Primeiro Ministro José Maria Neves Ministro da Cultura, Manuel Veiga
O SILOGISMO DA PÁ E DAS MÃOS LIMPAS Quem não conhece o bê-á-bá do silogismo aristotélico? Aquele: todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal. Ao ver as imagens da nação a ser limpa (ai, Churchill! lembrei-me de ti, agora…), com os políticos a darem o exemplo, também, não deixei de pensar em tanta coisas, mas tanta coisa que o melhor é não partilhar, ter alguma contenção no verbo (não gostei, nada, mas nada do que vi – não da acção, mas da sua dimensão visual).
Assim, numa espécie de catarse visual, remeto a questão para o plano do mundo das ideias, e pergunto-me, perante as imagens do Primeiro-ministro José Maria Neves e do Ministro da Cultura, Manuel veiga: qual é diferença entre estas duas imagens? O que pensar delas, além das suas razões de ser?
Bem, antes disso, tenho de dizer o seguinte: agarrar numa pá não é coisa simples, não! tem ciência (e escreve quem descarregava, sozinho, um caminhão de arreia a pazada em 13 minutos!), e não é pouca. A forma como os M.I. Ministros agarram na pá, digo-vos, não só lhe dá cabo da costas, como os deverá ter cansado rapidamente — a não ser que tenham agarrado nos instrumentos somente para a foto, o que não creio. Uma pá pede gentileza: a mão esquerda do destro, v.g., deve estar solta, leve… deve libertar a pá quando se livra do material, para não forçar o corpo, obrigado a fazer força no sítio indevido. Mas, não quero falar sobre a ciência que os operários têm e que falha, que escapa a muitos doutores & engenheiros, o que quero é sofismar um pouco em torno de um silogismo que emerge das diferenças entre estas duas fotografias.
Todos usavam pá. Quem usa pá é operário. Logo, eram todos operários. Não, está errado! — dir-me-á, aprestamente. — Não são operários, são Ministros.
Talvez, talvez tenha razão. Note bem: talvez. Mas fiquemos por aqui, pois admito este sentido restrito de operário. Eram Ministros, o primeiro e o da cultura. As diferenças? O primeiro é canhoto (ou será que não lhe ensinaram a agarrar na pá?), o da cultura destro. O destro usa luva, o canhoto não. Logo, tenho de concluir que todos os destros usam luva, e todos os canhotos não usam luvas.
Mas o meu poeta, que não gosta de silogismos e muito menos de sofismas, alerta-me para um pormenor: a luva é cor-de-rosa! Cor-de-rosa, deuses! Assim, entendo o Primeiro-ministro: luvas cor-de-rosa e adequadas para lavar loiça ou roupa, não! Até porque as luvas, rosadas e frágeis, duraram pouco mais de uma hora naquele tipo de tarefa ministerial. O quê!? Falar de boné, gorro, ou de chapéus? E de máscaras? Please, give me a break! Saúdo a boa vontade, mas não se salva a imagem e algo mais (procedimentos, e mais não digo!).
Ah!, impressionou-me o carinho com que Manuel Veiga olhava para um velho pé de chinelo, quase que o afagando com a borda da pá, cansada, pesada (deveria estar a pesar o dobro do peso normal) — por não ser limpa há muito —, mas não tanto como a dor de cabeça que é o ALUPEC/Ak. Nessa tentativa de afagar o chinelo, como se tentasse descobrir um tesouro escondido ou o petróleo (também chamado «asas de 2011») sonhado e terá pensado para si mesmo:
— Aqui está um aspecto da cultura que nunca atentei…
Terá sido por isso, para não colocar mão na massa dialéctica, que não apareceu na Assembleia Nacional quando se discutou a questão da língua? Quem se interessa, aparece. Todos os interessados apareceram, menos Manuel Veiga. Logo, Manuel Veiga não estava interessado. Os silogismos são mesmo tramados, não são?
Mas John Djini que é medico disse duvidando no Parlamento que só compreenderia a ausência do ministro da cultura nesse debate sobre o crioulo se o referido responsável politico estivesse doente. Mas vendo dois dias depois o mesmo ministro na foto faszendo esforço fisico conclui-se que ele não estava doente, ou é mesmo irresponsavel para ir trabalhar como varredor de câmara desobstruindo a capital da lixeira que tem em todos os cantos. A conclusão é que poderia ter ficado pela sua frase de que tudo não passou de pose para "foto". O que é gravissimo, pois é manipulação e propaganda!
Anónimo 8/Nov/2009 17:34:00, não diga isso, não...
O Ministro da Cultura teve, de certeza, uma coisa mais importante para fazer nesse dia do que discutir a língua cabo-verdiana, o crioulo ou o ALUPEC. Mas não sabemos o quê, porque ninguém perguntou ao Ministro o que era/foi...
E a agenda do Ministro é pública, não é? Pública, e temos o dever de saber aonde foi e o que foi fazer para não estar nesse dia na Assembleia Nacional. Quem é que faz a pergunta?
São os deputados e os jornalistas que temos... e é por isso que temos um índice elevado de «liberdade de imprensa», pois os jornais e os jornalistas têm a liberdade de não perguntar, quando deveriam ter em consideração que têm o dever de perguntar e de informar.
Propaganda? Mas o Governo era, agora, ente para se aproveitar politicamente desta situação? O Governo a fazer propaganda? Ah, não diga isso, pois algum pode ficar «ideolgicamente» ofendido!
Não é apenas propaganda, como há manipulação e desinformação. Veja esse passo duma noticia no Liberal, escrita depois do meu post:
2. Todos os que tiveram a oportunidade de ver o telejornal do dia 6 de Novembro puderam assistir a imagens e declarações de cinco ministros, para além do Primeiro-Ministro, em ambiente de trabalho na rua, com a mão na massa a fazer a limpeza. Em contraste, o Presidente da Câmara Municipal que esteve na rua, em várias localidades da cidade durante quase todo o dia, com o conhecimento da TCV, só foi contactado para dar uma declaração no final da tarde quando se encontrava já no Gabinete nos Paços do Concelho. As imagens e os cenários falam e os senhores jornalistas da TCV sabem bem disso.
3 comentários:
Mas John Djini que é medico disse duvidando no Parlamento que só compreenderia a ausência do ministro da cultura nesse debate sobre o crioulo se o referido responsável politico estivesse doente. Mas vendo dois dias depois o mesmo ministro na foto faszendo esforço fisico conclui-se que ele não estava doente, ou é mesmo irresponsavel para ir trabalhar como varredor de câmara desobstruindo a capital da lixeira que tem em todos os cantos. A conclusão é que poderia ter ficado pela sua frase de que tudo não passou de pose para "foto". O que é gravissimo, pois é manipulação e propaganda!
Anónimo 8/Nov/2009 17:34:00,
não diga isso, não...
O Ministro da Cultura teve, de certeza, uma coisa mais importante para fazer nesse dia do que discutir a língua cabo-verdiana, o crioulo ou o ALUPEC. Mas não sabemos o quê, porque ninguém perguntou ao Ministro o que era/foi...
E a agenda do Ministro é pública, não é? Pública, e temos o dever de saber aonde foi e o que foi fazer para não estar nesse dia na Assembleia Nacional. Quem é que faz a pergunta?
São os deputados e os jornalistas que temos... e é por isso que temos um índice elevado de «liberdade de imprensa», pois os jornais e os jornalistas têm a liberdade de não perguntar, quando deveriam ter em consideração que têm o dever de perguntar e de informar.
Propaganda? Mas o Governo era, agora, ente para se aproveitar politicamente desta situação? O Governo a fazer propaganda? Ah, não diga isso, pois algum pode ficar «ideolgicamente» ofendido!
Bom Domingo
Não é apenas propaganda, como há manipulação e desinformação. Veja esse passo duma noticia no Liberal, escrita depois do meu post:
2. Todos os que tiveram a oportunidade de ver o telejornal do dia 6 de Novembro puderam assistir a imagens e declarações de cinco ministros, para além do Primeiro-Ministro, em ambiente de trabalho na rua, com a mão na massa a fazer a limpeza. Em contraste, o Presidente da Câmara Municipal que esteve na rua, em várias localidades da cidade durante quase todo o dia, com o conhecimento da TCV, só foi contactado para dar uma declaração no final da tarde quando se encontrava já no Gabinete nos Paços do Concelho. As imagens e os cenários falam e os senhores jornalistas da TCV sabem bem disso.
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