terça-feira, 4 de novembro de 2008

  • A CIDADE LUZ E A ELECTRA
A cidade luz resolveu poupar... luz!

Assim, sem mais: as luzes da Torre Eiffel estarão apagadas por mais tempo durante a noite. A razão? A mais simples de todos: poupar. Mas é, será legítimo, poupar na beleza? É permitido ser-se forreta, na beleza? Eu, acho que não! Dona Dulcineia del Toboso, Dona Carlota Joaquina e a desventurada Cunegundes concordarão comigo, pois são credoras externas da mesma. O Maire de Paris que poupe em outras coisas, na falta de bom senso, por exemplo; não nesta. E nos poupe, aos amantes de Paris (que gera desgraças, também...), de mais tempo sem a moderna pirâmide de luz.

Não é verdade (o meu poeta diz que é verdade preventiva [?]), mas ouvi o meu poeta dizer que o Maire de Paris aconselhou-se com a ELECTRA – a grande especialista crioula na escuridão e suas primas. Aliás, ainda segundo o meu poeta, a Universidade de Paris II e a UNI CV, com o alto patrocínio do Maire parisiense e do Governo berdiano, vão assinar um protocolo para a criação de uma Cátedra conjunta de «Escuridão e Buracos Negros» e que terá o Presidente do Conselho de Administração da ELECTRA como catedrático ex tunc.

Mas há mais, diz o meu poeta:

– O Maire de Paris já falou com o Petit Sarko e, perante a crise económica e energética, pensam promover a fantástica técnica inventada pela ELECTRA («poupança forçada de energia») como uma das grandes descobertas do século XXI e irão propor a ELECTRA para prémio Nobel da Economia (pelo «sistema integrado de poupança forçada») de 2009 e pensam, ainda, condecorar a Ministra da Economia de Cabo Verde por tê-lo dado uma ideia silogística brilhante: quem beneficia da luz da Cidade Luz são os cidadãos, logo, devem pagar.

Pelo que, assevera ainda o meu poeta, o bom Maire de Paris equaciona criar uma «taxa de não dar à luz» (isto é, de pagar a iluminação pública - nda de confundir com o madado divino e com questões demográficas) para os cidadãos parisienses e os turistas que sobem e descem a Torre Eiffel, a Champs Elisée e o Sena até o Palais Ganier, o Ópera Bastille, o Louvre, o Centro George Pompidou... O Presidente Sarkosy acha que não – se for para receber, tem de ser o Governo; não a Câmara.

Sabendo disso, António Costa – o afro descendente que preside à Câmara Municipal de Lisboa – que não sabe bem se é da luz ou da escuridão e não quer que Sócrates (o engenheiro) tenha ideias, decidiu, também, poupar luz. Mas não quer saber de nóbeis, não (só mesmo do Saramago)… e vê um outro caminho de poupar e vai colocar lâmpadas de baixo consumo para a iluminação pública e introduzir sensores de luminosidade na cidade de Lisboa. Resultado: espera reduzir em 80% o consumo de energia da cidade dos corvos.

Isso sem taxa e sem ELECTRA, imagine-se. O meu poeta não se lembrou, senão ter-me-ia lembrado de Gwendolyn Brooks (A Song in the Front Yard, 1945):

«And I'd like to be a bad woman, too,
And wear the brave stockings of night-black lace
And strut down the streets with paint on my face.»

.
No meio disto tudo, digo ao meu poeta que a noite dos profissionais morreu em Lisboa. A cidade é cada vez mais branca, mesmo antes da aurora. E ele que, ainda, não pode ressuscitar o B.Lêza e a Catedral, a Babel lusitana, sorry.
.
  • Imagem: Paris à noite, sem ELECTRA

2 comentários:

Ariane Morais-Abreu disse...

Sendo parisiense de longa data acho muito util a poupança de energia na cidade, mas nao vejo qualquer poupança com a mudança dos horarios de inverno (herança da crise petrolifera dos anos 1970) que faz anoitecer as 18h a cidade criando na vida quotidiana desequilibrios psicologicos. Se a Tour Eiffel fecha as luzes em periodos de baixa intensidade turistica, nao vamos queixar porque pagamos todos os famosos "impôts locaux" que em Paris ainda sao razoaveis. Diga ao teu Poeta que com o sem luz a Torre é sempre imponente e que Paris se farta da poluiçao luminosa que apaga as estrelas.

Virgílio Brandão disse...

Ariane,
vou passar a mensagem ao meu poeta.
Dia bom