; diz-lhe finalmente que nada disto se deve fazer quando se é Deus.
Que me odeie agora também porque eu dei o jantar aos pequenos que não o tinham; que me odeie porque a última camisa a dei a um pobre que quase ma roubou; que me odeie porque eu o castigo como no outro dia castiguei um velho que maltratava um cão. Anda, vai dizer-lhe que me odeie, que se avilte ainda mais se é capaz...
A geração é de covardes e “cada ano que passa está mais corrupto o mundo” (M. Gorki).
Ah, não ter eu muito que dar a este pequeno miserável que me bate agora à porta, para que ele me chame o mais vil que o sol cobre, o mais canalha de todos, o mais indigno, o mais bandido! Ele não se engana. Lá tem o seu raciocínio que não falha nunca. Dei-lhe tudo o que tinha e todavia vai a resmungar baixinho que um dia, um dia que virá cedo, me virá bater à porta com uma coronha e me há-de fuzilar a mim, o maior dos patifes que o socorri.
Vai-se embora a pensar que se fosse rico, havia de azorragar toda essa ralé que pede esmola e toda aquela que dá tudo o que tem. E cisma em ser um dia o maior dos Neros que o mundo tem visto; em ter um chicote com que possa de uma só vez azorragar a Terra, ele, cujo corpo deveria ser balançado no candeeiro ali defronte.
Deste-me esmola? Muito bem, odeio-te. Odeio-te porque não posso também dar esmola e porque me curvei a ti. Toda a vida me fizeste bem, socorreste-me, agasalhaste-me. Um dia eu — mau como sou — estou por cima. Então eu havia de perder a ocasião de me vingar de tudo o que tu me fizeste? Chegou o meu dia. Agora, meu velho, eu sou maior, ouves? Eu dobrei-me e tu socorreste-me, mas eu dobrei-me. Eu era um faminto e tu sentaste-me à tua mesa, mas eu dobrei-me. Tive fome tu encheste-me, tive frio tu agasalhaste-me. Irritante Tu, sempre Tu.
E eu não podia vingar-me, mas agora chegou minha vez.
Acredita que todos aqueles a quem fazemos bem nutrem lá dentro a secreta esperança de um dia nos correrem a pontapé. Logo no primeiro dia em que não temam desconjuntar a bota quando o fizerem, percebes? Escutaste? Vem, se te sentes com forças. Demais és pobre. Então para ti a vida é tudo isto e tudo o mais que tu tiveres coragem de inventar. “O pobre será odioso até ao seu parente mais chegado” (Provérbios, XIV, 20), que não "merece carinhos quem não tempera caldo" (Silva Pinto), ouves? Tu virás e triunfarás. Tu serás mau e cínico e traidor. A Vida? "Seria loucura, na verdade, conservarmos alguns sentimentos compassivos quando vivemos em semelhantes cavernas" (M. du Camp).
A Vida é uma canalhice, uma farsa, “uma luta brutal”, como diz Tourgueneff.
In Albino Forjaz de Sampaio, Palavras Cínicas
Imagem: Subvertive beauty, Luis Royo
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
- CIRCULACIÓN
La solitaria muela de una puta
una muerta sin nombre
llevaba una corona de oro.
Las demás se habían desprendido
como por un secreto acuerdo.
Ésta la extrajo el sepulturero para sí.
Porque, decía,
sólo la tierra debe volver a la tierra.
---- Gottfried Benn
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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domingo, 25 de outubro de 2009
- REIVINDICAÇÃO DA ARTE
A boa, que ao seu amor nada nega
E se lhe entrega com antecipação
Saiba: que não é boa vontade não
Mas talento, o que ele deseja na esfrega.
Mesmo se à velocidade do som
Do sou-tua dela à cópula chega
Não é pressa que o botão dele carrega
Quando às bolas seminais dá vazão.
Se é o amor que primeiro atiça o fogo
Precisa ela depois, para Inverno amparado
De ser dona ainda de um traseiro dotado.
De facto, mais que o fervor no olhar
(Também faz falta) um truque há que usar:
Coxas soberbas, em soberbo jogo.
----- Bertolt Brecht, Poesia erótica
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
A fome, René MagritteO José Saramago é, verdadeiramente, um inculto! — é o que apraz-me dizer, de momento.
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domingo, 18 de outubro de 2009
- AO POVO CABO-VERDIANO,1 Eugénio Tavares
“A ti, Lázaro, me dirijo. Falo-te, porém não sei se me ouves; invoco quando deve haver de levantado na tua alma e a incerteza do teu olhar apenas me dá a impressão fria da caligem que envolve a tua inteligência, da miséria em que se empocilga a tua triste existência moral. Fisicamente, eu sei, existes: bem te vejo curvado sob a mó de um labutar esmagador, investindo com quanto há de tempestuoso na adversidade para que não falte o pão na boca dos teus filhos. Moralmente, porém, não oiço a tua voz no concerto das vontades orientadas na disciplina e fortalecidas na união.
Vítima da dissolução do meio em que fadejas, pessoa civil sem valor real; força política sem consciência de direitos; dizer-te vivo é caluniar a tua incapacidade cívica e intelectual.
Tua sombra hesitante, eu a enxergo dentro da escura nulidade a que te reduziu o desmarcado egoísmo dos últimos degenerados da nossa orgia administrativa. O que têm feito, por ti, esses que, com proficuidade, podem exercer benéfica acção moral e política? Quando é que para elevar o teu nível moral ou económico sacrificam, eles, a mínima parcela do seu tempo ou do seu dinheiro? Quando é que se deixaram de abusar da tua ignorância? Quando foi que eles viram, na política, não um meio de fazer frutificar habilidades em proveito próprio, mas uma força de fazer progredir povos?
A tua classe preponderante não é um elemento de acção política; não é uma engrenagem do progresso; é uma das faces mais ridículas do egoísmo. “Cumpre, pois, irmão, o dever iniludível de exercer os teus direitos políticos. “Educa-te; une-te; disciplina-te; se associares o teu trabalho ao trabalho dos outros, de muitos, quando não possa ser de todos; trabalharás muito menos e lucrarás muito mais... Porque a riqueza de um, meu amigo, é, quase sempre conseguida à custa da miséria de muitos...”
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Imagem: Luís Royo
1 Ao Povo Cabo-verdiano, de Eugénio Tavares. In intervenção de Corsino Fortes (homem de cultura, discreto, sensível, ciente das suas responsabilidades e atento às necessidades dos cabo-verdianos, foi, de todos os Embaixadores de Cabo Verde que passaram por Portugal, honra lhe seja feita, aquele que mais se preocupou, em termos práticos com a Comunidade cabo-verdiana) no Colóquio Internacional Humanismo Latino na Cultura Portuguesa ocorrido na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2002) sob o título de «Eugénio Tavares - Um Construtor do Humanismo Cabo-Verdiano». Fica aqui a hiperligação para o texto, que merece uma leitura atenta neste Dia da Cultura Cabo-verdiana e da celebração do nascimento de Eugénio de Paula Tavares.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
- MOMENT(O) ZEN (1)
Imagem: Manuela Arcuri
(1) Quando eu era criança, diz a mãe, depois de ser amamentado pouco mais de um ano, passei a amamentar-me numa outra mulher que tinha acabado de dar a Luz. Assim, mamei durante dois anos e isso deve ter-me feito algum bem; acho.
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
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