domingo, 11 de outubro de 2009

  • ONDE ESTÃO OS TRAIDORES E OS DONOS DA REPÚBLICA CABO-VERDIANA?
15 de Março do ano de Jesus Cristo de 44. Júlio César entra no Senado da República romana e é imediatamente cercado por um grupo de senadores que o apunhalam (terá levado 23 golpes), sendo o último golpe homicida desferido por Brutus – seu sobrinho-neto e filho adoptivo. Perante a traição que sofreu, o Cônsul gritou, espantado:

Tu quoque Brutus, fili mi! (Até tu, Bruto, meu filho!)

16 de Março do ano de Jesus Cristo de 2009, a República de Cabo Verde, na pessoa do Conselho de Ministros, aprova o Decreto alupekano (Decreto-lei 8/2009 de 16 de Março) cuja forma fere de morte os fundamentos da República e do Estado de Direito em vigor. E tenho de perguntar, como povo, a todos que participaram nessa traição à confiança depositada:

Até tu, Pedro Pires, meu filho?
Até tu, Assembleia Nacional, minha filha?

A Res Pública — não confundir com res communis púbica (ou da Joana, vulgo dixit), que não é! — sobreviverá. E sobreviverá para ver quem é que, como vigia da Constituição, avançará para o STJ/Tribunal Constuicional. Será que vamos tendo consciência de que as questões e situações estruturais da nação vão sendo decididas, bem ou mal, pelos juízes? Pois é, a República dos juízes é muito mais do que um fantasma, é um fantasma vivo, actuante e pretes a ganhar asas eternas. Acorda povo, acorda antes que tarde.

Mas acorda sem máscaras, sem medos, sim; sem medos! vinde ó Cássios e Brutos! Cíceros e Catilinas reconstruidos! Ovídios e Horácios! Mecenas e Propércios! Tertulianos e Agostinhos! Lucrécios e Catões! Ulpianos e Papinianos! Senecas e sábios não reconhecidos de R’bêra Bote a Tcham d’Fguêra! D’San Flip a R’beral! De J’néla a A’Somada! De Lajêd a Praia. De d´Zapique d’infêrre a Terra-longe! De Terra-longe a cada grão de terra nossa, terra-nós que por ser nós é isso e é coisa e é pública! Vinde, vinde e oremos de acção pela Res Publica!

No porão, é que não dá! Ou será que silêncio ainda fala, ó opi(o)nion makers? Como me dizia uma amiga, sem independência económica é difícil as pessoas serem o que são, dizerem o que verdadeiramente pensam. Será por isso que os anónimos, nominhas e quejandos proliferam na sociedade virtual cabo-verdiana? É uma das respostas possíveis, mas existem outras; ai se existem! A verdade é que uma cidadania encapuzada é uma espécie de eunuco intelectual, mera guardiã de prazeres alheios, de razões desvairadas e dos interesses dos mais do que putativos senhores usurpadores da República.

A República, os seus princípios e valores são dos homens e das mulheres da nação, do povo; mas, ao que parece e segundo alguns, pode ser usucapida. ¡Que tonteria!

4 comentários:

Gisela Rosa disse...

Virgílio, não conhecia o teu blogue. Serei visitante, obrigada pelas tuas palavras. Lembras-te de mim? Um abraço

Virgílio Brandão disse...

Agora, já conheces!

Claro que me lembro! Como seria possível esquecer-me de ti? Vou, à distância, seguindo os teus passos...

Beijos

JB disse...

Mais um excelente post. Se me permites, eu também por aqui vou seguindo os teus passos! Abraço.

Virgílio Brandão disse...

Gracias, João.
Claro que permito, é preciso estar-se onde se tem de estar. Mesmo quando não se nota a nossa presença.

Abraço fraterno