terça-feira, 22 de dezembro de 2009

  • VOZES DE ATENTAR

    El amor tiene por fundamento un instinto dirigido a la reproducción de la especie,
    Schopenhauer

    Jean Louis Gieg - La pomme de la discorde

2 comentários:

Anónimo disse...

Até Schopenhauer tem o direito de confundir AMOR com SEXO. Mas nisso não está só. Frase nada inocente caro VB nestes tempos de 'ameaça' de um certo referendo. Amor reprodutivo? Faz-me lembrar uma réplica da Natália Correia a um certo deputado do CDS em plena Assembleia da República. Que falta faz hoje a Natália para este debate sobre o 'casamento'/união entre pessoas do mesmo sexo.
Festas Felizes. Bom Natal.
Aquele abraço.
ZCunha

Virgílio Brandão disse...

Cunha, nem pensei nesta polémica quando editei este texto de Schopenhauer… creia-me. Pensava, na verdade, naquilo que pensamos ser o Amor e que Schopenhauer demonstra - e hoje sustentado por outros dados de ciência – que o amor tem uma dimensão química e biológica e está, em essência, longe do romantismo poético.

É a sua tese em "O Amor, as Muheres e a Morte"… na verdade a frase toda é: "El amor tiene, PUES, por fundamento un instinto dirigido a la reproducción de la espécie." É uma frase conclusiva, e em que abre espaço para outro nível argumentativo. A questão não é aquela que pensas, mas a ter Schopenhauer razão, o Amor assenta no sexo e este não é consequência da dimensão afectiva daquele.

A tese de Schopenhauer é, na verdade, a morte do romantismo e da ideia do amor Eros a dados níveis, situações e sentidos existenciais. Neste sentido, sim... poderás extrapolar o discurso para a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sem ganhos, diga-se de passagem, para quem defende uma ideia de Amor - enquanto Eros - para pessoas do mesmo sexo.

O amor em Schopenhauer será efeito do connatus essendi, uma consequência do darwinismo existencial.

Abraço fraterno, e boas festas!