terça-feira, 28 de outubro de 2008

  • O TÓ(XICO) PARLAMENTAR E QUEJANDOS
Segui o debate parlamentar na Assembleia Nacional. Sem grande momentos de interesse, sem nada de novo, a fronteira do deserto de ideias; na verdade foi um debate para deixar tudo na mesma.
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Não sei porquê, mas fiquei com a ideia de que os deputados da oposição não estavam devidamente documentados sobre a questão do "lixo tóxico" e, pelo que ouvi do Primeiro Ministro - ontem e hoje -, parece que o problema do "tóxico" é mero ruído, uma questão putativa. De poetas, passámos a ter intoxicados quase a caírem do Parlamento no Oásis … o que será verdade?
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Ah, já agora, como o Governo vai enviar para a União Europeia, Embaixadores e quejandas os documentos sobre esta matéria, não será de bom tom tornar público, para nós - o povo (hello… we are here…) - o referido protocolo? Temos direito a isso, ou não?
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O Primeiro Ministro José Maria Neves a citar Joseph Gobells (uma mentira dita várias vezes pode tornar-se numa verdade) e a rir-se da mentira e as suas conotações políticas em Cabo Verde… é, por si, prova do conforto que sente no papel que desempenha e com que esteve na Assembleia Nacional. Afinal, assim, ir ao Parlamento até que é uma coisa boa - não é Sr. Primeiro Ministro?...
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A questão da justiça? Uma tristeza! Sem comentários…
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A crise internacional em Cabo Verde? Estamos bem, diz o Governo - optimista. Vamos passar a crise sem grandes sacrifícios para o povo. Deus atente nisso e o diabo seja cego, mudo e paralítico pois bem precisamos destas vantagens diante de tanto optimismo.
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Ah, a oposição deu uma "abébia" ao Governo e lá concordou em deixar passar a nova lei sobre a abolição do imposto de selo. É… a Constituição precisa de ser revista com urgência, pois o que temos em Cabo Verde é um Governo refém da oposição - e de uma oposição que não sabe usar essa vantagem de forma racionalizada.
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A desilusão de Rui Semedo a final é, afinal, um mea culpa a ser partilhada pelos demais deputados. O Governo, acabou nas "quatro quintas"; e não posso deixar de concordar com José Maria Neves: da oposição exige-se mais, muito mais do que ouvi ontem e hoje.
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Salvador Dali, Othello Dreaming Venice, 1982

2 comentários:

Ariane Morais-Abreu disse...

Na cara de um Jorge Santos, que a comunidade de França descobriu "en chair et en os" em setembro passado, carece na evidência a oposiçao de amadurecimento e sabor politico. Beaucoup de frivolité et démagogie!!

Virgílio Brandão disse...

Ariane, lá sabes o que viste, ouviste e agora dizes...

Dia bom