sábado, 11 de abril de 2009

  • AS CAUSAS DA MORTE DE JESUS CRISTO E PORQUÊ É QUE SOU DEUS
Jesus, quando foi colocado na Cruz no Golgota – o monte do Calvário – tinha sobre o madeiro escrito: INRI, isto é Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (Jesus, o Nazareno, Rei dos Judeus). Uma forma de acinte contra a sua pessoa. Mas era, verdadeiramente, o Rei dos Judeus – como a sua genealogia, como determinada no primeiro capítulo do Evangelho de Mateus demonstra. Tinha descendência não somente de Davi (segundo Rei de Israel), mas passava pela casa sacerdotal de Levy até Abraão, o pai fundador da nação judaica. Mas até isso sofreu em silêncio.

Ao gritar na cruz, Eli, Eli, Lama Sabatsami – o que fazia não era, de todo, reclamar de Deus, mas sim demonstrar toda a dimensão da sua humanidade (como tinha sido profeticamente anunciado): como Deus não poderia nem transportar todos os pecados do Mundo nem morrer, por isso, nesse momento, a divindade o deixou. É um momento terrível, de uma dor incomensurável – transportava, naquele momento, todas as dores e pecados do Mundo, presente, passado e futuro. E não prescindiu de o sentir – daí ter recusado o líquido de fel e vinagre que teria aliviado a sua dor na cruz.

Mas mesmo assim, não deixou de olhar os seus algozes e dizer: «Pai, perdoa-lhes pois não sabem o que fazem». É verdade, nem eles sabiam o que faziam nem hoje, ainda, se percebe a dimensão do que se passou nessa cruz. Mas o que fazer? Há muita docta ignorantia por aí, diria Nicolau de Cusa. E Jesus gritou, em aramaico – Eli, Eli, Lama Sabatsami… na sua língua materna, na sua língua mais profunda, pois sofria verdadeiramente; mais do que fisicamente, sofria espiritualmente. E quando sofremos de forma profunda falamos na nossa língua materna, na nossa língua de identificação – assim ensinam os entendidos da psicologia.

E isso, ao contrário do que se pensa, foi a causa da sua morte. Jesus morreu não por causa da 49 chicotadas que recebeu, nem da afronta física da crucificação… não. Morreu de enfarte do miocárdio – ataque de coração, como se diz correntemente. Ao expirar, no meio da dor e do perdão, disse: – «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito». O seu corpo humano não aguentava mais o sofrimento de estar separado da sua natureza divina e ser, naquele momento, totalmente homem. Entrou em colapso, pois estava nos limites do humano. Morreu como homem, totalmente homem; pois como Deus nunca poderia morrer, nem resgatar a humanidade como o cordeiro de Deus.
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Assim, quando a lança do legionário Longino trespassou o seu coração saiu sangue e água – água, como acontece quando se tem um enfarte do miocárdio e bolsas de água se formam em torno do coração. Do ponto de vista da Medicina Legal, uma autopsia diria, hoje, que o que causou, imediata e directamente, a sua morte foi um ataque de coração. A lança de Longino (hoje conhecida com a Lança do Destino) encontrou um corpo morto, de coração partido, em colapso.

Não precisa(mos) de acreditar em Jesus, O Cristo. Estes factos aconteceram, assim os narra a memória dos antigos. Pode-se não crer, isso é uma opção (pouco racional, na verdade) compreensível; mas não se pode negar os factos, nem a sua dimensão espiritual e o bem que tal tem feito a bem da humanidade. Os que não entendem a dimensão do sofrimento humano de Jesus Cristo neste contexto… o que posso dizer?
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Bem, a estes aconselho a saber mais sobre estas coisas; a ler Dionisios Aeropagita, Origines, Calvino, Escoto Erigena… a perscrutar os pensamentos de Valentiniano, do panteísmo cristão e de Tertuliano – o jurista e teológo africano cujos escritos foram declarados heréticos pelo Decretum Gelasium, emitido pelo Papa africano S. Gelásio I e, assim, não entraram cânone das memórias dos antigos. Mas como tal se pode revelar uma tarefa difícil, sempre se poderá recorrer a duas obras extraordinárias sobre estas matérias e disponíveis a todos: Destined for Throne de Paul Bilheimer e What Happened From the Cross to the Throne de E.W Kenyon. O destino do homem é ser Deus, e isso começou com o colapso do coração de Jesus Cristo na Cruz, dois mil anos atrás. Foi há muito tempo? Ah, Deus! O que é o tempo? O que é o tempo?

Mas o Cristo em que creio só esteve na Cruz até a hora nona, quando começou a grande Odisseia, o romance deste Universo. E é por isso que sei, como ensina S. Paulo (como, aliás, já ensinava Salomão…), que estou assentado
[1] nos lugares celestiais, que, de jure[2] (Efésios, I), sou Deus. Um dia, de facto, sê-lo-ei (I Coríntios XII). Foi isso que Jesus veio fazer a terra – acabar com a solidão de Deus, e tornar-nos um com Ele: Elohim. Sim, Elohim. Já bem dizia Shakespeare que existem mais coisas entre os céus (pensaria em Shamayim?) e a terra…

Aos que não crêem no sacrifício de Jesus – o Cristo, e na sua ressurreição, dou o mesmo conselho que S. Paulo deu aos cidadãos de Corinto: «comamos e bebamos que amanhã morremos» (I Coríntios, XV). Mas não alteraremos a realidade (Evangelho de João XIV.6), pois a realidade não se engana, é sempiterna. Para atentar, e reflectir.
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--- Notas:
[1] Para perceber esta dimensão do assentamento nos lugares celestiais, vide o cerimonial do funus imperial romano.
[2] De direito.
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Imagem: Aishwarya Rai, representação do que existe de mais parecido com Deus no universo conhecido: a mulher.

3 comentários:

Anónimo disse...

Esta representação do que existe de mais parecido com Deus é simplesmente e naturalmente LINDA!

Nita disse...

Virgílio,
Obrigada pela descrição da morte de Jesus - o Cristo.
Creio e confio na Resurreição de Jesus.A passagem Dele, como homem, pela Terra tinha um propósito. E. ademais Deus não é mentiroso. Nenhuma palavra que saiu da Sua boca...passará em vão, sem ser cumprida.
Ao lermos na Bíblia - João XIV - 2
Jesus disse: -"Na casa de meu Pai há muitas moradias. Eu vou para vos preparar um lugar, virei novamente e vos acolherei a mim para que onde eu estiver, vós também estejais".
Acho que Jesus veio, na verdade, acabar com a solidão de Deus.
Deus precisa de cada um de nós, para preservação da sua maravilhosa Obra - O UNIVERSO.

Vou procurar, avidamente, algumas das obras que aqui mencionaste para meu melhor conhecimento e
aprendizagem de coisas espirituais.
beijo,
noite de Santa Paz,
Anita

Virgílio Brandão disse...

Anónimo... é verdade. Mas é uma pessoa de uma generosidade e inteligência equivantes - creia-me.

Anita...
é necessário cultivar o espírito com coisas da sua natureza.

O livro do Paul Bilheimer foi publicado em Portugal, pela CAPU, há cerca de 7 ou 8 anos atrás (a tradução é sofrivel, mas lê-se) co o titulo «O Seu Destino é o Trono».

A do E. W. Kenyon, penso que só o encontrarás nos EUA ou Inglaterra (pode ser que tenhas sorte aí em Roterdão). Mas, para que serve a net, senão para nos ajudar a chegar às coisas mais depressas?
Virgílio
:-)