sexta-feira, 17 de abril de 2009

  • A UTILIDADE QUASE MARGINAL DO BLACKOUT
A ELECTRA, em definitivo, resolveu fazer escola em Lisboa e esta fez mais uma perninha por aqui. Depois de, durante o dia, a Sonaecom ter entrado em colpaso e empresas como a Optimus, Clix e a Brisa (deu direito a uma borlas nas autoestradas… de carros, de carros) terem entrado em colapso, seguiu-se a EDP que reolveu, também, pregar uma partidinha aos cidadãos – na minha zona caiu a luz, parece uma noite da Kapital do meu berço.

Aproveito esta desgraça (não há Lusíadas por perto) para ler poesia a luz de velas – de uma vela negra em forma de anjo, uma vela belíssima... custa-me vê-la arder, mas um dia deveria ter o seu destino de vela, que seja hoje, dando corpo ao verbo de alguns dos meus poetas negros. Podia ser outra vela, sine nobilitate; mas esta merece este destino.
.
Ah, escute comigo um pouco da nossa história étnica-poética-política-social na voz da sofrida negritude afro-americana.

«Bom é Deus, sincero e terno, não duvido.
[…]
Espanta-me, contudo, esta coisa interessante:
Que faça um poeta negro, e que ele lhe peça que cante!» (Countee Cullen, 1925).

«Poema para o retratro de um jovem africano a maneira de Gauguin

Todos os batuques das selvas me latejam no sangue.
E todas as luas selvagens e quentes das selvas me brilham na alma.
Tenho medo desta civilização –
Tão dura,
Tão forte,
Tão fria.» (Langston Hughes, 1965)

«Aqui na margem do inferno
Fica Harlem –
Recordando as velhas mentiras,
Os velhos pontapés nas costas,
O velho, tenham paciência,
Que eles dantes nos diziam» (Langton Hughes, 1951).

«Pelas ténues regiões donde os meus pais vieram
Meu espírito, escravizado pelo corpo, anseia» (Claude MacKay, 1922).

«Chegai-vos a mim sonhos desiludidos
trazei-me a glória das almas sem fruto.
Encontrarei um lugar para elas nos meus jardins» (Conrad Kent Rivers, 1968).

Chegou a luz, e lia a Sinfonia Negra de Melvin Tolson:

[…]

VI – TEMPO DI MARCIA

Dos abismos do Analfabetismo,
Pelos labirintos da Mentira,
Atravessando as vastidões da Doença…
Nós avançamos!

Dos becos-sem-saída da Pobreza,
Pelos desertos da Superstição,
Atravessando as barricadas do Racismo…
Nós avançamos!

Com os povos do Mundo…
Nós avançamos!» (Melvin B. Tolson, 1944).


E o meu anjo negro, um Serafin – pois tem uma lira nas mãos – ficou sem cabeça… consumido pelo fogo. Acendi um cigarro negro nas suas chamas, e fumei-o a janela, ouvindo Tudo Fadiga Dja Caba de Solange Cesarovna. A minha alma, agora, está consumida por Frederick Douglass, um belíssimo poema de Robert Hayden. Vou fazer de conta que não há luz, acender a minha vela-anjo-negro e atentar nesta coisa necessária e bela da alma.

Imagem: Dark Labyrinth (LXXVIII), Luis Royo.

9 comentários:

Gabi disse...

VRB, por acaso não tens uns Lusíadas a mais para me emprestares, para que os possa revisitar e relembrar de algo sublime e sabi, ok? Há muito mesmo que não leio um verso, sequer, de Luis de Camões, e já nem me lembro bem como é?

eh eh eh

SDB
dnb

Virgílio Brandão disse...

Gabi,
VRB eu até que percebo... mas o que é SDB e dnb?

Olha, prometo publicar uns versos do Camões! para te lembrares.

:-)

Gabi disse...

VRB, não tens filhos adolescentes?
Essas aprendi com eles, a saber: dnb = dode na bô e SDB, adivinha lá!

Resposta antes dos 45. Tá?

Continuação

:~)

Virgílio Brandão disse...

Jessica, SDB continua a ser um enigma para mim. Ando a aprendizagem pela vida... como os carros em rodagem.

45… em 45 foi o fim da guerra civil romana… Jessica. Chegarei lá na minha memória, numa batalha não munda(na).

:-)

Jessica disse...

VB, queres que a Gabi seja a Jessica, e vice-versa, ou será que é a mesma pessoa que apresenta-se aqui com várias roupagens, consoante a reacção que despoletam os teus escritos, versos e imagens?

Ou o teu pensamento está mais direccionado para uma delas, que já elegeste pela troca dos nomes?

Já é a segunda vez...

Eu por mim, tudo bem!

E como me chamaste, eu vou, não, digo SDB=sodadi di bô. Simples, não, VB?

Bom, deixa-me subir, para ir ler, calmamente, os Lusiadas que já estão lá em cima postados.

Mas não te safas quando não houver luz... Se fosse na Praia já estavas de castigo, declamando o canto I, de frente para trás, de trás para frente, ti manche!

E por azar lá, a luz vai-se manenti, manenti...

rsrrsrsrsr

Noite boa.

Gabi disse...

Bom na falta do livro, prefiriria ser o teu Serafin, a tal vela-anjo-negro, para sentir o calor e ser consumida ao som dessa musica...

eh eh eh

Continuação

Jonas disse...

VRB ou VR,
São tantas as tuas fans, meu, que realmente dá para confundir.

Eu que sou um peixe muito realista aposto que é apenas uma mas muúuuuuuuito multifacetada?

Mas pelo sim pelo não vou ficando por aqui...quem sabe ainda alguém me diz dnd Jonas :)

Fica.
cdc

Jessica disse...

Bom dia Jonas.

Saudades tuas.

cdc quer dizer carente de carinho? :(

Oh! Mas a mim é dnb também! E estava cheia de saudades tuas. Há muito não pisavas aqui no terreiro e há tempos perguntei por ti.

Como vai o diário da coelhinha, e o peixinho rijo e valente?

Como tens sobrevivido à crise? Andas a ler os Lusíadas, nestas horas de carência? É bom, segundo diz o VR. E se ele diz, está dito, não achas?

Olha comprei-te um Gormiti só para ti, mando-te pelo VR.

Bali
Jokinhas Jonas
SDB

;)

Jonas disse...

Jessica minha linda estamos mesmo em sintonia...Um Gormiti. Curto bué Gormitis. Diz-me que é o Delos, o Conde dos Mares! É o que falta para ter a colecção.

a teus pés
Joninhas

cnd-cromo do caraças e aqui só há um, o dono deste blogue, agora que o Al Binda está fora
rsrsrsrsrs