terça-feira, 27 de outubro de 2009

  • O INÍCIO DO FIM DO ANGOLAGATE
O Angolagate, caso de tráfico de armas entre Angola e França durante o conflito armado angolano, chegou ao fim, pelo menos no tribunal correccional de Paris. Falcone, Arcadi Gaydamak, Mitterrand, Pasqua... o início do fim do processo, pois há muito para percorrer. Um processo de interesse particular para Angola e os angolanos, não por causa da decisão em si mas pelas revelações que constam no processo que, certamente, servirão de subsídio para se perceber (em particular pelos historiadores, politólogos e sociólogos) os contornos do conflito armado angolano e que o alimentou e se alimentou dele.

A magistratura francesa, com todas as suas particularidades, mostra-se verdadeiramente independente. Do poder político e não só, e não só... e iso é uma questão de cultura, sim: de cultura democrática.
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Imagem: Pierre Falcone saindo do tribunal

9 comentários:

da caps disse...

Pois é jovem..

Mas em França a revolução 'democrática' começou há 300 anos, e não há 30 anos.
Cultura tem um significado simples que muitos desconhecem, hábito!

Em termos de povo ou raça, 300 anos de um hábito é um bocadito diferente de 15 anos de.. hábito.

Virgílio Brandão disse...

Pois é... é por isso que se fala em ética democrática. Um dia, certamente, chegaremos lá.

Por enquanto a nossa cultura, em Cabo Verde, é outra, infelizmente.

Abraço fraterno

Ariane Morais-Abreu disse...

Resumir ao " habito" todo o pensar, refletir, pesquiçar, enfim todo o trabalho e esforços colectivos... demostra uma flagrante "décalage" entre as justiças desenvolvidas e as subdesenvolvidas. Continuar a procurar desculpas e justificaçoes nao adianta a justiça cabo-verdiana, nem a sociedade em geral. O trabalho é que faz a diferença, nao somente os anos. A democracia é uma conquista de todos os dias mesmo aqui em França, e cada vez mais com os Sarkozy e socios.

Anónimo disse...

Magistratura francesa independente? Curioso que quem vive em França pensa o contrário.

Leia somente isto:

"Dans le premier dossier, la juge d'instruction vient de rendre une ordonnance de non-lieu en faveur des policiers. Dans le second dossier, la justice n'a toujours pas terminé l'instruction, quatre ans après les faits. Avocat des familles dans ces deux affaires, Jean-Pierre Mignard, par ailleurs membre du conseil national du PS, s'interroge sur l'attitude des pouvoirs publics face à ces situations de crise.

La justice fonctionne-t-elle correctement sur les affaires impliquant jeunes de banlieue et policiers ?


A l'évidence, non. Je constate des similitudes pour Clichy-sous-Bois et Villiers-le-Bel. Dans les deux dossiers, le pouvoir n'a pas immédiatement désigné de juge d'instruction pour conduire des investigations indépendantes. Sa logique était de confier les affaires au parquet, dont on sait qu'il est subordonné à l'exécutif.
in Le MONDE

Anónimo disse...

Justiça francesa independente ou praticante de dois pesos e duas medidas? Porquê Falconi saiu do tribunal algemado e Pasqua que se recusou estar presente na leitura da sentença estava às 20 na televisão dando entrevista?

"Invité de France 2, l’ex-ministre de l’Intérieur, qui va faire appel de sa condamnation, a mouillé les dirigeants de l’époque, affirmant que «le président de la République (d’alors) était au courant de l’affaire de ventes d’armes à l’Angola», ainsi que «le Premier ministre», «la plupart des ministres aussi». «Le moment est venu de mettre les choses au clair», intime Pasqua (sur la photo, à son arrivée au palais de justice, le 6 octobre 2008. Crédit: AFP Martin Bureau). Et l’actuel sénateur de demander «au président de la République de lever le secret-défense sur toutes les ventes d’armes, sur toutes ces opérations qui ont été réalisées à l’étranger afin que l’on sache s’il y a eu des retours de commissions en France et qui en a bénéficié»
in Libération.

Porquê que a polícia não estava à espera de Pasqua à saída da televisão?

Depois do pedido de Pasqua ao chefe de estado para levantar o segredo de estado relativo à defesa, ainda pensa seriamente que a magistratura francesa é independente? Em relação a Portugal e CVerde, talvez, mas neste caso pode-se também dizer que a justiça nestes dois últimos países é mais independente do que as justiças de Burkina Faso, Guiné Bissau e São Tomé.

Mas eu não vivo nesses países..

Ariane Morais-Abreu disse...

Este Pasqua é realmente un vieux renard (raposa)de la politique!! Os jornalistas nao devem conhecer os mecanismos administrativos porque senao veriam que esta saida do Pasqua é une ruse pour noyer le poisson. A declassificaçao dos documentos administrativos é algo obrigatorio, regulamentado (lei d'arquivos)e muito controlado (directivas interministeriais) mas os dossiers sensiveis e segredos dos "Cabinets" nao ficam nos arquivos quando haja uma mudança de governo, sao destruidos ou recuperados pelos protagonistas dos negocios obscuros. Nunca vao aparecer para a justiça. A saida do Pasqua demostra uma coisa : o clima (e rosto)corrompido, conflituoso e assassino da classe politica francesa no poder. Todos palparam comissoes e retrocomissoes. O sistema esta viciado ha muitos anos. A justiça francesa esta de facto em perigo!!

Anónimo disse...

Para quê dizer mais depois da lição de Ariana ao ingénuo dr Virgílio sobre a coisa francesa?!

Ariane Morais-Abreu disse...

Rectificatif: nao é uma liçao, somente tentativa de explicaçao partilhada para melhor comprender o que se passa atras das declaraçoes mediaticas...

Anónimo disse...

E agora é a vez de Chirac ir ao tribunal. Dê mais uma lição senhora Ariana porque o pvo agradece: explicando como diz, o funcionamento mafioso da sociedade francesa; o porquê desses ajusts de contas dos diferentes clãs Pasqua contra Chirac, Chirac contra Sarkozy, Sarkozy contra Villepin, que acaba de dizer que quer trabalhar para uma verdadeira independência da justiça em França; explique aos ingénuos como é que os clãs politico-juridico-mediatico-financeiros em França se comem uns aos outros!