domingo, 1 de março de 2009

1964, Jorge Luís Borges
I
O mundo já não é mágico. Deixaram-te sair.
Já não compartilhas a lua clara
nem os jardins lentos. Já não há
uma lua que não seja espelho do passado,
Cristal da solidão, sol das agonias.
Adeus às mãos e os pares mútuos
que o amor aproximou. Hoje só tens
a fiel memória e os dias desertos.
Ninguém perde (repetes inutilmente)
Senão o que não tem e que tinha tido,
porém não é bastante ser bravo
aprender a arte do esquecimento.
Um símbolo, uma rosa, se desgarra
E te pode matar uma guitarra.

2 comentários:

Joshua disse...

Quando li isto lembrei-me logo do teu gato!

A un gato

No son más silenciosos los espejos
ni más furtiva el alba aventurera;
eres, bajo la luna, esa pantera
que nos es dado divisar de lejos.
Por obra indescifrable de un decreto
divino, te buscamos vanamente;
más remoto que el Ganges y el poniente,
tuya es la soledad, tuyo el secreto.
Tu lomo condesciende a la morosa
caricia de mi mano. Has admitido,
desde esa eternidad que ya es olvido,
el amor de la mano recelosa.
En otro tiempo estás. Eres el dueño
de un ámbito cerrado como un sueño.


Jorge Luís Borges

:)

Virgílio Brandão disse...

Ah!, sortudo do stuyi...

«eres, bajo la luna, esa pantera»

Belo poema!
:-)