sábado, 5 de setembro de 2009

  • O FIM DOS SANTOS

    Jorge Santos passou o testemunho público a Carlos Veiga – pois há que o tinha feito de facto. Como o serviço público de televisão e rádio à diáspora é deficiente, não deu (e dificilmente dará) para ver e ouvir ouvir a Declaração integral do líder formal do MPD — mas felizmente ainda se consegue ler.

    Alea jacta est! — gritará Carlos Veiga neste momento. O PAICV agora sabe o que fazer, pode(rá) trabalhar a sua agenda política que, em verdade, é mais previsível do se diz por aí. É o fim dos santos: Jorge e Livramento. Dirão que é um novo começo, pois seja. É preciso é dizerem de quê e do quê. Li o texto da Declaração; e é bem melhor que o desastre ético que se anunciava (nomeadamente no Liberal, Expresso das Ilhas e por uns passarinhos verdes anónimos por obrigação). Jorge Santos não tinha outro caminho, já o Livramento… não se livra de alguns epítetos, com a agravante de perder a oportunidade que não voltará a ter: não de ganhar, mas de mostrar que ambiciona ganhar. E a Isaura Gomes? Comeu uma pílula se silêncio? Ou já aprendeu que há coisas que não se resolvem com voluntarismo? O certo é que a sua postura neste contexto tem um preço; e não será a Presidência da República! O que virá aí? Esperemos para ver.

    O texto da Declaração de Jorge Santos é, pela importância que reveste, discursivamente sofrível mas é convincente quanto baste: o interesse e a ambição de um não se sobrepõem aos interesses do todo. Mas o texto diz mais, e só se conseguiria ver isso se conseguisse ouvir a voz do Jorge Santos, ver a sua cara — o discurso político vai para além do logos impresso. A liderança de Jorge Santos, na forma e no conteúdo estava esgotada há muito; e era preciso uma pedrada no charco, inovar-se no discurso, na atitude e na acção. Será Carlos Veiga capaz de o fazer? Capital de confiança tem; mas e o resto? O MPD não pode cair num Fiat Veiga Pereat Mundus. Que venha a renovação, de tudo o que é e for necessário!

2 comentários:

Amílcar Tavares disse...

Em minha opinião, este unanismo comunista fica mal num partido que reivindica para si a autoridade moral na democracia cabo-verdiana.

Sem debate, sem confronto de ideias, é uma tristeza.

Virgílio Brandão disse...

Amilcar, diz-me só uma coisa: desde quando é que o debate de ideias caracterizou a democracia cabo-verdiana?

Pense bem meu Caro, pense bem e verá que a resposta não é elogiosa para a nossa classe politica. É de recordar a corrida presidencial a solo de Mascarenhas Monteiro (2º. mandato) e aquilo que inaugurou: uma ética politica de paisagistas passivos.

Preocupa-me, ainda mais, outras coisas. Se vires bem, foi a nomenclatura do MPD - a Comissão Politica - a criar permitir esta situação de candidato único. Como aconteceu nas eleições da Comissão Politica do PAICV no Fogo e... acontecerá em muitos outros lugares.

O MPD, assim como o PAICV e a UCID (que se tem a tendência de esquecer no discurso politico nacional) precisam de militantes com maior autonomia, livres da(s) liderança(s) e com sentido estratégico.

Note-se, Amílcar: um partido não é a liderança e a nomenclatura, é o que os militantes quiserem - por isso as coisas se passaram como se passaram. Há que perceber a lógica das eleições... e, por vezes, é necessário fazer-se uma misse ensemble para não se dar essa ideia de unanimismo do «socialismo democrático» (i.e, o comunismo).

Mas é pior do que isso Amílcar. E o PAICV e os seus cránios não conseguem ver o que é uma evidência... enfim! A nossa terra. Acho que vou postar uma imagem choque de Andy Warohol para não dizer Porra!!! em voz alta.

Abraço fraterno
PS: Isto ainda vai dar muito que falar, ai se vai!