sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

DITA–DURA DE CHUVA

Chove em Lisboa. O Mundo anda demasiado sério – desbelado mesmo… o espaço para compartilhar o bem escapa, pouco a pouco, pouco a poço, como a chuva que cai e faz o que faz e deve fazer: chora, molha e traz vida. Será por isso que procuro o belo não aí mas dentro de mim, inundado de um olhar ausente, perto-longe como a minha terra-longe?

Chove em Lisboa. Quero silêncio em toda a terra inundada e seca de amor enquanto me escuto. E o meu poeta reclama, e reclama.

Chove em Lisboa. Uma chuva fria, dolorosa até. O sol, decerto, despontará – pode tardar mas virá; de mansinho, baterá à janela e, entrando pelo meu vale quadrado, dar-me-á a sua mão. E sentar-nos-emos no planalto da hora a escutar-me.

Chove em Lisboa. Ah, e mil coisas há por fazer… agora.
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  • Imagem: Luis Royo

4 comentários:

Jessica disse...

VB, trago-te uma boa nova de liberdade!
Hoje o sol acordou, bateu-nos à porta desconfiado, e veio brilhar desafiando, ainda que tenuamente o frio que persiste.
Vou aproveitar para recuperar as energias, fazendo a minha fotossíntese.
É importante mantermos a clorofila do amor,e na alma ou não VB?
Larga a rotina, hoje, e procura o arco-iris lá fora. Olha que tem as cores do sol e da vida!
:~)

Virgílio Brandão disse...

Vi... hoje está um dia cinzento, mas adivinha-se agradável.

A rotina é uma ama terrível... Somos, sempre, crianças nas suas mãos embaladoras. :-)

Jessica disse...

Se a rotina fosse mãe, embalar-nos-ia para caminhos mais coloridos, como o arco-íris, não é VB? Eu penso que sim!
Mas, enfim, a mão que embala o berço nem sempre é a mão que comanda o mundo, infelizmente!
Ainda bem que temos a cicatriz no nosso corpo para nos lembrar sempre que estivemos ligados a um outro ser humano extraordinário, que nos deu as côres da vida, e que nos passou as chaves da divindade.


:)

Virgílio Brandão disse...

Ama, Jessica... ama. Mãe é outra coisa...

:-)