quinta-feira, 3 de setembro de 2009

  • ACHADA DE SONHOS

Enquanto espero o paroxismo da febre de ti,
a tarde percorre os brincos e os aromas pétreos
legados — «Se tu viesses ver-me hoje à tardinha»,
diz ela com a voz de poeta, ataviada de jasmins.

Não há hora que não seja assim,
sonho que não crave de mel as memórias
— Oh! Porque as dores ressuscitam
e o amor e as pessoas envelhecem e morrem?

Espera, espera que a tarde não tarda; não.
Traz nas mãos o que não é ferido pelo tempo e vida.
Os espinhos ferem a sua côdea, o seu beijo-abraço
que cedo quer beijar-te, prender-te à eternidade
— acorda!, pois chega com o poema onde estiveres.

E o cansaço de felicidade fenderá o Mundo de sonhos.
E os sonhos serão achadas d'Santo António plurais.
E plurais a essência da ordem prima, a raiz plana
e plena de asas — um gemido te abarca, ó Mundo.

Imagem: Les femmes, Milo Manara

2 comentários:

Jonas disse...

Ê pá! Já vi que seguiste o meu conselho. Assim é que é! Até eu percebi como é que tu queres passar essa tardinha. Bela imagem! Mas porra pá! Se calhar foste directo demais. É do caraças mas com as gajas nunca se sabe.
Enfim,espero que apanhes o peixe que queres com este anzol.
Abração companheiro.

Virgílio Brandão disse...

Ai Jonas!
Vê-se bem que não leste a Lex Julia et Papia Poppea... também se aplica a espécies! eh, eh

Abraço, companheiro

PS: Visto as Quinas escangalhadas!? Bem, espero que oa Argentina do Maradona me limpe os olhos de toda mágoa (tem a mão de Deus, dizia...). Ah, sinto saudades do refresco; belo, abençoado.