terça-feira, 20 de janeiro de 2009

  • O NOVO SONHO AMERICANO
Hoje a história sente dores de parto. Barack Obama é empossado como Presidente os Estados Unidos. O impossível e o improvável aconteceram – o sonho de Martin Luther King explodiu e polvilhou todos de uma nova e necessária esperança. O futuro começa agora.

O silêncio de Barack Obama sobre o conflito Israelo-palestiniano – objecto de critica em muitos quadrantes – é o silêncio respeitoso e devido às instituições, necessário e de acordo com as tradições democráticas dos EUA. Honrar publicamente os adversários, como fez com John MacCain; reconhecer a coragem e a capacidade política de pessoas de outros quadrantes, como é o caso Colin Powell e com a recondução de Robert Gates como Secretário da Defesa; exaltar o companheirismo e dedicação do outro - como fez com Joe Biden – e a ao outro, como demonstrou a dedicar um dia ao serviço cívico na comunidade. É uma mensagem clara de um homem que se preocupa com o destino do seu semelhante.

Ao vê-lo a discursar no Lincoln Memorial, com a estátua do homem que decidiu abolir a escravatura a olhar para ele, petrificado, estava envolto pela ideia de sonho que outrora fora levado e evocado ali. Ao escutá-lo evocar – enquanto testemunho vivo da realização do sonho de Martin Luther King: “Free at last, free at last! Thank God Almighty, we are free at last.”… – e convocar a dimensão comunitária dos desafios do futuro parafraseando Plutarco: «a grandeza de um povo está na forma como enfrenta a adversidade» percebi que é possível ter esperança e que cedo ou tarde os sonhos explodem – isto é, realizam-se. Langston Hughes, esteja onde estiver, deverá, neste dia, exultar com a surpresa da resposta.

A grande questão é: irá Barack Obama concretizar esta ideia – quase revolucionária para a sociedade americana do american dream – de uma América inclusiva, solidária e comunitária que, ao mesmo tempo, recupere a autoridade moral externa que ostentou no passado sem correr o risco de parecer uma nação enfraquecida e, assim, fazer perigar a sua segurança interna? Isso o futuro nos dirá. Agora uma coisa é certa: o sonho americano nunca mais será o mesmo. Acontece, hoje, talvez sem nos apercebermos, a concretização de uma ruptura do paradigma do sonho. Sim, uma nova episteme do sonho percorre o Mundo. Esta é, verdadeiramente, a verdadeira mudança. Talvez só daqui algumas gerações venhamos a ter a consciência exacta do que acontece com a Presidência de Barack Obama.

Uma palavra para George W. Bush: nem tudo foi mau, e destaco quarto coisas boas: 1) o seu empenho na ajuda a África, nomeadamente com o Millennium Challenge Account; 2) a firmeza com que tratou o trauma no pós 11 de Setembro, não deixando o país cair em depressão; 3) o seu exasperante sentido de humor e, ainda, um facto fundamental: 4) não fosse a sua manifesta imperícia de gestão da coisa pública e o dia de hoje não seria possível tão cedo. Mas uma coisa é certa: a história não o absolverá.
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  • Imagem: Barack Obama com John McCain nas vésperas da tomada de posse.

4 comentários:

João Branco disse...

Virgilio:

As "coisas boas" do Bush tem muito que se lhe diga:

1. O MCA é daquelas coisas que implica o ditado, "quando a esmola é muita o Santo desconfia". E quando o MpD trás como uma das propostas para a Revisão Constitucional, a autorização para a instalação de bases militares no arquipélago, já não digo mais nada..

2. 11 de Setembro que, como está mais do que provado, tem muito que se lhe diga, sobre as suas verdadeiras causas...

3. Eu não confundo sentido de humor, com alguma falta de inteligência...

4. Essa sim, a sua maior herança. Obama deve-lhe muito!

Abraço fraterno

Virgílio Brandão disse...

João,

1. Independentemente das intenções, o MCA tem sido objectivamente útil, nomeadamente a Cabo Verde. No final do programa faremos as constas … Ouvi falar dessa proposta do MPD, mas não a conheço – quando a conhecer darei a minha opinião sobre isso.

2. Sim, aí há muito mais do que se disse… mas nessa altura Bush esteve a altura das circunstâncias e agiu de forma correcta – exceptuando a Lei da Defesa Nacional… - o depois, a reacção é que foi um desgraça.

3. Sim, falta aí um pouco mais de massa cinzenta; mas que o humor do homem é fatal, é… concede lá isso, ó João…

4. Sim, estamos de acordo. A história está cheia de exemplos destes.

Abraço fraterno

Ariane Morais-Abreu disse...

Esses politicos cv so sabem fazer politiquice. O MPD é um perigo real e potencial para CV porque eles enfornaram CV na boca dos lobos e vem agora querer desflorar a Constituiçao para proveito politico pessoal, e par orgueil ignare mal placé. Mais uma comedia de quem nao conhece nada do que se passa no mundo e brinca com lume. O MCA é veneno para CV, nao se trata de ajuda mas de ingerência!! Quem pode imaginar um so segundo a generosidade de um Bush? Troça né!! Enrolam os coitados esfomeados de dinheiro sujo virtual e depois aparecem com lixos toxicos e neste caso bases militares nos bolsos que o imbecil governo PAICV, o manipulador e interesseiro governo português, a lobbyista e ineficaz NATO e a propaganda mediatica global oferecem a populaçao cv para a sua maior desgraça. Ja esqueceram os duvidosos exercicios da Nato nas ilhas?! Brava a mexer sem razao telurica?!! Se os maldosos irem até o fim desta logica de guerra e invasao do espaço cv, africano e atlantico, apita o sinal du début de la fin du match. Que nao serve a eleiçao do Obama para continuar a enganar os Africanos!!!

intelligence disse...

It seems different countries, different cultures, we really can decide things in the same understanding of the difference!
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