domingo, 9 de novembro de 2008

  • OS EQUIVOCOS DA VERDADE

Há alguns anos havia em Portugal um modismo linguístico em que as pessoas, por tudo e por nada, perguntavam – «qual é a tua, ó meu?». Coisas próprias da terra... Acontecem ciclicamente este tipo de fenómenos sociais.

Um jovem crioulo chegou a Lisboa nessa época, cheio de sonhos e espantado pelo novo mundo que se lhe apresentava. A ilha saudosa era o seu lugar extraordinário e a terra nova uma realidade estranha para si, mas depressa se ambientou. Conheceu duas mandronguinhas; belas, encantadoras e atrevidas constituíam novidades absolutas para ele. Ficou perdido de amores por elas – era mesmo um mundo novo... – e não conseguia decidir-se qual era a mais bela ou interessante. Não se decidiu.

Ficou durante uma temporada a namoriscar em segredo com uma e com outra. Um dia, na véspera de viajar para a cidade onde iria residir e que ficava uns bons quilómetros fora de Lisboa, estava a jogar às cartas com as duas amigas e a verdade realizou-se.

Sentados na cama de uma delas, o criolinho estava feliz. De repente uma delas, impetuosa e sentindo as saudades antecipadas, abraçou-o e ele fez o mesmo, sob o olhar furioso mas de acção contida da outra.

Passado um pouco, esta outra não resistiu aos instintos e, também, abraçou-o carinhosamente. A primeira das meninas, com sangue quente e visceral ciúme, deu-lhe um empurrão e disse-lhe:

– Qual é a tua, ó meu!?

O criolinho, desconhecendo essa prática linguística do país, respondeu com toda a sinceridade de alma e encolhendo os ombros, rendido à realidade:

– As duas!...

Desataram-se todos a rir, alegres com o espírito do criolinho e continuaram o jogo; sem mais. Só algum tempo depois é que o criolinho teve consciência do que acontecera e elas – quando, alguns anos depois, confessaram uma à outra as suas façanhas com o pretinho – descobriram que a verdade é uma coisa terrível.

  • Imagem: Olaudah Equiano

sábado, 8 de novembro de 2008

  • Consequências imediatas da derrota do Benfica com os turcos do Galatasaray para a taça UEFA.

– Se, como se diz por aí, a Manuela Ferreira Leite teve uma declaração xenófoba, racista, quejanda… porque os que assim a acusam não apresentam a competente queixa contra ela? – pergunta-me o meu poeta.
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  • Jacob Jordaens, Juicio de salomon

Sabes quem era Aisha Duhulow?

  • Do you know who Aisha Duhulow was?

  • MEMÓRIAS DE LIVROS

Hoje, sabe-se lá porquê, tropecei em O Fim da Eternidade de Isaac Assimov. Lembro-me agora, dos tempos em que lia (devorava) Tolkien, Ray Brandbury, Artur C. Clark... e uma multidão de outros autores cujas obras hoje invadem as telas dos cinemas.

Eram, na altura, uma literatura menos literária – diziam muitos; como alguns, ainda hoje, dirão de Alexandre Dumas, de Júlio Verne e Edgar Rice Burroughs, mas não se atreverão a dizer isso de outros que, estando na mesma linha, tinham uma escrita fantástica não somente na substância mas também na forma, como é o caso de Rudyard Kippling («O Livro da Selva» e «O Homem Que Queria Ser Rei» são obras espantosas), sendo que as histórias do Tarzan, do Mogli e do «ressurrecto» Alexandre trazem mensagens subliminares de ordem racista e/ou racialista não despiciendas.

Lembro-me, ainda, com uma estranha nostalgia, da colecção Vampiro, primeiro a de bolso, depois a de formato de «livro» e de deliciar-me com os mistérios engendrados por Erle Stanley Gardner, Agatha Christie, A.A. Fair, George Simenon... Adolescente, ainda.

Mais atrás no tempo, lembro-me de ter aprendido a distinguir um bom livro dos maus (mas existirá, realmente, tal coisa para o faminto?). Paradoxalmente, foi a ler livros que não se consideram de «grande» literatura que fiz essa descoberta, em pleno Mindelo, menino e moço ainda a descobrir jogos de papai e mámãe.

Lia de tudo, mas mesmo de tudo (imagine-se que cheguei a ler os famosos «caprichos», as fotonovelas – Corin Tellado, Simplesmente Maria, Grande Hotel e toda a ordem de «caprichos»... – que foram mortas pelas telenovelas), pois a quantidade era escassa e a sede e a fome de leitura dava para consumir o mar imenso que fustigava a Matiota e a Laginha.

Sendo o meu primeiro grande autor Júlio Diniz (que não me farto de agradecer ao velho Djindjuca por me introduzir na grande literatura), a verdade é que foi a ler livros de cowboys – da colecção bisonte e outros... – que descobri o que eram os bons e os maus livros. E foi por exclusão – descobri primeiro o que era mesmo mau, no caso os livros de Marcial LaFuente Estefánia – que cheguei lá.

É estranho, mas não me recordo dos autores desses livros fast food, mas recordo-me de Marcial LaFuente Estefánia; descobri o que era o estilo de um autor com ele. Lia-se um livro e era como se se tivesse lido todos. A minha ideia de lone wolf, de western tipo e do que é um bom livro deve-se, em larga medida, a Marcial LaFuente Estefánia. E os seus livros eram maus...

  • Imagem: Tarzan, desenho de Hogarth (prefiro Russ Manning – quando tropeçar num dos livros dele, algures num caixote guardador, prometo partilhar uma ou outra prancha do mais imaginário Tarzan e do seu filho, Korak)

  • Wumingshi
    THE DAY OF NO FIRE
As the holiday approaches, and grasses are bright after rain,
And the causeway gleams with willows, and wheatfields wave in the wind,
We are thinking of our kinsfolk, far away from us.
O cuckoo, why do you follow us, why do you call us home?

  • Edgar Degas, Woman at her toilette

Mudança temporária de sexo?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

  • A BOCA DE MANUELA FERREIRA LEITE, O SILÊNCIO DO ESTADO DE CABO VERDE E OUTRAS VOZES

Manuela Ferreira Leite fez uma afirmação que todos reputam por xenófoba, e se calhar até que, objectivamente, poderá ser considerada como tal – latíssimo sensu e com algum esforço hermenêutico, do meu ponto de vista. Mas queria a líder do PSD com isso agravar os imigrantes residentes em Portugal? Não creio.

Note-se que esta afirmação – levado para a esfera da xenofobia – tem um substrato bem mais profundo e que é a política portuguesa e europeia de imigração que vê nos países d emigração uma «reserva de mão-de-obra» para satisfazer as suas necessidades e pouco mais. E ainda falam em política social de imigração… pois é…, por isso é que a União Europeia passou a questão da imigração do pilar social para o da segurança – PESC (Política Europeia de Segurança Comum) não é?

Cada um vê o que pode, é capaz ou quer ver, sem dúvida. Por isso há quem tenha tornado essa afirmação num facto político de uma esfera estranha às razões que terão movido Manuela Ferreira Leite – aproveitando as associações de imigrantes como pontas de lança do repúdio da afirmação; pois claro. Teria ficado admirado se assim não fosse.

O que me admirou foi outra coisa. O Estado de Cabo Verde não ter feito chegar – através do Ministério dos Negócios estrangeiros ou do Embaixador de Cabo Verde em Lisboa – uma nota de protesto junto do Governo português e do Partido Social Democrata. A comunidade cabo-verdiana em Lisboa agradeceria e a nação também – pois não podemos, nem devemos, como povo, nação e Estado, ser vistos como apêndice económico e social de ninguém.

Estas omissões e silêncios não são admissíveis por parte de um Estado que cura do bem-estar dos seus cidadãos. Há que ver as coisas, definitivamente, outside the box.

Deixei passar a afirmação, pois penso ser mais uma questão de foro político da ordem dos Estados dos que uma questão da competência da cidadania e, sinceramente, esperava um pronunciamento do Governo cabo-verdiano. Mas não, o silêncio habitual imperou.

Não raras vezes sou visto por muita gente como um africanista – as pessoas pensam em «racista», na verdade… – por defender os interesses das comunidades imigradas de um ponto de vista não coincidente com o politicamente correcto e/ou não alinhado com os interesses partidários ou lobbies que giram em torno das associações e as estrangulam do ponto de vista da intervenção cívica.

Tem os seus custos, mas que importa isso? No que diz respeito aos princípios não transijo nem nunca transigirei – nunca e seja em que plano for; e não me importam os custos desta minha forma de ser e de ver a vida. Como diz o Engenheiro

«Queriam-me [...], fútil, quotidiano e tributável?

Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!»

É, Manuela Ferreira Leite ou teve um lapsus linguae ou então estamos – o que me parece mais provável – um acto falhado. E essas coisas devem ser entendidas como e pelo que são. A xenofobia não é uma arma, não. E aqueles que tanto defendem os imigrantes e os estrangeiros em Portugal nunca estão onde devem… pergunto, por exemplo, onde andavam aquando do julgamento dos skin heads que foram julgados por racismo e xenofobia (um desses cidadãos, inclusive, já fora condenado por ter participado na morte do do cabo-verdiano Alcino Monteiro).

Sim, estavam onde? Lembro que foi no consulado de José Leitão, o primeiro Alto Comissário para a Imigração e as Minorias Étnicas (hoje ACIDI) que as às associações foi consagrado o direito processual de se constituírem Assistentes nos processos de discriminação racial e xenofobia. Esse direito nunca foi usado!

E não me digam que foi por falta de meios, pois poderiam pedir a nomeação de um Advogado – além de estarem isentos do pagamento da taxa de justiça; isto é, não é uma questão de meios mas de demissão do exercício desse direito. As razões? Não sei, não sei… o que sei é que fosse política, como neste caso da afirmação da Manuela Ferreira Leite, ouviria daqui d´El Rey.

  • Imagem: Minotauro, Luís Royo

  • MEMÓRIAS ACADÉMICAS
Chove em Lisboa. Deveria, diz-me o meu poeta, agarrar no telefone e dizer: te amo... mas o silêncio prende-me às memórias como raiz ubuntu. Estava na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa a dar os primeiros passos no conhecimento do jurídico quando ouvi um dos conselhos mais inteligentes e úteis que me deram até hoje:

– Os Senhores vão passar a Vossa vida a esquecer o que aprenderam aqui – disse o docente, com a convicção de quem sabia o que dizia. Desde então policio-me, diligentemente, para que isso não aconteça.

Assim, contrariando a ideia de que «sei» alguma coisa, revisito sempre o passado e por novos caminhos. Por esta altura estou a reler «A Theory of Justice» de John Rawls e «Introducción al Análisis del Derecho» de Carlos Santiago Nino – uma das mentes mais brilhantes do Século XX e um humanista que pensava o Direito como uma ciência pró humanidade e não como uma estrutura normativa de legitimação do poder, do seu exercício regulador e de conformação das situações sociais.

Ler Carlos Santiago Nino («Ética y Derechos Humanos» é um monumento à humanidade que merecia o mesmo destino que as Memórias de Winston Churchill; assim como «Radical Evil on Trial» é aconselhável a legisladores e julgadores), John Rawls («A Theory of Justice» – um dos grandes momentos de construção da ideia de Estado de Direito no Séc. XX), Ernesto Garzón Valdés, Eugénio Bulygin, Carlos Alchourrón, Robert Alexy («Teoria de los Derechos Fundamentales» é, para mim, uma espécie de Bíblia nesta matéria), John Finnis («Fundamentals of Ethics»), Jurgen Habermas, Tony Honoré («Emperor and Lawyers» é estruturante para estudiosos da História clássica e do Direito)... constitui, para mim, um exercício de veneranda humildade, de refundação do «ver» o Mundo e as suas incidências para além das evidências.

Fatalmente, a minha mente remete-me às minhas origens, ao meu berço.... Numa altura em que se afirma a existência de uma democracia sólida – mas com pés de barro (como o conflito patente entre Jorge Santos e José Maria Neves, o «debate controlado» entre este e Carlos Veiga – que remeteu o líder da oposição à uma indesejável menoridade social, política e no interior do seu partido – e o «bloqueio parlamentar» demonstram de forma cabal) – e se ouve a alta voz que as magistraturas sofrem pressões ou que os magistrados «têm medo», se calhar conviria aos actores sociais no plano dos órgãos de soberania revisitar John Rawls e, em particular, a sua «Justiça e Democracia».

Os políticos devem saber o que é ser-se político e os magistrados – cuja independência funcional e substancial é a pedra de toque da democracia – também, pois de outro modo a democracia acaba por ser reduzida a um nomen. Numa democracia, nem os magistrados devem ter medo de decidir nem o legislador e os governantes devem deixar de agir – mesmo que isso represente não repristinar ofensas do passado – como conseguiu, em boa hora, fazer ver ao Presidente Raúl Alfonsín.

Na verdade, quando penso no que vou escrevendo, tenho consciência que o conselho dado e recebido era verdadeiro – não no sentido e contexto em que foi transmitido – pois comecei a «ver» e a aprender as coisas depois de deixar a Faculdade de Direito de Lisboa e seguir outros horizontes. mpf84

  • O MEU POETA

ELECTRA ti t´precisá bâ té tribunal e levâ um bom rebencada – disse-me o meu poeta.

  • Imagem: Carmen Electra

  • Realojamento...

  • COISAS DE MENINO

Lembro–me – sem nunca o ter visto
– de ter escutado
Nhô Pâde Fernand dizer:
«Aflora a tua alma
ao bem: só o desejo
aplaca o desejo
e o teu olhar na sebe da Lua
amanhã.»

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

  • Para aqueles que não viram nem ouviram o discurso, cá está. O Discurso de vitória - mais de reconciliação que de vitória - de Barack Obama. Para ouvir melhor, tire o som ao plugin da rádio terra-longe (à esquerda).

  • O DISCURSO DE VITÓRIA DE BARACK OBAMA

Boa noite, Chicago. Se ainda houver alguém que duvida que a América é o lugar onde todas as coisas são possíveis, que questiona se o sonho dos nossos fundadores ainda está vivo, que ainda duvida do poder da nossa democracia, teve esta noite a sua resposta.

É a resposta dada pelas filas de voto que se estendiam em torno de escolas e igrejas em números que esta nação jamais vira, por pessoas que esperaram três e quatro horas, muitas pela primeira vez na sua vida, porque acreditavam que desta vez tinha de ser diferente, que as suas vozes poderiam fazer essa diferença.

É a resposta dada por jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, hispânicos, asiáticos, nativos americanos, homossexuais, heterossexuais, pessoas com deficiências e pessoas saudáveis. Americanos que enviaram uma mensagem ao mundo, a de que nunca fomos apenas um conjunto de indivíduos ou um conjunto de Estados vermelhos e azuis.Somos e sempre seremos os Estados Unidos da América.

É a resposta que levou aqueles, a quem foi dito durante tanto tempo e por tantos para serem cínicos, temerosos e hesitantes quanto àquilo que podemos alcançar, a porem as suas mãos no arco da História e a dobrá-lo uma vez mais em direcção à esperança num novo dia.

Há muito que isto se anunciava mas esta noite, devido àquilo que fizemos neste dia, nesta eleição, neste momento definidor, a mudança chegou à América.

Há pouco recebi um telefonema extraordinariamente amável do Senador McCain.

O Senador McCain lutou longa e arduamente nesta campanha. E lutou ainda mais longa e arduamente pelo país que ama. Fez sacrifícios pela América que muitos de nós não conseguimos sequer imaginar. Estamos hoje melhor devido aos serviços prestados por este líder corajoso e altruísta.

Felicito-o e felicito a governadora Palin por tudo aquilo que alcançaram. Espero vir a trabalhar com eles para renovar a promessa desta nação nos próximos meses.

Quero agradecer ao meu parceiro neste percurso, um homem que fez campanha com o seu coração e falou pelos homens e mulheres que cresceram com ele nas ruas de Scranton e viajaram com ele no comboio para Delaware, o vice-presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.

E eu não estaria aqui hoje sem o inabalável apoio da minha melhor amiga dos últimos 16 anos, a pedra angular da nossa família, o amor da minha vida, a próxima Primeira Dama do país, Michelle Obama.

Sasha e Malia, amo-vos mais do que poderão imaginar. E merecem o novo cachorro que virá connosco para a nova Casa Branca.

E embora ela já não esteja entre nós, sei que a minha avó está a observar-me, juntamente com a família que fez de mim aquilo que sou. Tenho saudades deles esta noite. Reconheço que a minha dívida para com eles não tem limites.

Para a minha irmã Maya, a minha irmã Alma, todos os meus outros irmãos e irmãs, desejo agradecer-vos todo o apoio que me deram. Estou-vos muito grato.

E ao meu director de campanha, David Plouffe, o discreto herói desta campanha, que, na minha opinião, concebeu a melhor campanha política da história dos Estados Unidos da América.

E ao meu director de estratégia, David Axelrod, que me tem acompanhado em todas as fases do meu percurso.Para a melhor equipa alguma vez reunida na história da política: tornaram isto possível e estou-vos eternamente gratos por aquilo que sacrificaram para o conseguir.

Mas acima de tudo nunca esquecerei a quem pertence verdadeiramente esta vitória. Ela pertence-vos a vós. Pertence-vos a vós.

Nunca fui o candidato mais provável para este cargo. Não começámos com muito dinheiro nem muitos apoios. A nossa campanha não foi delineada nos salões de Washington. Começou nos pátios de Des Moines, em salas de estar de Concord e nos alpendres de Charleston. Foi construída por homens e mulheres trabalhadores que, das suas magras economias, retiraram 5 e 10 e 20 dólares para a causa.

Foi sendo fortalecida pelos jovens que rejeitavam o mito da apatia da sua geração e deixaram as suas casas e famílias em troca de empregos que ofereciam pouco dinheiro e ainda menos sono.

Foi sendo fortalecida por pessoas menos jovens, que enfrentaram um frio terrível e um calor sufocante para irem bater às portas de perfeitos estranhos, e pelos milhões de americanos que se ofereceram como voluntários, se organizaram e provaram que mais de dois séculos depois, um governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecera da Terra.

Esta vitória é vossa.

E sei que não fizeram isto apenas para vencer uma eleição. E sei que não o fizeram por mim.Fizeram-no porque compreendem a enormidade da tarefa que nos espera. Porque enquanto estamos aqui a comemorar, sabemos que os desafios que o amanhã trará são os maiores da nossa vida – duas guerras, uma planeta ameaçado, a pior crise financeira desde há um século.

Enquanto estamos aqui esta noite, sabemos que há americanos corajosos a acordarem nos desertos do Iraque e nas montanhas do Afeganistão para arriscarem as suas vidas por nós.

Há mães e pais que se mantêm acordados depois de os seus filhos adormecerem a interrogarem-se sobre como irão amortizar a hipoteca, pagar as contas do médico ou poupar o suficiente para pagar os estudos universitários dos filhos.

Há novas energias para aproveitar, novos empregos para serem criados, novas escolas para construir, ameaças para enfrentar e alianças para reparar.

O caminho à nossa frente vai ser longo. A subida vai ser íngreme. Podemos não chegar lá num ano ou mesmo numa legislatura. Mas América, nunca estive tão esperançoso como nesta noite em como chegaremos lá.

Prometo-vos. Nós, enquanto povo, chegaremos lá.Haverá reveses e falsas partidas. Há muitos que não concordarão com todas as decisões ou políticas que eu tomar como presidente. E sabemos que o governo não consegue solucionar todos os problemas.

Mas serei sempre honesto para convosco sobre os desafios que enfrentarmos. Ouvir-vos-ei, especialmente quando discordarmos. E, acima de tudo, pedir-vos-ei que adiram à tarefa de refazer esta nação da única forma como tem sido feita na América desde há 221 anos – pedaço a pedaço, tijolo a tijolo, e com mãos calejadas.

Aquilo que começou há 21 meses no rigor do Inverno não pode acabar nesta noite de Outono.Somente a vitória não constitui a mudança que pretendemos. É apenas a nossa oportunidade de efectuar essa mudança. E isso não poderá acontecer se voltarmos à forma como as coisas estavam.

Não poderá acontecer sem vós, sem um novo espírito de empenho, um novo espírito de sacrifício.

Convoquemos então um novo espírito de patriotismo, de responsabilidade, em que cada um de nós resolve deitar as mãos à obra e trabalhar mais esforçadamente, cuidando não só de nós mas de todos.

Recordemos que, se esta crise financeira nos ensinou alguma coisa, é que não podemos ter uma Wall Street florescente quando as Main Street sofrem.

Neste país, erguemo-nos ou caímos como uma nação, como um povo. Resistamos à tentação de retomar o partidarismo, a mesquinhez e a imaturidade que há tanto tempo envenenam a nossa política.

Recordemos que foi um homem deste Estado que, pela primeira vez, transportou o estandarte do Partido Republicano até à Casa Branca, um partido fundado em valores de independência, liberdade individual e unidade nacional.

São valores que todos nós partilhamos. E embora o Partido Democrata tenha alcançado uma grande vitória esta noite, fazemo-lo com humildade e determinação para sarar as divergências que têm atrasado o nosso progresso.

Como Lincoln disse a uma nação muito mais dividida do que a nossa, nós não somos inimigos mas amigos. Embora as relações possam estar tensas, não devem quebrar os nossos laços afectivos.

E àqueles americanos cujo apoio ainda terei de merecer, posso não ter conquistado o vosso voto esta noite, mas ouço as vossas vozes. Preciso da vossa ajuda. E serei igualmente o vosso Presidente.

E a todos os que nos observam esta noite para lá das nossas costas, em parlamentos e palácios, àqueles que estão reunidos em torno de rádios em cantos esquecidos do mundo, as nossas histórias são únicas mas o nosso destino é comum, e uma nova era de liderança americana está prestes a começar.

Aos que querem destruir o mundo: derrotar-vos-emos. Aos que procuram a paz e a segurança: apoiar-vos-emos. E a todos aqueles que se interrogavam sobre se o farol da América ainda brilha com a mesma intensidade: esta noite provámos novamente que a verdadeira força da nossa nação não provém do poder das nossas armas ou da escala da nossa riqueza, mas da força duradoura dos nossos ideais: democracia, liberdade, oportunidade e uma esperança inabalável.

É este o verdadeiro génio da América: que a América pode mudar. A nossa união pode ser aperfeiçoada. O que já alcançámos dá-nos esperança para aquilo que podemos e devemos alcançar amanhã.

Esta eleição contou com muitas estreias e histórias de que se irá falar durante várias gerações. Mas aquela em que estou a pensar esta noite é sobre uma mulher que depositou o seu voto em Atlanta. Ela é muito parecida com os milhões de pessoas que aguardaram a sua vez para fazer ouvir a sua voz nestas eleições à excepção de uma coisa: Ann Nixon Cooper tem 106 anos.

Ela nasceu apenas uma geração depois da escravatura, numa época em que não havia automóveis nas estradas nem aviões no céu; em que uma pessoa como ela não podia votar por duas razões – porque era mulher e por causa da cor da sua pele.

E esta noite penso em tudo o que ela viu ao longo do seu século de vida na América – a angústia e a esperança; a luta e o progresso; as alturas em que nos foi dito que não podíamos e as pessoas que não desistiram do credo americano: Sim, podemos.

Numa época em que as vozes das mulheres eram silenciadas e as suas esperanças destruídas, ela viveu o suficiente para se erguer, falar e votar. Sim, podemos.

Quando havia desespero e depressão em todo o país, ela viu uma nação vencer o seu próprio medo com um New Deal, novos empregos, e um novo sentimento de um objectivo em comum. Sim, podemos.

Quando as bombas caíam no nosso porto e a tirania ameaçava o mundo, ela esteve ali para testemunhar uma geração que alcançou a grandeza e salvou uma democracia. Sim, podemos.

Ela viu os autocarros em Montgomery, as mangueiras em Birmingham, uma ponte em Selma, e um pregador de Atlanta que dizia às pessoas que elas conseguiriam triunfar. Sim, podemos.

Um homem pisou a Lua, um muro caiu em Berlim, um mundo ficou ligado pela nossa ciência e imaginação.

E este ano, nestas eleições, ela tocou com o seu dedo num ecrã e votou, porque ao fim de 106 anos na América, tendo atravessado as horas mais felizes e as horas mais sombrias, ela sabe como a América pode mudar.

Sim, podemos.

América, percorremos um longo caminho. Vimos tanto. Mas ainda há muito mais para fazer. Por isso, esta noite, perguntemos a nós próprios – se os nossos filhos viverem até ao próximo século, se as minhas filhas tiverem a sorte de viver tantos anos como Ann Nixon Cooper, que mudança é que verão? Que progressos teremos nós feito?

Esta é a nossa oportunidade de responder a essa chamada. Este é o nosso momento.

Este é o nosso tempo para pôr o nosso povo de novo a trabalhar e abrir portas de oportunidade para as nossas crianças; para restaurar a prosperidade e promover a causa da paz; para recuperar o sonho americano e reafirmar aquela verdade fundamental de que somos um só feito de muitos e que, enquanto respirarmos, temos esperança. E quando nos confrontarmos com cinismo e dúvidas e com aqueles que nos dizem que não podemos, responderemos com o credo intemporal que condensa o espírito de um povo: Sim, podemos.

Muito obrigado. Deus vos abençoe. E Deus abençoe os Estados Unidos da América.

Tradução de Mª João Batalha Reis in Publico on line de 05.11.2008

  • A HORA DOS NEGROS SAÍREM DA TOCA
O momento é oportuno. Compartilho com os que passam aqui por terra-longe a notícia de que um cidadão afro-português irá ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições autárquicas.

Mais vale tarde do que nunca. Depois darei mais pormenores.
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  • Imgem: Pendant Mask, Iyoba, 16th century, Benin

  • PEDRO PIRES PERANTE O NÃO REGULAR FUNCIONAMENTO DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS

Perante o que se passa em Cabo Verde, com o consabido problema do Supremo Tribunal de Justiça, o bloqueio parlamentar e a falta de diálogo entre o líder do partido do Governo e o líder do maior partido da oposição e o seguidismo partidário dos deputados, o que dizer do silêncio do Presidente da República?

Não era já tempo do Presidente Pedro Pires ter chamado à Presidência da República o Jorge Santos, o José Maria Neves e os líderes das bancadas parlamentares e fazê-los entender que a vida dos cidadãos cabo-verdianos e os seus direitos, liberdades e garantias fundamentais, assim como os seus interesses legítimos, são mais importantes que os interesses dos partidos que dirigem?

Será que não consegue exercer o seu papel de arbítro e exortar ambos os chefes de fila dos partidos a perceberem que a Assembleia Nacional não é o Estádio da Varzea ou da Fontinha e que não importa quem ganha ou quem perde, mas sim que os interesses da nação e do povo cabo-verdiano sejam defendidos?

Caso o MPD e o PAICV não chegam a acordo, o Presidente deve equacionar outras soluções, nomeadamente o de exercer os seus poderes constitucionais e, convocando o Conselho de Estado, decidir nos termos da Constituição. Sim. Deve dizer, em nome do povo: – chega! Assim, como está, é que o país não pode nem deve estar.

A actual situação constitui um claro e inequívoco não regular funcionamento das intituições democraticas e deve ser tratado como tal pelo Presidente da República. Se os deputados não são capazes de discutir as matérias que lhes são apresentadas, se dependem da cabeça do líder para decidirem seja o que for, não são capazes nem dignos de representar o povo cabo-verdiano. Não estão na Assembleia Nacional para defender os interesses dos partidos, mas sim os do povo que os mandatou para zelar pelos seus interesses.

O povo não elegeu pessoas acéfalas, elegeu pessoas que pensa(va) serem capazes de pensar e decidir em seu nome, não de acordo com a cabeça do líder ou os interesse dos partidos. Os deputados são da nação, não do PAICV, MPD e UCID.

E se a Assembleia Nacional não funciona, se o Supremo Tribunalde Justiça não pode nem deve funcionar com mandatos caducados, se os sujeitos parlamentares são meras caixas de ressonância dos partidos e sem autonomia, a democracia não está salvaguardada nos termos da Constituição da República de Cabo Verde.

Ou os deputados da Assembleia Nacional assumem as suas competências e as exercem, ou o Presidente da República deve convocar o Conselho de Estado e dissolver o parlamento nacional e convocar novas eleições. O presidente é arbítro e é vigia, mas tem de ser um vigia atente e, quando necessário – como agora é – intervir e devolver a bola do jogo democrático a quem decide: o povo. O único estádio para o futebulim democrático é o das Urnas, do voto democrático.

É assim em democracia, e Cabo Verde não pode ser uma democracia de fachada. Se as instituições não fncionam, há que arranjar-se uma forma de as fazer funcionar; se uns não podem, há de haver quem possa. Não era nem é necessário chegar-se a este ponto, masparece que os partidos e os deputados na Assembleia Nacional assim o querem; e se o querem, o povo saberá como responder.

Tem a palavra o magistrado magnus da nação cabo-verdiana. O silêncio não é opção possível ou sequer admissível.

  • Capa da «Time» de 23 de Outubro de 2006 nas mãos de um admirador de Barack Obama durante um comício em Los Angeles, Califórnia. Decorria o dia 27 de Outubro de 2007…

The Happy Unicorn, Salvador Dali

  • Há dias em um homem nasce de novo… e só se pode ser grato.

A PARCERIA ESPECIAL COM A UNIÃO EUROPEIA. ONDE ESTAMOS, HOJE?

in Liberal

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

  • UMA NOVA AMÉRICA POLÍTICA
Além de ter vencido as eleições presidenciais, Barack Obama vê o seu partido, o Partido Democrata, vencer as eleições para a Câmara dos Representantes e para o 1/3 do Senado que foi a votos. Nasceu destas eleições uma nova América política que, espera-se, seja de uma nova política para os Estados Unidos da América e para o Mundo.
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Este quadro político é, sem dúvida, uma garantia de que Barack Obama não terá uma oposição forte à sua Administração. Mas também poderá querer dizer que o seu partido se sente politicamente forte e capaz o suficiente para «exigir» algumas concessões à sua Administração - espero que não à sua política.

Se será esperado que figuras como Al Gore ou Hillary Clinton venham a fazer parte da Administração Obama (os resultados das «legislativas» parece tornar isso uma espécie de inevitabilidade - Hillary Clinton pode[rá] ir para speaker da Assembleia dos Representantes ou para a presidência do Senado e assim permanecer uma reserva democrata no plano da Administração), não é menos certo que outras figuras iminentes da constelação política democrata venham a fazer parte do universo de eleitos para a reconstrução dos Estados Unidos da América. Isso em detrimento dos independentes e que poderá constituir uma espécie de brain drain do projecto de Barack Obama para a grande nação americana que, certamente, sonha.

Mas Barack Obama pode surpreender-nos, mais uma vez.
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  • Imagem: Mapa dos resultados presidenciais in CNN.com

REUTERS

Depois de John MacCain ter reconhecido a derrota, Barack Obama, acompanhado da família, do vice-Presidente eleito Joe Biden e perante milhares de apoiantes, fez o discurso que se segue.

  • O DISCURSO DA VITÓRIA DE OBAMA / OBAMA´S VICTORY SPEECH
"If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible, who still wonders if the dream of our founders is alive in our time, who still questions the power of our democracy, tonight is your answer.

It's the answer told by lines that stretched around schools and churches in numbers this nation has never seen, by people who waited three hours and four hours, many for the very first time in their lives, because they believed that this time must be different, that their voice could be that difference.

It's the answer spoken by young and old, rich and poor, Democrat and Republican, black, white, Latino, Asian, Native American, gay, straight, disabled and not disabled - Americans who sent a message to the world that we have never been a collection of Red States and Blue States: we are, and always will be, the United States of America.

It's the answer that led those who have been told for so long by so many to be cynical, and fearful, and doubtful of what we can achieve to put their hands on the arc of history and bend it once more toward the hope of a better day.

It's been a long time coming, but tonight, because of what we did on this day, in this election, at this defining moment, change has come to America.

'Unyeilding support'

I just received a very gracious call from Senator McCain. He fought long and hard in this campaign, and he’s fought even longer and harder for the country he loves. He has endured sacrifices for America that most of us cannot begin to imagine, and we are better off for the service rendered by this brave and selfless leader. I congratulate him and Governor Palin for all they have achieved, and I look forward to working with them to renew this nation's promise in the months ahead.

I want to thank my partner in this journey, a man who campaigned from his heart and spoke for the men and women he grew up with on the streets of Scranton and rode with on that train home to Delaware, the vice president-elect of the United States, Joe Biden.

I would not be standing here tonight without the unyielding support of my best friend for the last sixteen years, the rock of our family and the love of my life, our nation’s next First Lady, Michelle Obama. Sasha and Malia, I love you both so much, and you have earned the new puppy that's coming with us to the White House. And while she's no longer with us, I know my grandmother is watching, along with the family that made me who I am. I miss them tonight, and know that my debt to them is beyond measure.

To my campaign manager David Plouffe, my chief strategist David Axelrod, and the best campaign team ever assembled in the history of politics - you made this happen, and I am forever grateful for what you’ve sacrificed to get it done.

But above all, I will never forget who this victory truly belongs to - it belongs to you.

I was never the likeliest candidate for this office. We didn’t start with much money or many endorsements. Our campaign was not hatched in the halls of Washington - it began in the backyards of Des Moines and the living rooms of Concord and the front porches of Charleston.

'Task ahead'

It was built by working men and women who dug into what little savings they had to give five dollars and ten dollars and twenty dollars to this cause. It grew strength from the young people who rejected the myth of their generation's apathy, who left their homes and their families for jobs that offered little pay and less sleep, from the not-so-young people who braved the bitter cold and scorching heat to knock on the doors of perfect strangers, from the millions of Americans who volunteered, and organized, and proved that more than two centuries later, a government of the people, by the people and for the people has not perished from this Earth. This is your victory.

I know you didn't do this just to win an election and I know you didn't do it for me. You did it because you understand the enormity of the task that lies ahead. For even as we celebrate tonight, we know the challenges that tomorrow will bring are the greatest of our lifetime - two wars, a planet in peril, the worst financial crisis in a century.

Even as we stand here tonight, we know there are brave Americans waking up in the deserts of Iraq and the mountains of Afghanistan to risk their lives for us. There are mothers and fathers who will lie awake after their children fall asleep and wonder how they'll make the mortgage, or pay their doctor's bills, or save enough for college. There is new energy to harness and new jobs to be created; new schools to build and threats to meet and alliances to repair.

The road ahead will be long. Our climb will be steep. We may not get there in one year or even one term, but America - I have never been more hopeful than I am tonight that we will get there. I promise you - we as a people will get there.

There will be setbacks and false starts. There are many who won’t agree with every decision or policy I make as President, and we know that government can’t solve every problem. But I will always be honest with you about the challenges we face. I will listen to you, especially when we disagree.

And above all, I will ask you join in the work of remaking this nation the only way it's been done in America for 221 years – block by block, brick by brick, calloused hand by calloused hand.

'Spirit of patriotism'

What began twenty-one months ago in the depths of winter must not end on this autumn night. This victory alone is not the change we seek – it is only the chance for us to make that change. And that cannot happen if we go back to the way things were. It cannot happen without you.
So let us summon a new spirit of patriotism; of service and responsibility where each of us resolves to pitch in and work harder and look after not only ourselves, but each other. Let us remember that if this financial crisis taught us anything, it’s that we cannot have a thriving Wall Street while Main Street suffers – in this country, we rise or fall as one nation, as one people.

Let us resist the temptation to fall back on the same partisanship and pettiness and immaturity that has poisoned our politics for so long. Let us remember that it was a man from this state who first carried the banner of the Republican Party to the White House – a party founded on the values of self-reliance, individual liberty, and national unity.

Those are values we all share, and while the Democratic Party has won a great victory tonight, we do so with a measure of humility and determination to heal the divides that have held back our progress. As Lincoln said to a nation far more divided than ours, "We are not enemies, but friends ... though passion may have strained it must not break our bonds of affection." And to those Americans whose support I have yet to earn – I may not have won your vote, but I hear your voices, I need your help, and I will be your President too.

And to all those watching tonight from beyond our shores, from parliaments and palaces to those who are huddled around radios in the forgotten corners of our world – our stories are singular, but our destiny is shared, and a new dawn of American leadership is at hand.

'Peace and security'

To those who would tear this world down – we will defeat you. To those who seek peace and security – we support you. And to all those who have wondered if America’s beacon still burns as bright – tonight we proved once more that the true strength of our nation comes not from our the might of our arms or the scale of our wealth, but from the enduring power of our ideals: democracy, liberty, opportunity, and unyielding hope.

For that is the true genius of America – that America can change. Our union can be perfected. And what we have already achieved gives us hope for what we can and must achieve tomorrow.
This election had many firsts and many stories that will be told for generations. But one that’s on my mind tonight is about a woman who cast her ballot in Atlanta. She’s a lot like the millions of others who stood in line to make their voice heard in this election except for one thing – Ann Nixon Cooper is 106 years old.

She was born just a generation past slavery; a time when there were no cars on the road or planes in the sky; when someone like her couldn’t vote for two reasons – because she was a woman and because of the color of her skin.

And tonight, I think about all that she's seen throughout her century in America – the heartache and the hope; the struggle and the progress; the times we were told that we can’t, and the people who pressed on with that American creed: Yes we can.

'Common purpose'

At a time when women’s voices were silenced and their hopes dismissed, she lived to see them stand up and speak out and reach for the ballot. Yes we can.
When there was despair in the dust bowl and depression across the land, she saw a nation conquer fear itself with a New Deal, new jobs and a new sense of common purpose. Yes we can.
When the bombs fell on our harbor and tyranny threatened the world, she was there to witness a generation rise to greatness and a democracy was saved. Yes we can.

She was there for the buses in Montgomery, the hoses in Birmingham, a bridge in Selma, and a preacher from Atlanta who told a people that “We Shall Overcome.” Yes we can.

'Fundamental truth'

A man touched down on the moon, a wall came down in Berlin, a world was connected by our own science and imagination.

And this year, in this election, she touched her finger to a screen, and cast her vote, because after 106 years in America, through the best of times and the darkest of hours, she knows how America can change. Yes we can.

America, we have come so far. We have seen so much. But there is so much more to do. So tonight, let us ask ourselves – if our children should live to see the next century; if my daughters should be so lucky to live as long as Ann Nixon Cooper, what change will they see? What progress will we have made?

This is our chance to answer that call. This is our moment. This is our time – to put our people back to work and open doors of opportunity for our kids; to restore prosperity and promote the cause of peace, to reclaim the American Dream and reaffirm that fundamental truth – that out of many, we are one, that while we breathe, we hope, and where we are met with cynicism, and doubt, and those who tell us that we can't, we will respond with that timeless creed that sums up the spirit of a people:

Yes We Can. Thank you, God bless you, and may God Bless the United States of America."

  • Obama é Presidente dos Estados Unidos da América! John MacCain discursa, reconhecendo a derrota e a vitória de Barack Obama.

  • HABEMOS OBAMA
Barack Obama está a poucos votos de garantir a presidência dos Estados Unidos da América. As projecções da CNN, que indicam a vitória na Califórnia e em Waghinton, dá Barack Obama como novo Presidente dos Estados Unidos da América.

Em termos de votação popular, MacCain e Obama sempre estiverem muito próximos, mas o sistema de «the winner takes it all» e por Estados deu vantagem a Barack Obama. McCain, até ao momento, venceu de forma expressiva onde venceu e Obama teve victórias mais renhidas, mas mais vitórias.

A diferença real de votos entre os candidatos é, até ao momento, de cerca de 1%; muito longe dos ceca de 8% das sondagens. O sistema eleitoral favoreceu Barack Obama.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Virgem de Vladimiro, Constantinopla à volta de 1125 a.D
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«Se podes fazer alguma coisa, porque é que preocupas? Se não podes fazer nada, porque é que preocupas?», Conselho de Epictetus ao seu discípulo Marcus Aurelius Antoninus

– Mas porquê, VB, essa fixação com a ELECTRA? – pergunta-me o meu poeta.
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Ah, coitado do meu poeta! Não bebe, não toma banho... e adora noites escuras para namorar as estrelas. Se calhar até é do Amarante e não sente saudades de d´corré p´Vascôna p´panhâ âga frisquim d´mundo. Irra... que o gajo é chato!
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Não, se calhar anda como a Joshua e el k´ti t´panhâ mesme nada; sim, el ti t´panhâ bidion...
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  • Imagem: Carmen Electra

  • A CIDADE LUZ E A ELECTRA
A cidade luz resolveu poupar... luz!

Assim, sem mais: as luzes da Torre Eiffel estarão apagadas por mais tempo durante a noite. A razão? A mais simples de todos: poupar. Mas é, será legítimo, poupar na beleza? É permitido ser-se forreta, na beleza? Eu, acho que não! Dona Dulcineia del Toboso, Dona Carlota Joaquina e a desventurada Cunegundes concordarão comigo, pois são credoras externas da mesma. O Maire de Paris que poupe em outras coisas, na falta de bom senso, por exemplo; não nesta. E nos poupe, aos amantes de Paris (que gera desgraças, também...), de mais tempo sem a moderna pirâmide de luz.

Não é verdade (o meu poeta diz que é verdade preventiva [?]), mas ouvi o meu poeta dizer que o Maire de Paris aconselhou-se com a ELECTRA – a grande especialista crioula na escuridão e suas primas. Aliás, ainda segundo o meu poeta, a Universidade de Paris II e a UNI CV, com o alto patrocínio do Maire parisiense e do Governo berdiano, vão assinar um protocolo para a criação de uma Cátedra conjunta de «Escuridão e Buracos Negros» e que terá o Presidente do Conselho de Administração da ELECTRA como catedrático ex tunc.

Mas há mais, diz o meu poeta:

– O Maire de Paris já falou com o Petit Sarko e, perante a crise económica e energética, pensam promover a fantástica técnica inventada pela ELECTRA («poupança forçada de energia») como uma das grandes descobertas do século XXI e irão propor a ELECTRA para prémio Nobel da Economia (pelo «sistema integrado de poupança forçada») de 2009 e pensam, ainda, condecorar a Ministra da Economia de Cabo Verde por tê-lo dado uma ideia silogística brilhante: quem beneficia da luz da Cidade Luz são os cidadãos, logo, devem pagar.

Pelo que, assevera ainda o meu poeta, o bom Maire de Paris equaciona criar uma «taxa de não dar à luz» (isto é, de pagar a iluminação pública - nda de confundir com o madado divino e com questões demográficas) para os cidadãos parisienses e os turistas que sobem e descem a Torre Eiffel, a Champs Elisée e o Sena até o Palais Ganier, o Ópera Bastille, o Louvre, o Centro George Pompidou... O Presidente Sarkosy acha que não – se for para receber, tem de ser o Governo; não a Câmara.

Sabendo disso, António Costa – o afro descendente que preside à Câmara Municipal de Lisboa – que não sabe bem se é da luz ou da escuridão e não quer que Sócrates (o engenheiro) tenha ideias, decidiu, também, poupar luz. Mas não quer saber de nóbeis, não (só mesmo do Saramago)… e vê um outro caminho de poupar e vai colocar lâmpadas de baixo consumo para a iluminação pública e introduzir sensores de luminosidade na cidade de Lisboa. Resultado: espera reduzir em 80% o consumo de energia da cidade dos corvos.

Isso sem taxa e sem ELECTRA, imagine-se. O meu poeta não se lembrou, senão ter-me-ia lembrado de Gwendolyn Brooks (A Song in the Front Yard, 1945):

«And I'd like to be a bad woman, too,
And wear the brave stockings of night-black lace
And strut down the streets with paint on my face.»

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No meio disto tudo, digo ao meu poeta que a noite dos profissionais morreu em Lisboa. A cidade é cada vez mais branca, mesmo antes da aurora. E ele que, ainda, não pode ressuscitar o B.Lêza e a Catedral, a Babel lusitana, sorry.
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  • Imagem: Paris à noite, sem ELECTRA

  • A SONG IN THE FRONT YARD

I've stayed in the front yard all my life.
I want a peek at the back
Where it's rough and untended and hungry weed grows.
A girl gets sick of a rose.
I want to go in the back yard now
And maybe down the alley,
To where the charity children play.
I want a good time today.

They do some wonderful things.
They have some wonderful fun.
My mother sneers, but I say it's fine
How they don't have to go in at quarter to nine.
My mother, she tells me that Johnnie Mae
Will grow up to be a bad woman.
That George'll be taken to Jail soon or late
(On account of last winter he sold our back gate).

But I say it's fine. Honest, I do.
And I'd like to be a bad woman, too,
And wear the brave stockings of night-black lace
And strut down the streets with paint on my face.
Gwendolyn Brooks, 1945

  • Imagem: Capa do novo cd de Maria de Barros, a sair em Março de 2009. Não me canso de dizer: Maria de Barros, além de uma excelente artista, é das poucas cabo-verdiana(o)s do show business que se preocupam com os mais desfavorecidos (saudaçõs ao Mário Lúcio!). Ave, Maria! God Bless You.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

  • O FILHO DE ESCRAVO QUE CHEGOU A IMPERADOR ROMANO. YES, WE CAN
Estava, ao fim de tarde de Domingo, a pensar e lembrei-me de um amigo já falecido – Ricôrd d´Dadás, e do que ele me disse há já alguns anos.

– Dji, t´perceme q´vida t´conspirá contra nôs que nascê pobre…

E não pude deixar de me lembrar de Publius Helvius Pertinax e de escrever umas notas em torno da sua extraordinária vida. A inscrição do denário de ouro, cunhado entre Janeiro a Março de 193 AD e que segue com este texto, diz-nos como Publius Helius Pertinax era visto pelos romanos: IMP CAES P HELV PERTIN AVG PROVID DEOR COS II. Isto é, Imperador César Publius Helvius Pertinax Augusto, na frente da moeda com e efígie do imperador e, no verso, Providência Divina, Cônsul pela segunda vez.

Pertinax ascendeu a Imperador romano no dia 1 de Janeiro de 193 AD, na sequência da morte de Aurelius Commudus, filho de Marcus Aurelius Antoninus – o sábio, na noite de fim de ano de 192 AD. Commodus, ao contrário do que é narrado no filme «Gladiador», não morreu na arena do Coliseu de Roma – ainda que tenha entrado na arena, segundo a Historiae Augustae, mais de trezentas vezes, muitas vezes vestido de Hércules – mas sim estrangulado por um escravo. Assim como a sua irmã Lucilla, que no filme «Gladiador» aparece na arena do Coliseu, também filha de Marcus Aurelius e mulher do então falecido Imperador Lucius Verus, já tinha, à data, sido assassinada, anos antes, no exílio da ilha de Capri. Homicídios da História à Hollywood...

A morte de Commodus deveu-se à conspiração de Márcia – sua amante cristã, de Ecleto, o camareiro de Commodus e de Quintus Letus, o africano chefe da Guarda Pretoriana e um dos homens mais influentes e temidos dos finais do Séc. II e início do Séc. III em Roma.

Filho de um escravo liberto, Publius Helvius Pertinax é um dos maiores exemplos de resiliência da história; aliás, o seu nome se confunde com este conceito. Foi o único cidadão romano a conseguir transcender a sua condição numa geração – de apanhador e vendedor de lenha para sobreviver chegaria a Imperador Romano. No seu tempo eram precisos três gerações para se conseguir subir um degrau na social, para se transcender a situação social. É o exemplo acabado de que a condição em que nascemos não é, de todo, definidora do nosso destino e que é possível vencer o infortúnio e a pobreza.

Publius Helvius Pertinax foi, na cultura clássica e das que esta influenciaria, o primeiro a dizer aos pobres e menos favorecidos a socidade: Yes, we can. E disse-o e mostrou-o com a sua vida, com o seu esforço, a sua resiliência e dedicação ao bem comum.

Pertinax começou por estudar e dedicou-se a adquirir o conhecimento e ao ensino até que, um dia – com trinta anos de idade –, tomou consciência da sua condição e disse para si mesmo que tinha de «fazer alguma coisa com o conhecimento» que adquirira até então. Assim, alistou-se no exército romano – a única carreira que quem era de origem humilde poderia almejar riqueza.

A felicidade fez com que se cruzasse com o Imperador Marco Aurélio que admirou não somente a sua coragem mas também o seu saber. De promoção em promoção no seio dos exércitos e da administração romana, viria a alcançar o inimaginável – foi eleito Cônsul (no tempo da República equivalia ser Rei por um ano, conjuntamente com um outro; não era assim no Império, mas era a summa glória cidadã) por duas vezes e a granjear enorme reputação, fama.

Esta condição era, além da de ser Imperador, a glória suprema em Roma e, segundo as regras instituídas, o passo necessário para se ser Imperador – ainda que a lógica dos Antoninos (Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Lucius Verus, Marco Aurélio…) fosse da escolha do «melhor homem» e que só foi violado por Marco Aurélio ao deixar o Imperium ao seu filho Aurelius Commodus.

O interessante é que Aurelius Commodus, o último dos primeiros Antoninos – os do Século dos Antoninos – e tido como um louco, ao ter feito um legado testamentário a favor do tunisino Clodius Albinus em caso de morte, retomava essa lógica.

Mas, com a sua morte, estando Clodius Albinus longe de Roma e sendo este documento desconhecido, o homem que foi aclamado Imperador foi o filho do escravo liberto que decidiu seguir a senda do conhecimento e da sua aplicação pratica – Publius Helius Pertinax. Talvez somente Alexandre Severus, o Imperador afro-asiático do Império romano e neto de Septimius Severus, tenha sido mais amado do que ele.

A razão era simples. Pertinax preocupava-se com o povo de Roma e com o seu bem-estar. Em três meses de Imperium deixou uma marca profunda na vida e na memória dos romanos e da humanidade em geral. A sua tentativa de reforma da ociosa Guarda Pretoriana – como mais tarde viria a acontecer com o magno jurisconsulto Ulpiano – seria a causa imediata da sua morte.

O homem providência foi sacrificado aos interesses daqueles que se consideravam como os verdadeiros senhores do Imperium – os pretorianos. Morto e arrastado pelas ruas de Roma, perante o horror popular, levou com ele a ideia de bem ansiado pelos romanos e destruído o período de paz interna e prosperidade dos primeiros antoninos. E tido como certo que, se tivesse tido tempo, teria sido outro Trajano, o Optimus Princeps.

Os pretorianos colocaram o Império a venda – tendo, inclusive, feito um pregoeiro junto à Porta Salária – e o mesmo acabou por ser comprado por Didius Julianus. O escândalo da morte de Pertinax e da venda do Império em hasta pública chegou aos exércitos romanos estacionados fora de Roma.

Os generais romanos das legiões, o itálico Pescenius Nigro, o tunisino Clodius Albinus e o líbio Septimius Severus revoltaram-se e teve início a guerra civil em Roma, a guerra do quatro imperadores, que culminaria com a entrada de Septimius Severus em Roma – sendo o primeiro, depois de Júlio César, a passar o Rubicão a frente de um exército sem ser na condição de Imperador – em Junho de 193 AD.

Assumindo-se «Vingador de Pertinax» – havendo índices numismáticos em que aparece como SEV PERT AVG, isto é Severus Pertinax Augusto –, recusa compartilhar o Império com Didius Julianus (que, desesperado, oferecera-lhe metade do império) que é morto pelos pretorianos e por decisão do Senado aterrorizado.

Cassius Dio, na sua Historiae Romanae, diz na primeira pessoa que os senadores – ele inclusive, pois era então membro do Senado –, ao saberem que Severus estava às portas de Roma, decidiram matar Juliano e seguir para as portas da cidades, povo, senadores, pretorianos, vestais aclamar o africano Septimius Severus como Imperador de Roma. Assim aconteceu, a modos da entrada de Septimius Severus em Roma em 201 AD – «o maior espectáculo que vi em toda a minha vida», diz Cassius Dio – o inicio o Imperium do primeiro Imperador africano do Império romano.

O povo, no entanto, temia o africano e, odiando sobremaneira o usurpador Juliano preferia o itálico Pescenius Nigro como Imperador; assim como o Senado que se inclinava para Pescenius Nigro ou Clodius Albino e não o africano que tinha chegado a Roma com dezoito anos para trabalhar nos censos da cidade e estudar Direito com, entre outros colegas, o magno Papiniano.

Severus, que era amigo de Pertinax (conheceram-se ao serviço de Marco Aurélio), assume o Imperium e coloca em ordem a coisa pública em Roma, não sem passar por uma guerra civil com Pescenius Nigro e, depois, com Clodius Albinus – inicialmente um aliado estratégico – e cimentando o seu Império em 198 AD, quando vence Clodius Albinus e acaba a guerra civil causada pela morte de Publius Helvius Pertinax, o homem providencia que, além de protegido da Fortuna, era pertinaz; este nome foi-lhe dado quando, ainda menino, negociava a lenha.

Durante toda a sua vida Septimius Severus honraria memória de Publius Helius Pertinax. Assim como o fazemos nós, sempre que somos pertinazes e no matter what dizemos: Yes, we can!

  • Imagem: Publius Helius Pertinax, Imperador romano, Janeiro/Março de 193 AD

domingo, 2 de novembro de 2008

Vítima da guerra no Iraque. George W. Bush não viu… John MacCain também não.

No words...

  • OUTRA VEZ A MESMA INDIGNIDADE
A Juventude para a Democracia (JPD) manifestou a sua indignidade por, mais uma vez, as jovens estudantes cabo-verdianas se verem confrontadas com a anulação da sua matrícula escolar por estarem grávidas. Desta vez são quatro jovens do Liceu de São Lourenço – Santiago que foram levadas a anular matrícula.

Aquando da situação da Ana Rodrigues, no Paul – Santo Antão, a Assembleia Nacional decidiu que seria feito um Estudo sobre esta matéria com vista a resolução desta questão. Passado meses, estamos na mesma e as cidadãs cabo-verdianas continuam a sofrer a mesma indignidade. Pelo que pergunto:

– Onde está, Senhores deputados, o Estudo? Quem foi incumbido de o fazer? Eu, quero saber! e os Senhores, M.I. Deputados, como representantes do povo – e eu sou parte do povo – tendes o dever de responder. O Estudo, pensava eu, deveria – como seria lógico – para ser tido em consideração neste ano lectivo; nunca imaginei que pudesse ser para as calendas gregas.

Na próxima Segunda-feira haverá sessão parlamentar na Assembleia Nacional para discutir a questão da Justiça e a sua reforma. Ora bem, o anterior Presidente da JSD é agora líder da bancada parlamentar do MPD, pelo que, como bem fez a deputada Orlanda Ferreira, espero ver (na verdade ouvir, se puder, pois estou terra-longe) uma declaração política sobre esta matéria e ver o povo de Cabo Verde informado sobre o que se fez desde a última vez em que se decidiu avançar com o Estudo.

Não interessa quem são os culpados da situação, o que interessa é quem são as vítimas e quem as mantém nessa condição de vítimas (e já nem falo das causas sociais deste problema). Como dizia Cicero a Catilina, Quousque tamdem abutere, Catilina, patientia nostra? – sim, até quando, «Até quando, Governo, abusarás da nossa paciência?...

Um conselho pro bono à JPD: Agendem um debate de urgência sobre esta matéria, façam um projecto de Lei e, através dos deputados, apresentem-na como uma proposta de Lei que termine com esta discriminação hedionda de uma vez por todas.

Manifestado repúdio público dessa prática, há que ser na prática o que se quer ser… e levar esta questão à Assembleia Nacional em termos formais, de uma forma clara, e provocar-se uma separação cristalina das águas. Saberemos então, sem sofismas e retórica bacoca, quem é a favor do quê e porquê – no momento de votar. É, entre outras coisas – que saberão melhor do que eu –, o que se pode fazer na Assembleia Nacional e fora dela.

Uma queixa formal na Procuradoria Geral da República é, será, uma boa iniciativa (estão a ver a falta estruturante que faz o Provedor de Justiça aos injustiçados da nossa terra?) pois o PGR tem o dever de agir, mesmo contra o Estado, em defesa dos menores, da lei e da Constituição. Deixemos o Presidente da República em paz – se bem que não lhe ficava nada mal, de vez em quando, falar ao país sobre questões que interessam à nação.

Ah, a prova de que a gravidez não prejudica o desempenho escolar e de que não é uma decisão para proteger as jovens grávidas e no seu interesse é que, como se sabe, a Ana Rodrigues – estando grávida – fez o seu ano escolar e melhorou as suas notas e a sua média. Se tivesse anulado a sua matrícula teria perdido um ano, não é? O que está em causa, parece, é um moralismo bacoco e da idade das trevas que deve ceder aos direitos fundamentais das mulheres.
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E, é bom que se saiba, esta questão não é nem deve ser objecto de jogo ou aproveitamento político. Fait divers é para outras coisas, para silly seasons.
A estas jovens, aconselho daqui o seguinte. Digam:
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– Não! Não anulamos a nossa matrícula!
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Resistam, é um direito vosso; o direito de estudarem e o direito de resistirem a quem Vos impede de exercer e de gozar esse direito fundamental. A Constituição garante-Vos esses direitos. Quem atacar isso fâ-lo em violação da Constituição, da norma fundamental da República; por isso resistir à injustiça é preciso.
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Não saiam da Escola, não! Ignorem, pura e simplesmente, essas orientações ilegais e ilegítimas. Se insistirem nessa ideia, apresentem queixa crime no Ministério Público por coacção ilegítima para desistirdes da Escola. Não tenham medo de exercer os Vossos direitos!

Se Vos peguntarem que Vos deu este conselho, podem dizer que fui eu, Virgílio Rodrigues Brandão; pois não não tenho medo nem me importo
nada de ser acusado de Vos incitar à desobediência necessária e legítima. A justiça nunca está só, nunca anda só. Por isso não deve ter medo, nem desmaiar.

Taylor James

  • «Surely he is not a fool that hath unwise thoughts, but he who utters them», Bishop Hall

  • O SOCIALISMO DE JOHN McCAIN E SARAH PALIN
John MacCain e Sarah Palin chamam o seu adversário presidencial de socialista – mas o que querem dizer é comunista. É só o que vêm da ideia de distribuir a riqueza criada de forma equitativa.

Sim, quando John MacCain e Sarah Palin chamam Barack Obama de «socialista» é em Joseph Estaline, Mao Tse Tung, Kim Il Jong e Fidel Castro que ele estão a pensar e querem que o povo eleitor pense; na ideia de economia centralizada, de Estado interventor e regulador, de distribuição equitativa da riqueza...

E gerações de americanos – e John McCain é dessas gerações - ainda sentem na pele o medo do papão vermelho; por essa razão é que as sucessivas administrações, desde JF Kennedy, têm mantido o injustificado embargo à Cuba.

Com isso, talvez, consiga muitos votos entre os exilados de little havana e outros latinos, os americanos de origem asiática e a geração mais velha e do interior mais interior do país. o que, bem feitas as contas, têm um peso muito maior do que a comunidade esclarecida do país e fora do establishment republicano. Barack Obama tem consciência disso e não desarma, mesmo com as sondagens favoráveis.

Ser cognominado de «socialista» não é, ao contrário do que parece, um juízo sobre as ideias económicas de Barack Obama – nomeadamente na questão tributária – nem um elogio; é, antes e mais que tudo, uma estratégia eleitoral de comunicação bem conseguida. É, sem dúvida, uma boa cartada de John MacCain – menos evidente, é certo, mas melhor, muito melhor do que o equívoco e erro de casting chamado Sarah Palin.

  • Imagem: Mao Tze Tung, Andy Warhol

sábado, 1 de novembro de 2008

Direitinho para a negra básica de Juiz de Fora, Minas Gerais
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  • MULHER ANDANDO NUA PELA CASA
Mulher andando nua pela casa
Envolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,
Inocência de irmã e copo d'água.
O corpo nem sequer é percebido
pelo ritmo que o leva.
Transmitam curvas em estado de pureza,
dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
repousam de guerra. Também eu repouso.
Carlos Drummond de Andrade
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  • Templo da Angkor Wat, Cambodja