sexta-feira, 10 de outubro de 2008

  • HUMANA CONDITIO

Contaram-me, ontem, que morreu um amigo.

Deixou mulher. Deixou filhos. Deixou saudades. Não deixou aviso.

Oh, Deus! Porque não somos eternos, como o pensamento das gaivotas e dos corvos do Tejo?...

4 comentários:

Anónimo disse...

"O pensamento das gaivotas e dos corvos do Tejo são eternos"???? Como é que tu sabes,carinho, se tu próprio não és e eles também não?!
Aiii,o Dr.cansa-me a cabeça!!!!

Virgílio Brandão disse...

Anónimo da 18:01:00,
Sobre isso – eternidade – seria preciso não uma «glosa» ou um «tratactus» mas sim um verdadeiro tratado ou tese infinita. Agora, como diz Jorge de Sena, não chegamos para nem somos capazes de entender o que é eterno. Poderia ter razão; mas não tem (salvo melhor opinião).

É que, numa perspectiva panteísta, eu e Você, M.I. anónimo, somos parte do eterno, pó de estrelas, cáucaso do universo. Mas isso é coisa da ordem da fé – insusceptível, dir-me-á, de prova.
Mas, então, como provar que o pensamento das gaivotas e dos corvos do Tejo não são eternos; isto é, que são efémeros? Nota síntese: só conseguimos, por natureza, medir o mensurável (finito, efémero...), mas não o imensurável – o infinito; grosso modo, o eterno.

Se o pensamento das gaivotas e dos corvos do Tejo são imensuráveis; se são da ordem do incognoscível, então, serão eternos até que os vertamos – parafraseando Borges (O Golem) – em números e expressões cabais.

O «eterno», M.I. Anónimo da 18:01:00, é, como a vida, uma promisssória provisória do «continuum» existencial. Não há régua, metro, sextante ou qualquer outro instrumento de medida que a abarque. Felizmente, pois se assim fosse estaríamos perante o Ragnanok dos poetas e dos versejadores.

Ah, como dizia o poeta, «dói-me a cabeça e o universo».

Isso, M.I. Anónimo da 18:01:00, é viver.

Ser ou não ser é outra questão – mas deixemos Heidegger em paz...

Dia bom

marisa disse...

A morte è o unico que vem sem avisar,è triste perder um amigo eu sei porque perdi o meu melhor amigo e pai,e quando`deicham filhos, mulheres,força dr.virgilio

Virgílio Brandão disse...

Coisas da vida Marisa...
Gracias