quinta-feira, 6 de novembro de 2008

  • A HORA DOS NEGROS SAÍREM DA TOCA
O momento é oportuno. Compartilho com os que passam aqui por terra-longe a notícia de que um cidadão afro-português irá ser candidato à Câmara Municipal de Lisboa nas próximas eleições autárquicas.

Mais vale tarde do que nunca. Depois darei mais pormenores.
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  • Imgem: Pendant Mask, Iyoba, 16th century, Benin

10 comentários:

João Branco disse...

Desculpa, Virgilio, mas o António Costa é o quê?

E depois, não gosto da expressão «afro-qualquer coisa», porque embora seja utilizada muitas vezes como uma espécie de discriminação positiva, é uma expressão tendencialmente racista, ela própria. O afro-qualquer coisa é antes de mais cidadão de um determinado país, sejam os EUA seja Portugal.

Não me parece que esta seja a melhor forma de festejar a (grande) vitória de Obama. Aliás, basta ouvir ou ler o discurso do próprio para saber isso.

Abraço fraterno

P.S. Esquece o pedido do discurso de Obama em português feito num outro comentário. Já o cnsegui e está publicado no Café Margoso, para quem não domina o inglês.

Virgílio Brandão disse...

Bem, o António Costa...

Olha, o que digo aí tem a sua razão de ser. Depois perceberás num post posterior o que quero dizer; pois quero chamar atenção para o racismo que existe na política em Portugal. E das áreas políticas menos improváveis...

Logo estarei com o futuro candidato
e depois escreverei algo sobre isso; e contarei uma história que irás pensar ter passado no Mississipi, mas que ocorreu em Lisboa.

Dia bom

João Branco disse...

Indendentemente do que disse, Virgilio, não duvido que haja racismo em Portugal. Não duvido mesmo nada. Mas também tens que pensar que foi o país do KKK que elegeu um presidente de ascendência africana...

Joshua disse...

Eu concordo com O João Branco. Também não gosto da expressão afro-qq coisa até porque na prática é uma expressão que acaba por pôr o enfâse na cor e no sangue. O que me leva a ter que repetir a pergunta do João: o António Costa é quê? Já tinha visto esta tua afirmação noutra postagem e tinha decidido passar...De facto ele é escurinho...mas aquele tom de pele que lhe vem da parte do pai ( a mãe é branca e de Setúbal)não é africano. O pai descende de indianos de Goa!!!O Orlando António da Costa, pai do António Costa, tem as suas raízes paternas todas na Índia apesar de ter nascido em Moçambique. Quanto à avó paterna de António Costa, confesso que não lhe conheço a ascendência, mas como se chamava Amélia Maria Fréchaut...não vislumbro aqui muita africanidade...Sorry :)

Ariane Morais-Abreu disse...

As coisas começam a ser interessantes em Portugal e com a "Obamania" globalizada tera talvez uma chance o candidato afro nesta conjontura!!! Plus d'un vont trembler dans les chaumières!!! LOL Esta mania de nao querer ver o racismo e a xenofobia é uma maneira de passar o veu sobre problemas ainda bem sangrentos em Portugal como no resto do mundo. O evangelismo esquerdista nao faz avançar o debate porque a realidade de hoje nao é aquela que pintam. Ele diz muito sobre a hipocrisia e complacência dos mesmos idealistas perante um mal que nao parece extinguir-se, mas pelo contrario expandir-se, começando em Cabo Verde perante os ditos "Mandjacos" e badius por exemplo. Param de cantar esta litania porque nao esta em sintonia com a realidade dos nossos paises. Quanto ao Obama, a sua estrategia de todos sem cor, enfeitiçou os Americanos mas quero ver o depois, o despertar.

Virgílio Brandão disse...

O António Costa, tem uma cor: rosa. E foge de tudo o que tem a ver com África como o Diabo foge da Cruz (sendo politicamente correcto na corrida, é claro).

He is out in this matter. Não pensava nele, não.

Na verdade vê-se racismo e xenofobia onde não existe e não se vê onde existe. O problema é que a não assunção da existência de portugueses negros (afro-lusitanos e/ou o que quiserem) e de serem uma minoria étnica é um dos entraves à participação política dos afro-descendentes em Portugal.

É uma questão de percepção dos problemas reais e das suas razões ou raízes mais profundas. Eu não tenho problemas em chamar as coisas pelos seus nomes.

Não é um problema racial - da perspectiva sociológica, como parecerá - é, sim, um problema político. Por que acham que o nome do ACIME foi mudado para ACIDI?

Foram or razões políticas bem mais profundas do que à partida parece. Mas como os «representantes» dos imigrantes e seus descendentes andam a dormir... essas coisas passam desapercebidas.

KKK... pois João, é mesmo. Mas isso só aconteceu porque o sistema democrático norte-americano é como é. Ademais, é claro que Obama era de longe melhor candidato que McCain. Mas nota que são os Estados progressistas que deram a vitória a Obama (os Estados que o voto replicano caducou foi, penso, mais pelo efeito negativo de Palin que por mérito de Obama).

Em todos os Estado onde ainda existe o KKK organizado e activo Obama perdeu, naturalmente.

Dia bom

Redy Wilson Lima disse...

Sempre meteu piada ouvir a criação da categoria afro-americano. E porque não euro-americano? Afinal de contas não são os índios os verdadeiros nativos daquele país? Afro português? E o que é quê isso?
Portugal ainda não está preparado para eleger um candidato negro, porque a comunidade negra é muito mal vista. Sobre isso, um português comentou no meu blogue que não existe nenhum negro português com capacidade de ser eleito PR de Câmara em Portugal. Foi um português a dizer isso, mas quantos pensam assim?
Obama foi eleito e de repente se quer generalizar a coisa. De qualquer forma espero que este ou esta candidata seja extraordinária e não esteja a ser utilizada por alguns pseudo-anti-racistas brancos que querem apenas se promoverem, como aconteceu no passado com o tal Ká da Guiné, que não passa de um racista e oportunista (ainda me lembro das afirmações que fez sobre os cabo-verdianos).

Joshua disse...

Eu não vejo interesse nenhum em colocar a questão como tu colocas. Não tem interesse existir um candidato à CMLisboa que é candidato só porque é preto e é uma minoria. Não faz sentido.
Não existe participação política de africanos tal como são poucas as mulheres com cargos políticos. É pessoal que anda mais preocupado com a vidinha diária e que não tem tempo para divagações.
Quanto ao racismo em Portugal, os ânimos andam um bocadinho exarcebados porque casa onde não há pão...O que eu noto aqui no meu trabalho é que há alguma animosidade contra os imigrantes seja qual for a cor deles.

Virgílio Brandão disse...

People...,
porque é preto, não; não e não!

Mas acho que há muito que as comunidades mais desfavorecidas deveriam ter tomado posição sobre a sua participação política.

E esta candidatura não irá, de todo, acrescentar nada a nada. Na verdade só me solidarizo com a candidatura (se vier a acontecer) por amizade e por me pedirem alguns conselhos.

É oportuna mas falta-lhe oportunidade ou o seu sentido e sustentabilidade personae; se é que me faço entender.

Mas alguém tem de dizer «estamos aqui, não somos meros apêndices». Sabes que os candidatos a Pres. de Câmara dos grandes municípios (v.g., da grande Lisboa) têm sempre pretos para colorir as listas? Pois é...

O caso mais flagrante foi o do Inácio Matsinhe nas listas do PS de Lisboa - do João Soares que quis ser como o canal 1 da RTP: o primeiro.

E o futuro candidato foi vítima de racismo no seio de um insuspeito partido político português nas últimas eleições...

Há muita gente a viver e a sobreviver sobre os despojos do racismo, da xenofobia, da imigração ilegal necessária e o universo que gira à volta disso tudo.

É verdade, não existe nenhum Português negro capaz de por não têm essa oportunidade; só isso. E se existem quotas para as mulheres, porque não para as minorias étnicas (e existem, por isso o ACIME mudou de nome... eh, eh...)?

Racismo, xenofobia, aporofobia... são coisas que sempre estiveram por aqui, agora dá para ir vendo os rostos a descoberto.

Dia bom

Ariane Morais-Abreu disse...

Em França o cenario politico nao esta la bem longe do português quando é questao da eligibilidade dos negros e da participaçao politica dos mesmos. Todos os partidos falham mesmo quando saiem do chapeu magico ministros (e presidente!!) oriundos das minorias invisiveis e mudas. A culpa é simplismente nossa!!!