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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

  • INGRATIDON D’GENT Y D’POVO
Um'me uvi nhe poeta, há b’kadim: — Kônd um morrê, um krê v’râ cinza e ser p’tod num komp d’batata p’tud gent k’mê um b’cadim d’mi. É nha forma d’homenajeá nhis gente. Mas se un tiver um pátria ingrôt, um ta dzê, sima Cipion Nasica gritá sis gent lá d’ Linterno, exilod y eskecid: Ingrata patria ossa mea non possidebis.
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E ke no eskecê kel dzê isso viv, t’sinti y t’sofrê ingratidon d’sê país.

sábado, 19 de setembro de 2009

  • DESPOJOS DE FESTIM – VIAGEM SENTIMENTAL

Há uns anos, fazia o Curso Geral dos Liceus em Lisboa, mais concretamente: na Póvoa de Santo Adrião, quando me chegou às mãos o livro Palavras Cínicas, do professor Albino Forjaz de Sampaio. Vinha de uma colega, mais velha do que eu (confesso que atentava mais nas suas formas opulentas do que no que dizia) e fiquei, confesso, espantado com a obra e, hoje, estive a ler um pouco do livro. Foi a Primeira Carta que, paradoxalmente, me apresentou Ivan Turgueniev… ainda me lembro das primeiras palavras amadas de Turgueniev e que me assaltaram a alma, presas e a voar para mim de O Sonho: «A minha mãe depositara em mim todos os seus pensamentos e cuidados, enlaçando a sua vida com a minha».

Tornei-me devedor, de Albino Forjaz de Sampaio (apoucadíssimo por Almada Negreiros no poema «Manifesto Anti Dantas» pelos seus escritos no jornal A Luta) – por me ter apresentado Turgueniev, e, a modo dessa apresentação, devo a Machado de Assis o achamento de Shelley, quando, lendo Helena, encontrei grafado este excerto de poema: I can´t give what men call love e apaixonei-me pela poeta. A Borges, por exemplo, depois de ter lido El Golem (um dos melhores poemas que já li) e Los Conjurados devo a introdução a Adolfo Bioy Casares, Gustav Meyrink e Amiel, numa perseguição que faço ao pensamento interior do poeta e meio vislumbrada na sua poética. «Serei capaz de escrever poemas de amor depois dos oitenta anos?» — pergunto-me.

Mormente estes benefícios mediatos de busca de beleza num mundo pejado de darwinismo social — visto por Hobbes, Turgueniev e decantado por Forjaz de Sampaio —, as Palavras Cínicas ainda hoje me incomodam e me impelem, sempre, a procurar a beleza, a consolação da filosofia, como diria Boeccio, e da arte, trazendo-me esta desejos e sensações, coisas meio vislumbradas… como voz de Kavafys. E hoje, nem o ter tido o prazer de acrescentar mais duas interpretações à colecção do meu Adágio preferido (Concierto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo) me salva de alguma putrefacção de alma que a verdade por vezes transporta. Mas há que, como Cândido, continuar a cultivar o nosso jardim, a cuidar da rosa silenciosa, a sentir o seu aroma ausente pois o bem não exige recompensa, é a recompensa.

E decidi (pondero nisso há muito), que deveria compartilhar as cartas de Palavras Cínicas de Albino Forjaz de Sampaio, e não sei se faço um favor de partilha; não sei não... mais uma incerteza para a minha colecção de dúvidas. Seja como for, que estejas num festim, sempre! Diz o autor no proémio das mesmas: «Vi que a vida era má e escrevi estas cartas. Se as leres no meio de um festim, as porás de parte com enfado, mas buscarás a sua consolação quando o mundo te fizer chorar.» Mas vida não é má, só é cruel para os bons e corrompedor da beleza. O que faz toda diferença, parece-me.

A Viagem Sentimental - Konstantin Kalynovychend

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

  • LUGARES
Near the Café Sidi Chebaane, Sidi Bou Saïd, Tunisia

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

  • EU E O MEU POETA…
O Colorado é a terra da representação da liberdade, do lugar natural. Mas nada, nada como o meu Monte Cara…vanitas vanitatis a toda a hora e cachupa com arrenque — disse ao meu poeta.

Death Valley Sand Dunes, California

quinta-feira, 18 de junho de 2009

  • MUDAMOS MAS O MUNDO GIRA E NÃO MUDA

1984, depois de ter abandonado a escola em menino, voltei a estudar. A razão, então, era simples: queria ir para a Etiópia ou o Bangladesh ajudar a multidão que morria de fome. Queria ser missionário, mas as circunstâncias da vida por vezes conspiram contra o bem e/ou a vontade de o fazer.

Hoje, de repente, amourado no meu momento de reflexão, perguntei a mim mesmo se não deveria ter ido para missionário… se não deveria ter seguido o caminho proposto pelos missionários combonianos e ter me tornado sacerdote católico. Mas não!, "pensava de forma diferente" – era protestante/evangélico, o quadro doutrinário católico agoniava-me (não no plano social, mas estritamente doutrinário) e não me sentia capaz de um sacrifício contra a natureza que o sacerdócio católico romano exigia e exige, pelo menos sem deixar de ser honesto comigo mesmo. Pensava, então, que haveria outros caminhos… estudei Direito, especializei-me em Direitos Humanos, uma forma sucedânea do sacerdócio, pensava.

Mas ha coisas que não mudam. Há alguns anos, numa entrevista à jornalista Anabela Mota Ribeiro para o DNA (suplemento semanal do jornal português Diário de Notícias), dizia-lhe que «um dia destes deixo tudo e vou para missionário». É uma tentação contínua, que me persegue – especialmente quando vou a Cabo Verde, passo por países com problemas sociais gritantes (evito viajar para essas zonas, pois ferem-me a alma de forma brutal – há anos que adio uma visita de estudo à Mauritánia e ao Sudão). Nestas alturas, como aconteceu quando estive em Luanda (lembras-te, meu bom amigo Pastor Victor Belo?) e no Brasil, sinto-me como que perseguido por Deus, empurrado às origens dos motivos da minha formação formal.

Azucrina-me, não raras vezes, essa coisa estranha que é (re)começar a estudar para uma missão e acabar noutra, substancialmente diferente: a defender criminosos e pessoas que, não raras vezes, são ingratas e que só podem se queixar de si mesmas. Eu não me queixo de nada – talvez de amar menos do que deveria ou de arriscar menos neste plano – que a existência me proporciona, pois tenho nos menos afortunados a minha referência de existência.

Cerca de 25 anos depois, o Mundo continua o mesmo espaço de desigualdades profundas que me moveram a querer certificar os meus conhecimentos e a saber mais de tudo. As mesmas questões me preocupam, agora numa perspectiva ainda mais abrangente e com uma outra percepção, o mesmo sentir me afronta... E me afronta mais ainda pelo facto de me sentir, de certo modo, violentamente contaminado por uma forma de viver que, no fundo, me indigna. Um dia, como dizia a Anabela Mota Ribeiro…

Bem, o melhor é ir escrever um poema...

Imagem: Crucifixo, de Kooning

segunda-feira, 23 de março de 2009

Esta manhã, a minha alma grita à forma de Deus sobre a terra:

– «[…] a tua voz tem a doçura dos rios maduros, e a firmeza do oceano quando jovem; o balanço da cotovia.»

Imagem: Fair Rosamund - John Williams Waterhouse (1917)

domingo, 22 de março de 2009

  • O MEU POETA E EU

– VB, diz-me: quando é que ser bom e ser justo não se torna uma forma de iniquidade? – pergunta-me o meu poeta.

Sinto-me gráfico.

Não há logos que que chegue, não há logos que chegue – só tu: a sua genealogia repentina. No sopé dos montes, estaciono a alma, despojo-a de armas e fecundo-me de ti numa multidão de tranças inesperadas. Queria ser uma maratona – hoje, sempre.

Não, não me sinto gráfico: sou gráfico, agora – na genealogia.

sábado, 4 de outubro de 2008

  • Wang Wei
    A SONG OF AN AUTUMN NIGHT
Under the crescent moon a light autumn dew
Has chilled the robe she will not change -
And she touches a silver lute all night,
Afraid to go back to her empty room.
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  • Pablo Picasso, Farmer and Nude surrounded by Hens

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A floresta fechou-se atrás dela e deixou-a livre.
In John Steinbeck, A Um Deus Desconhecido, Lisboa, 1979, p.127

  • imgem: Les femmes, Milo Manara

domingo, 29 de junho de 2008

Thanatos, Malczewski

quinta-feira, 26 de junho de 2008

  • MOMENTOS FELIZES SEM A FELICIDADE PRIMEIRA

Há cinco dias que penso num problema e procuro, qual mineiro do pensamento, a sua solução – andava a pairar por aí, algures; apareceram-me quatro soluções possíveis, mas todas frágeis, desadequadas como legionário sem sandálias.

Até há pouco. Encontrou-me fumando um cigarrillo negro e espreitando o céu à procura de uma estrela. Apareceu, como um orgasmo de novidade experimentada, como um fogo consumidor e abrigou-se em mim a modo de epithalamium de nós.

Ah!, nem todos os prazeres, assim como nem todas as coisas deleitosas, convêm à toda espécie de pessoas. É que, na verdade, existe uma espécie de princípio de Peter, uma desigualdade natural, na curva da alma. Há momentos assim, sim...