quinta-feira, 15 de outubro de 2009

  • O GENOCÍDIO KULTURAL CABO-VERDIANO

    Desvela-se o ALUPEC, a tempo. Será que não se consegue ver que a «padronização» da língua cabo-verdiana é um kulturcídio, um genocídio cultural da diversidade linguística da nação cabo-verdiana? Se ainda há pouco tempo não tinha dúvidas em caucionar o ALUPEC como Alfabeto Cabo-verdiano
    desde que devidamente certificada pela ciência devida, servisse toda a nação e fosse instituída segundo as regras prescritas pela Constituição , depois de ouvir, ler e analisar o que se tem passado e acarrear isso com a razão e a razão das coisas, concluo que se está perante um processo político de padronizar e unificar não somente todos os crioulos num sistema de escrita comum que não será somente assimilacionista mas integradora, pois, além da escrita comum, também e necessariamente, preconiza uma forma de falar comum e segundo a «matriz» de Santiago.

    Em poucas gerações, o crioulo da Brava, Sal, Santo Antão, S. Nicolau... desaparecerão, assimilados pelo Alfabeto alupecano, e teremos um krioulo unificado, sim, mas a que custo? Será que vale a pena perseguir este projecto político? Parece-me que não. E, nesta dimensão — porque afecta o conteúdo essencial de um direito fundamental —, também briga com a Constituição da República pois restringe direitos fundamentais, nomeadamente a integridade linguística dos cabo-verdianos cuja variante da língua cabo-verdiana o projecto do Governo se propõe (dito e confessado pelo M.I. Manuel Veiga, Ministro da Cultura) a restringir e, a breve trecho, eliminar em favor das variantes de Santiago e São Vicente com este, a seu tempo, porque será assim, com os dias contados. Lá estou eu a lembrar os etruscos…

    Estamos, sem dúvida, perante um genocídio cultural silencioso; um golpe institucional à diversidade linguística e cultural do povo cabo-verdiano. Nem S. Vicente é matriz do Barlavento, nem Santiago é matriz de Sotavento; a matriz linguística do país é comum, a língua materna e matricial é comum — o português. Nem argumentos quantitativos e de economia da língua (argumento falacioso…), pois a cultura de um povo não se mede, não se compra, não prescreve e não se pode usucapir.

3 comentários:

Tchale Figueira disse...

Esta história da matriz santiago e são vicente é para atirar areia... E como dizes, a descriminação do crioulo das outras ilhas é anti-constitucional. O problema não é o crioulo mas sim o português que cada vez mais é mal falado nestas ilhas. O ensino deixa muito a desejar, sem um plano governamental inteligente, maus professores etc etc.

Virgílio Brandão disse...

Caro Tchalé Figueira,
fala-se em São Vicente por haver, tradicionalmente, mais poder reivindicativo do que nas outras ilhas. O que se pretende, está patente.

Sim, o português é que vai sair maltratado, ainda mais do que está. O ALUPEC é a fuga para a frente, e as instituições da República estão caladas.

A questão jaz, sim, no ensino e não na cultura. Mas parece que é preciso ser-se gráfico para as pessoas enetenderem isso.

Abraço fraterno

Ariane Morais-Abreu disse...

Alupec, o intruso nojente! Menosprezante com Kiriol e Tuga, vem la o Alupec de cabelo desfrizado, fatu brankul, caderneta evangelica dos reinos de deus, residência em Palmarejo di Lisboa, 4X4 dernier cri a querer desmandar na tabanka. Era sem contar com Kiriol qu'nê abuso, nê dsafor nao leva d'nenhum mal parida, cabeça tortu i boka fedi.Tuga spanta spantote!!! LOL...