sábado, 20 de dezembro de 2008

  • A CIDADA VELHA E A HUMANIDADE CABO-VERDIANA

Cidade Velha. Por ela passou as minhas raízes. Algures, misturado com as pedras centenárias, está o ADN do escravo que me deu cor, vida, origem… A Cidade velha não é monumento de cultura para inglês ver, não. É Altar devido à negritude que construiu as ilhas e deu, também, morna e seiva à alma crioula e cor e samba ao Brasil. Altar!, sim. Os descendentes de Nimrod passaram pelas ilhas e edificaram com o seu sangue e as suas lágrimas não uma Babel mas uma nação.

A Cidade Velha é património de e da humanidade antes de o ser. A Cidade Velha é património da minha humanidade, da que me forma os ossos e da que forma a alma que transporto; e isso não precisa do reconhecimento de ninguém, só precisa do recanto do lalarium que tem nas raias da meu ser. O reconhecimento da UNESCO – se o Ministério da Cultura levar a bom porto a candidatura, o que se espera – só poderá ser um maius para os cabo-verdianos, só pode(rá) e deve(rá) ter um efeito meramente declarativo daquilo que é. É que se precisamos, ainda, do reconhecimento da UNESCO para ver na Cidade Velha o berço da cabo-verdianidade, então estamos muito mais falhos de cultura do que é patente.

O reconhecimento externo é outra coisa… mas, como bem dizia Goethe, «quem tem muito dentro de si pouco ou nada precisa do exterior». Resta saber é se o que temos dentro de nós, como povo e como nação, nos basta ou se precisamos de economizar, também, o que temos na alma.

  • Imagem: Cidade Velha, Santiago, Cabo Verde (Google Earth)

4 comentários:

Joshua disse...

Tive que me rir! Passados que são 10 anos (ou são 15?) continuas a citar Goethe e a frase do costume. Não se pode dizer que não és constante. :)
Quanto às tuas raízes africanas (e europeias também)quando quiseres posso dar-te uma mãozinha nessa pesquisa genealógica. Vais ver que te divertes!

Virgílio Brandão disse...

Pois... o que somos não muda, podemos melhorar ou piorar com os anos ("os homens são como os vinhos, o tempo ou os cura ou os azeda", dizia, também, Goethe), mas mudar...

Bem, sobre as raízes preferia a mão toda.

Essa de seres prima do "primo" Obama é cool...

:-)

Joshua disse...

Para que te possa dar uma mão, que neste caso será sempre uma mãozinha porque as minhas mãos são pequenas, hehehe, tens que me dar alguns dados para poder começar.É necessário saber os nome dos teus 4 avós, local de nascimento e data aproximada. Se não for possível os mesmos dados em relação aos teus pais também servem. Rapidamente ficarás a saber quem foram os teus antepassados até meados do séc. XIX. Progredir a partir daí vai depender do que encontrares, da origem geográfica, apelidos, profissões, etc dos teus tetravós e da tua vontade.
Quem sabe? Até podes descobrir que és meu primo.:D

Ariane Morais-Abreu disse...

That is a tremendous question!!