sexta-feira, 10 de outubro de 2008

  • O MUNDO NUNCA FOI IGUAL PARA TODOS
Eu. Mundo. Assim, na Escola, se começa a construir a vida, o Mundo, sem Magalhães – mas está lá tudo o que é preciso.

Agora, de repente – sabe lá Deus porquê –, lembro-me que Portugal, quando saiu de Timor Leste em 1975, deixou lá uma (01) Escola. Foi o possível em 500 anos..., mas cada um coloca o seu coração de acção onde quer. Deve ter sido útil a alguém, disso não tenho dúvidas. E, creia-me, faz toda diferença para esse Mundo que caminha algures por aí, ainda com as letras de menino na alma.

Eu. Mundo. Quando eu era menino, tinha uma muda de roupa; como a maioria esmagadora dos meninos da minha mítica zona. A minha mãe lavava-a praticamente todos os dias (ao contrário de hoje, era um traquinas) e, no dia seguinte, ia para a Escola, primeiro n´Fonte Cônego e depois no Liceu Bedjo do Mindelo – um dos locais mais belos e felizes por onde viajei – limpinho. A roupa da ilha de São Vicente, na altura não havia pronto-a-vestir (nem fardas escolares), era feita de fazenda comprada na Casa Leão e era tudo muito parecido, igual; horrorosamente igual. Deus! Aprendi aí, ainda antes de aprender a ver, o que é a diferença estética. Consola.

Cresci. Hoje, não me atrevo a comprar uma camisa com padrões normalizados ou de marca conhecida, pois se vejo alguém com uma igual, deito-a fora ou ofereço-a a alguém que goste ou precise dela. Não consola, esta igualdade. Ah!, sei que há uma explicação psicológica para isso; but, who cares? Really, who?... Mas há coisas que importam, coisas eternas – e lembro-me delas. Sim, lembro-me de aprender a ver as horas num relógio a caminho da Escola e de, nela, pela primeira vez, ver: aprendera a ler. O Mundo ficou, então, menos desigual para mim. A minha alma ganhou asas, na Escola. Eu. Mundo.
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Hoje, vi uma entrevista da Ministra da Educação, Vera Duarte, no Programa do Abraão Vicente... Eu. Mundo.

8 comentários:

Joshua disse...

Não te conhecia esta faceta. Pensava que te bastava ser diferente. Pelos vistos também queres parecer...
E depois essa máxima que arranjaste da diferença estética consolar...Já me fizeste rir outra vez!

Virgílio Brandão disse...

Ajosue,
sabes, não preciso de muito para ser moderadamente feliz (e não me venhas com o argumento de que «isso não existe») mas de tudo para ser simplesmente feliz.

Não é uma questão de «parecer», mas de me sentir bem; se isso implica o parecer, bem, como bem sabes, não é preciso pedir licença ao mundo exterior para sermos felizes e/ou nos sentirmos bem.

É só isso.

Fazer-te rir... Isso, sim, é uma coisa boa. O teu riso e o teu sorriso – para quem os conhece – enriquecem qualquer pobre, como eu. E, podes estar certa, a «diferença» estética consola; ah, se consola...

Para que saibas, não esqueci o Barack Obama, não. Mas a verdade é a tua ideia não deu um post, não – pariu um texto com muitas folhas: «PORQUE BARACK OBAMA DEVE VENCER AS ELEIÇÕES NORTE-AMERICANAS OU O FIM NECESSÁRIO DA DISCRIMINAÇÃO?» que vou enviar para uma Revista com que colaboro. Quando for editado (Novembro), I will let you know e enviar-te o local onde o poderás ler.

Kisses,
the one who smokes...

PS: Ah, lembras-te da Jessica Rabbit?...

Anónimo disse...

Para começar, subscrever um texto com "the one who smokes",faz-me pensar mil e uma coisas.Só te faltava dizer que cigarros fumas! Porquê? Achas chique? Chique de doer???
Olha meu querido, fumar faz muito mal à tua saúde e pior ainda aos que tu fazes fumar sem quererem(os fumadores passivos.
Byyye!!!!!!!

João Branco disse...

Oh Virgilio, essa do blog action não é para o dia 15 de Outubro? Pensei que sim!

Gostei da tua Electra. Se fosse a nossa, outra luz acenderia! Hahaha

Joshua disse...

Então e como dizem os brasileiros "fico no aguardo"
***

Virgílio Brandão disse...

Anónimo das 17:55:00:
Essa treta dos «fumadores passivos»... Jesus!, e quem anda pelas cidades, o que é que «fuma»? Ah, é preciso ler Francisco Vitória e a atentar na mediana da virtude... a dimensão cívica sensibiliza-me, as outras... – give me a breack, please...

O que fumo? Oh!, é claro que fumo tabaco negro, como eu! Não por identificação (seria uma boa razão?... Não, não... ou sim?) de cor, mas porque gosto, porque é o melhor tabaco do Mundo!

«Chique uma ova!» E ovas, só mesmo de peixe (ovas fritas com cachupa guisada com muita cebola é uma iguaria... Deus não me salve do pecado da gula!) ou de esturjão; pois...

«The one who who smokes» quer dizer, somente, isso – e isso e esse tem anos.

Tenho pássaros chilreando à janela; vou fumar um cigarro e escutar o que têm para me dizer.

Dia bom

Virgílio Brandão disse...

Ajosue,
me espera, tá?...
Besos

Virgílio Brandão disse...

João,
Tens razão! É mesmo a 15 de Outubro. And i am in...

Mas quem foi que disse que só devemos falar de pobreza nesse dia? Ontem, hoje, amanhã não haverá pobres?

Oh, João! Todos temos uma Electra na nossa vida – e acende muito mais do que candeeiros de rua, aquece mais do que fogões do pão-nosso de cada dia, refrigera a alma mais que frigoríficos eficientes no verão sahariano..., tem mais potência com um olhar que mil viagras, etc., electra...

A ideia é as pessoas pensarem que existem outras Electras; essa aí, assim como a de Ésquilo, Eurípedes e Sófocles, são bem mais belas e luminosas que da terra. Mas, sim, esta Electra tem o margoso do café margoso e o doce do café doce; that´s it.

Se calhar os solteiros do poder precisam de um choque da Electra... poderia haver luz... Ah, ah...
Dia bom