quinta-feira, 10 de setembro de 2009

  • O ENFORCADO
Sonhei esta noite que morria.
Tive um orgasmo. Acordei para o Mundo
— esse rameiro de flores que dá mel ao mal .
Testemunha, putrefacta, a essência de tudo
enquanto novas de eternidade revisitam-me.

E queria escrever os poemas que não és capaz de ler
com os teus olhos. Despertar-te para a roça,
sobreviver-te e aos teus sonhos
num grão de açúcar no mar d’Kepóna.

Há uma fronteira que não se cruza, saberias
— o sabor do mar é o nome da saudade.

Sonhei esta noite que morria,
que morria enforcado, docemente enforcado
num laço de poemas, nos poemas que não és
capaz, não chegas para ser capaz de ler.
E tive um orgasmo!
Era teu.

Imagem: La magie noire, René Magritte
---- Prima forma: Liberal

5 comentários:

Jonas disse...

Gostei,pá! Nada como a franqueza. Noite bem passada essa.
Foi por causa desse tal laço na garganta que acordaste a falar à Setúbal a terra do carrapau da torranja e do arrenque lol
Na volta até de pagam para escrever estas cenas é de loucos!
Abração
Gostei!

Nita disse...

Oi Virgílio,
Como vês o nosso Jonas, também, adora a tua poesia. Com um certo ciúme disfarçado, mas... enfim! Dá para se perceber. Não é por acaso que iniciou com "GOSTEI"
e findou o mesmo texto com "GOSTEI"
Eu, também continuo a dizer-te:
GOSTO, GOSTEI e gostarei de ler muitos e muitos mais poemas teus.
Beijos e BONS SONHOS,
Anita

Virgílio Brandão disse...

You two...
Bem, Anita, o Jonas está a converter-se à poesia...

:-)

Jonas disse...

Brandinho diz lá aqui ó Jonão quem é que te inspirou estes versitos...eu em troca mando-te mais um daqueles refrescos com certificado de qualidade.
rsrsrsrsrsr

Virgílio Brandão disse...

Ictus Ionam,
se leres a história de Petrarca, chegará lá, por analogia. E Camões, não teve a sua «Laura», Dona Catarina de Ataíde?

Espero que a resposta te satisfaça, ó peixinho.

:-)