quinta-feira, 23 de outubro de 2008

  • COBRADOR DE PROMESSAS E DE LUZ VERDADEIRA

«A nossa ambição é termos, em 2011, Cabo Verde todo electrificado e queremos uma forte implicação das câmaras municipais neste processo», Primeiro Ministro José Maria Neves dixit.

Alguém perguntou a José Maria Neves se isso é uma promessa ou se é uma ambição? É que são coisas substancialmente diferentes. A ambição – mesmo tardia – aplaude-se; a promessa, cobra-se - nas urnas é tarde. É que eu, confesso, fico sem saber se é uma coisa ou se é outra.

Na verdade, o que eu gostaria de saber é se o Governo de Cabo Verde vai levar luz ou a ELECTRA às zonas rurais. É que – mesmo precisando de luz – o povo é feliz sem a ELECTRA, habituado que está a dormir com as estrelas e a acordar com o Sol.

Agora, com esta ambição de progresso (legítima e necessária) o Governo do PM José Maria Neves vai acrescentar à pobreza das famílias das zonas rurais a conta da luz de consumo doméstico, as taxas de iluminação pública (se forem consideradas da «classe baixa» não pagarão, não é?), de rádio e televisão, o frigorifico nocivo ao ambiente que a Europa vai enviando para a terra, a televisão e as novelas para substituir as conversas em família, a diminuição da capacidade produtiva das pessoas (sim, o mundo rural tem particularidades), a conta do telemóvel e o sonhos da sociedade de consumo. Talvez ajude ao controlo da natalidade (mas quem quer isso?), mas não ajudará em muito a luta contra a pobreza pois os rendimentos das famílias passarão a ser consumidos, em parte, pelas «coisas novas» que a electricidade proporciona(rá).

Enfim, o progresso! E tudo isso com a ELECTRA. Deus salve o povo de tudo isso ao mesmo tempo. É, espero, uma boa oportunidade do Governo investir nas energias alternativas e criar autonomias enérgicas no interior das ilhas, localidade a localidade; o que diminuirá o impacto social do progresso e suas consequências necessárias. Isso, sim, seria levar os «males do progresso» embrulhado em papel de luxo; uma ambição e acção aplaudíveis em qualquer parte do Mundo. E o povo que alimenta as cidades merece o melhor, não merece?

Agora, exportar a ELECTRA para o interior é levar o stress para os belos montes e vales da nossa terra e plantá-la na alma da nossa gente; não! Uma necessidade (em particular aquelas que criam outras – como é o caso da electricidade) deve ser satisfeita de forma adequada. Se assim não for, melhor será esperar pelo tempo certo e pela ecolha certa e não pelo tempo eleitoral.

1011 está aí, ao virar da esquina. Veremos, então, se o progresso chegou com luz verdadeira ou com noites escuras e novas dores. E estas dores custam; ah, se custam aos que prometem. Sim, 1011 é data de peregrinação e (de)votos nas terras sem luz.

Ah!, já agora... que se leve a luz e a esperança do fim da pobreza extrema; pois não poderá o povo mais povo ouvir (mais) promessas para o fim do programa do Millenium Challenge Account - que é mais uma legislatura, não é? É que temos as nossas limitações, mas as gentes do povo mais povo, isto é, os mais pobres, são e devem ser prioridade.
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A promessa política sustentada deve partir da ambição de um bem social maior, de uma distribuição equitativa da riqueza gerada pela gestão da coisa pública; esse é o cerne do sistema republicano: liberdade, igualdade e fraternidade.
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  • Interior de Santo Antao, foto de Nuno Pombo Costa

6 comentários:

Ariane Morais-Abreu disse...

Ainda ninguém fez cançao sobre esta Electra?!! Mereceria algumas litanias pelo menos...

Virgílio Brandão disse...

Pois...
Ah, Ariane...
«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades», lá bem dizia o Lu(í)z Vaz.

Anónimo disse...

Gostei muito deste post Virgílio.
Penso muito sobre estas pertinentes questões.
Kel abraço fraterno!
Ruben.

Virgílio Brandão disse...

Desafios, Ruben, desafios...
Abraço fraterno

Marisa Fernandes disse...

hà um ditado k diz "a esperança è a ùltima que morre" e è assim k vejo essas pessoas com as promessas politicas,mas a mim não è isso k me preocupa ,mas sim tirar essas pessoas do seu sossego ,isso sei eu porque ja passei fèrias no interior da ilha de santiago,e tambèm ja acampei vàrias vezes no interior. Acordava com o primeiro apito,o segundo tinha k estar a arrumar a tenda e o terceiro era para sair da tenda e preparar para um novo dia de caminhada,e outras vezes acordava antes das 06h00 pk era eu a dar o apito...eu adoroooo pk iamos apanhar àgua com burros k as pessoas nos emprestavam e noutros casos transportavamos a àgua a cabeça, tinha-mos frutas à vontade k nos era oferecido e tinhamos o melhor k è a aventura(sinal de pista ,caminhada,fogueira à noite em k tinhamos como convidados a população k nos acolhia...)ah e então tomar banho de cachoeira(sò em algumas èpocas),eu fico com pena e triste acerca dessa ideia para levar a electra ou luz às zonas rurais porque o sossego vai acabar ,primeiro pk vai começar o estresse, se a luz for como o que està a acontecer agora sempre a falhar, aquela àgua do pote(mt boa e fresca) vai acabar,porque o frigorifico vai ocupar o lugar dela ,aquela forma caseira de conservar os alimentos(humm,)apanhar àgua com o burro vai acabar pk tb vão pôr àgua canalizada ...eu no meu ver o PM Josè Maria Neves devia ir uns dias a essas zonas rurais descansar ,aproveitar a calma,o sossego k hà nessas zonas ,relaxar e pensar como è vai resolver esse problema k hà na electra (esse corte de luz que acontece de vez em quando )hà mais de 2 anos e depois seguir com a ambição( pk è k não resolve esse problema em vez de estar a pensar a criar outro problema)

Virgílio Brandão disse...

Espero que o PM tenha quem lhe dê tão bons conselhos, Marisa.

De todo o modo, é o progresso...

dnb