domingo, 15 de março de 2009

  • A VISITA DE JOSÉ SÓCRATES A CABO VERDE E A AFRONTA NACIONAL DE IGNORAR A OPOSIÇÃO
O Governo de CV tem anunciado a intensão e vontade de dignificar a Oposição – mas os factos provam o contrário: o programa da visita de parte substancial do Governo de Portugal, um maiores parceiros do país, deixa a oposição de fora. Parece uma visita de comadres – dirá o povo, não sem razão.

A Oposição, ignorada pelos governantes portugueses – que deveriam, ao elaborar o programa da visita ter em consideração que existe em Cabo Verde um sistema democrático e que o país político não é o Governo e o partido que o suporta na Assembleia Nacional. Jorge Santos, desta vez muito diplomático (quando não deveria ser tanto!), resolveu fazer uma espécie de Presidência Aberta da Oposição – o que já deveria ter feito há muito, assim como a criação necessária de um Governo Sombra tardou em ser criado (mas é tão sombra tão sombra que nem a sombra se vê…) – pelas ilhas. Uma saída inteligente e digna! Já a postura do Governo português de ignorar a oposição é que tudo menos digna (a verificação de que a visita de José Sócrates ao Mindelo só ocorreru por insistência sua é espantosa!).

Será que José Sócrates pensa que este Governo vai durar para sempre, que o mandato que irá renovar este ano coincidirá com um novo mandato do PAICV? Certamente que sim, só pode! É que, pensará, nem o PSD (Portugal) tem condições de vencê-lo com Manuela Ferreria Leite nem tem tempo para Marcelo Rebelo de Sousa poder reconstruir o PSD – isso na perspectiva portuguesa. Em Cabo Verde, pensará o mesmo: que Jorge Santos não tem condições de poder a vir a ser Primeiro Ministro e o MPD, nomeadamente, de ser poder – por isso ignora-os.

Isso é ignorar a oposição política e democrática cabo-verdiana – uma afronta, aos cabo-verdianos que votaram nessa mesma oposição. Mas isso não é coisa nova – nem tem uma dimensão ideológica, de família política, não. Aconteceu o mesmo com Pedro Pires, aquando do Governo de António Guterres: estando em Lisboa como líder da Oposição ao Governo da Carlos Veiga, não foi recebido pelo então Primeiro Ministro português. As razões, hoje, são as mesmas? Quais? Ah! Ponha-se a pensar e a adivinhar que chega(rá) lá com facilidade.

E, mais afrontoso ainda, é o facto de que os media ficarem calados, acritícos, tributários até… em relação a isso. Será a prova bastante que faltava para se ficar patente que muita gente – inclusive a classe política – tem, ainda, mentalidade de colonizados e outros de colonisadores? A Oposição não tem o direito de se indignar com estas coisas: tem o dever de o fazer! É que ninguém deve ser aforntado na sua própria casa e existe um mínimo de educação e de cortesia, mesmo na política. E os custos políticos disso? – perguntar-me-á.

– Que se lixem! – respondo. É que as instituições democráticas – e a oposição é uma intituição democrática fundamental numa democracia – devem ser respeitadas por quem visita o país na qualidade de ente político e, também, representante do povo. Não consigo entende que, a agir deste modo, se possa inaugurar, como diz José Sócrates, uma nova era nas relações entre Cabo Verde e Portugal.

Imagem: Vote McGovern, Andy Warhol, 1972

4 comentários:

Anónimo disse...

Não fiques zangado, mas melhor post deste blog!!

Virgílio Brandão disse...

Oh! anónimo das 23:59:00...

Zangado, como? É quase um milagre verem-me zangado. Mas mesmo no pior sentidos, o seu comentário não era nem é razão para ficar zangado.

Aliás, valorizo sempre a critíca e o elogio... vejo-o como simpatia, favor e bondade.

Agora, o seu comentário tem tantos sentidos... que se me elucidar do que quer dizer me ajudaria.

Abraço fraterno e volte sempre
:-)

Anónimo disse...

A ideia mais valorizar este post do que desmerecer os demais.

Digno de um artigo de jornal.
Não por desmerecer o blog, mas sim pela abrangência.

Espero ter elucidado.

Virgílio Brandão disse...

Anónimo das 11:41:00:
sim, agora percebi o sentido.

Abraço fraterno
:-)