sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

  • MEMÓRIAS DE AMANHÃ
Escutava o poeta vertendo à beira-mar
a sua alma em verdade:

«Amar-te-ei mais do que a glória
e menos do que a honra e o amor à vida.
Trarei o suor de Agosto
ao teu Inverno e, pejado de ti,
serei teus passos arrojados à sombra
das madrugadas solares
e da bruma dos teus beijos mulatos.

Seremos porto final de nós, lenda
cavalgando nos sonhos cavados,
ordem natural do desejo e nada,
nada mais que todas as horas ansiadas
nos doces gemidos sim
que, de ti, curam em mim a vida.»

E depois, depois remeteu-se ao silêncio,
assim como pensamos que Deus está,
mas não – tem a voz embargada.

4 comentários:

Joshua disse...

Gostei. Desta vez o teu poeta estava mesmo inspirado.

Nita disse...

Que poema maravilhoso!
Li-o meticulosamente e, descobri uma "felicidade" entre-sonhada... ...
Permites-me aprendê-lo e decorá-lo?
bjo,
Anita

Virgílio Brandão disse...

Joshua, o meu poeta tem dessas… aprendeu a ser poeta debaixo da ponte 25 de Abril – penso, às vezes. Não sem razão, não sem razão; acho.

Anita,
decora, decora… não sei se os meus versos merecerão tanto, mas… agradecido estou pelas tuas gentis palavras.

Como me diz o José Hopffer: «não escrevas poesia; não és poeta!»

Assim, escreve o meu poeta; pois ele é poeta, pelo menos de nome aos Vossos olhos.

É como dizia JL Borges: não há poeta, por mais mediocre que seja, que não tenha escrito o mais belo dos versos. O meu poeta procura, mediocramente, o seu verso belo, o pomo de oiro.
:-)

Joshua disse...

Hoje almocei para os lados da R. do Quelhas num restaurante que não tinha nada de especial a não ser uma gravura que ocupava toda a parede com a Ponte 25 de Abril e o respectivo casario debaixo. Não consegui foi ver esse teu poeta. :)