sexta-feira, 13 de março de 2009

REALIDADE CULTURAL

«Se é verdade que, do ponto de vista cultural, em Cabo Verde as condições são um bocadinho melhores que na Guiné, porque, dadas as condições em que a população se desenvolveu nunca se pôs a questão de indígena e não indígena e então em princípio qualquer filho de Cabo Verde pode ir à escola (escola oficial), não é menos verdade que, no total, havia muito menos escolas do que na Guiné.

Há certas coisas que os camaradas não sabem e que lhes podem fazer confusão, mas a verdade é que em Cabo Verde mais gente aprendeu a ler e escrever do que na Guiné, no tempo dos colonialistas. Mas a percentagem de analfabetismo em Cabo Verde, contrariamente à vaidade de algum cabo-verdiano que tem a mania que sabe muito, é de 85%.
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Os tugas gabavam-se, dizendo que em Cabo Verde não há analfabetos. É falso! Mas daqueles que sabem ler, eu fiz a experiência em 1949, quando lá fui passar as férias, havia gente com o 2.° grau (já havia 4 ou 5 anos) no mato, em Godim ou em Santa Catarina, por exemplo, e a quem se lhes dava o jornal para lerem, mas não sabiam o que estavam a ler. Esses também são analfabetos que conhecem as letras. Há muita gente assim no mundo e até, às vezes, doutores. Mas é preciso perder muitas ilusões» in Amílcar Cabral, Unidade e Luta
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Imagem: Amílcar Cabral, herói da luta da libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde

2 comentários:

Jessica disse...

Sinto cada vez mais orgulho em ser crioula.

É bom saber de onde partimos, para podermos avaliar melhor os ganhos de hoje.

Não achas VB?

:)

Virgílio Brandão disse...

Sim, Jéssica... mas temos, também, de avaliar as perdas. E não assim tão poucas, não.

:-)